Oceanografia

Cerca de metade do oxigênio da Terra vem do oceano, e a vida marinha consome quase o mesmo tanto

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O fitoplâncton, conjunto de algas microscópicas e bactérias fotossintetizantes que flutuam na água, produz cerca de metade do oxigênio gerado na Terra. A fotossíntese do mar e a da terra firme têm tamanhos parecidos: cada uma responde por perto da metade dos cerca de 105 bilhões de toneladas de carbono fixadas por ano no planeta. Mas há o outro lado da conta: a vida marinha consome mais ou menos a mesma quantidade de oxigênio que o oceano produz.

O fitoplâncton reúne cianobactérias, diatomáceas com carapaça de sílica, dinoflagelados, algas verdes e cocolitóforos cobertos de calcário. Cada indivíduo raramente vive mais que alguns dias, mas as populações podem formar florações de centenas de quilômetros quadrados, visíveis do espaço. Por isso os cientistas estimam a fotossíntese marinha com satélites que medem a clorofila na superfície, combinados com medições no mar. As estimativas variam com a estação, os nutrientes e a temperatura da água. O oxigênio produzido no oceano não vai todo para o ar: peixes, zooplâncton e bactérias respiram, e a decomposição de organismos mortos também gasta oxigênio. Entre os produtores, um se destaca pelo número: a cianobactéria Prochlorococcus, o menor organismo fotossintetizante conhecido, descoberto apenas em 1988.

Bactérias que mudaram o ar do planeta

As cianobactérias inventaram a fotossíntese que libera oxigênio entre 3,4 e 2,9 bilhões de anos atrás, segundo um estudo do MIT de 2021. Mas o oxigênio só se acumulou na atmosfera por volta de 2,4 bilhões de anos atrás, no chamado Grande Evento de Oxidação, pelo menos 400 milhões de anos depois.

Metade de quê, exatamente

Em 1998, Christopher Field e colegas combinaram modelos de crescimento de plantas terrestres e de fitoplâncton e estimaram a produção primária líquida do planeta, o carbono que os organismos fotossintetizantes fixam e transformam em matéria viva, em 104,9 bilhões de toneladas por ano. As contribuições de terra e oceano saíram aproximadamente iguais. A NOAA resume o lado do oxigênio da mesma forma: cerca de metade do oxigênio da Terra vem do oceano. É uma estimativa com margem, porque a produção no mar varia muito de lugar para lugar e de estação para estação.

Produzir não é sobrar

Boa parte desse oxigênio é usada no próprio mar. Peixes, zooplâncton, bactérias e o próprio fitoplâncton respiram, e a decomposição de organismos mortos consome oxigênio. Segundo a NOAA, a vida marinha consome mais ou menos a mesma quantidade que o oceano produz. Por isso a frase “metade do oxigênio que respiramos vem do mar” é imprecisa: descreve a produção, não o saldo que chega à atmosfera a cada ano.

Quem faz a fotossíntese no mar

O fitoplâncton é um grupo diverso: cianobactérias, diatomáceas com carapaça de sílica, dinoflagelados, algas verdes e cocolitóforos cobertos de calcário. Um indivíduo raramente vive mais que alguns dias, mas, com luz e nutrientes, as populações explodem em florações que cobrem centenas de quilômetros quadrados em poucas semanas. Além de produzir oxigênio, o fitoplâncton é a base da cadeia alimentar marinha e leva cerca de 10 bilhões de toneladas de carbono da atmosfera para o oceano profundo por ano, segundo a NASA.

O menor e mais numeroso

A cianobactéria Prochlorococcus mede de 0,5 a 0,7 micrômetro e é o menor organismo fotossintetizante conhecido. Vive entre 40° S e 40° N, da superfície até cerca de 200 m, e costuma se dividir uma vez por dia. Sua descoberta foi publicada em 1988 por Sallie Chisholm, do MIT, e colegas. Em 2013, um modelo global estimou sua população média em 2,9 × 10^27 células. Quanto oxigênio ela produz é discutido: a NOAA fala em até 20% do oxigênio da biosfera; uma reportagem do MIT, em até 10% do oxigênio gerado por fotossíntese a cada ano.

Como se mede a fotossíntese do oceano

Não há como contar o oxigênio liberado em cada metro cúbico de mar. Os cientistas medem a cor da superfície por satélite: a clorofila e outros pigmentos alteram a luz refletida, o que permite mapear onde há fitoplâncton e quanto. Essas imagens são combinadas com medições feitas em navios e com modelos de crescimento. A NOAA ressalva que satélites não contam a história toda e que a produção varia com as estações, os nutrientes e a temperatura da água, o que explica a faixa de estimativas.

Como sabemos

Os números centrais vêm da NOAA, da NASA e de artigos revisados (Science, PNAS, MMBR); as estimativas divergentes sobre o Prochlorococcus são apresentadas como faixa.

Em debate: A participação do oceano aparece com números diferentes em textos de divulgação. A NOAA usa “cerca de metade”, coerente com a estimativa de Field e colegas (1998), em que terra e oceano têm produção primária aproximadamente igual. O texto adota essa formulação.

Em debate: A fatia do oxigênio atribuída ao Prochlorococcus varia muito entre fontes: a NOAA fala em até 20% do oxigênio da biosfera, e uma reportagem do MIT em até 10% do oxigênio gerado por fotossíntese a cada ano. As diferenças vêm de métodos e bases de comparação distintos.

Em debate: Dizer que “metade do oxigênio que respiramos vem do mar” é impreciso: o oceano produz cerca de metade do oxigênio, mas a vida marinha consome quase o mesmo tanto, segundo a NOAA.

Fontes

  1. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), National Ocean Service — How much oxygen comes from the ocean?
    consultada em 03/10/2026
  2. Science — Primary production of the biosphere: integrating terrestrial and oceanic components (Science, 1998), resumo via Europe PMC
    consultada em 03/10/2026
  3. NASA Earth Observatory — What are Phytoplankton?
    consultada em 03/10/2026
  4. Microbiology and Molecular Biology Reviews — Prochlorococcus, a marine photosynthetic prokaryote of global significance (Microbiology and Molecular Biology Reviews, 1999), resumo via Europe PMC
    consultada em 03/10/2026
  5. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Present and future global distributions of the marine Cyanobacteria Prochlorococcus and Synechococcus (PNAS, 2013), resumo via Europe PMC
    consultada em 03/10/2026
  6. MIT Technology Review (Massachusetts Institute of Technology) — Understanding the Ocean's Smallest Creatures
    consultada em 03/10/2026
  7. MIT News (Massachusetts Institute of Technology) — Zeroing in on the origins of Earth's “single most important evolutionary innovation”
    consultada em 03/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +4 imagem(ns)
  • Versão 2 · 05/10/2026 — Galeria: 1 imagem(ns) real(is) de pessoas e lugares (Wikidata/Commons)
  • Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos