Oceanografia

Oxigênio escuro no fundo do mar: o O2 subiu nas câmaras em 2024, mas a origem nos nódulos é contestada

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Mar profundo

Em 2024, câmaras instaladas no fundo do Pacífico (Zona Clarion-Clipperton) registraram o oxigênio subindo, de cerca de 185 µmol/L para até 819 µmol/L em 47 h, e os autores atribuíram o efeito aos nódulos metálicos, talvez por eletrólise da água. Outros pesquisadores apontam artefato do equipamento, falta de controles e problemas de termodinâmica. O resultado não foi replicado e a causa do O2 segue em aberto.

Em sedimentos do fundo do mar, o oxigênio costuma ser consumido por animais, microrganismos e reações químicas, e câmaras bentônicas (caixas que isolam um pedaço do fundo e medem o O2 ao longo de horas) normalmente registram queda. Nódulos polimetálicos são concreções de óxidos de manganês e ferro, ricas em níquel, cobre e cobalto, que cobrem áreas do fundo abissal. 'Oxigênio escuro' é o termo para O2 produzido sem luz; aqui designa a produção atribuída aos nódulos. Este post trata da disputa científica, não da mineração em si.

Os dois lados concordam em um ponto

Mesmo os autores da reanálise crítica dizem não contestar a observação de que o O2 subiu nos experimentos, medido por dois métodos. A divergência é sobre de onde vem esse oxigênio: do fundo, dos nódulos ou do próprio equipamento.

O que foi medido em 2024

Uma estrutura com três câmaras de 484 cm² (o lander) foi descida ao fundo da área NORI-D e as câmaras foram enterradas no sedimento. Sensores ópticos de O2 registraram a concentração a cada 10 s durante cerca de 47 h, e amostras de água foram tiradas para titulação de Winkler. Em 25 incubações o O2 subiu; em duas, caiu de forma constante. É a observação. A explicação é outra camada.

Como sabemos: o que cada lado usa como prova

Os autores de 2024 apoiam-se em testes estatísticos entre câmaras, em modelos que excluem radiólise e dissolução de MnO2, em incubações a bordo com veneno e em medidas de voltagem em nódulos. Os críticos apontam o que faltou: controles sem nódulos, medida de hidrogênio, O2 inicial fora do esperado para água de fundo e baixa replicação. Cada ponto é um teste de artefato: se o O2 sobe sem nódulos, os nódulos não são necessários.

As críticas publicadas e quem as assina

Há opinião em revista com revisão por pares (Frontiers, 2025) e reanálise estatística (F1000Research, 2026). As duas têm autores empregados pela The Metals Company, que financiou parte do estudo original e quer minerar nódulos. Isso não invalida os argumentos, mas pede checagem independente. Revisores do F1000Research divergiram: um aprovou, outro reprovou, entre outras razões por conflito de interesse e por não discutir causas alternativas.

O que resolveria a questão

Faltam testes que qualquer grupo possa repetir: análise do gás de uma incubação de nódulos, medida de hidrogênio, câmaras com ventilação documentada e controles sem nódulos no mesmo lander, e medida da área superficial real dos nódulos. Até lá, o grau de evidência é de observação não replicada, com explicação não demonstrada.

Como sabemos

O que foi medido e quem critica está documentado em fontes lidas; a causa do O2 é incerta e a resposta formal dos autores originais não foi localizada.

Em debate: Em 2024, Sweetman et al. relataram aumento de O2 em câmaras sobre campos de nódulos e propuseram eletrólise. Críticos apontam artefato do equipamento, ausência de hidrogênio medido, controles sem nódulos com aumento semelhante e falta de replicação. Não localizamos resposta formal publicada dos autores originais. Os críticos principais têm vínculo com uma empresa de mineração, e os autores originais receberam apoio dela.

Fontes

  1. Nature Geoscience — Evidence of dark oxygen production at the abyssal seafloor
    Sweetman, A. K. et al. · 2024-07-22 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41561-024-01480-8
  2. Frontiers in Marine Science — Extraordinary claims require extraordinary evidence: evaluating nodule-associated dark oxygen production (artigo de opinião)
    Downes, P.; Cuesta, A.; Denny, A.; Tengberg, A.; Hall, P. O. J. et al. · 2025-12-19 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/fmars.2025.1721853
  3. F1000Research — No link between polymetallic nodules and anomalous oxygen concentration increases in benthic experiments from the Clarion Clipperton Zone
    Webber, A. P.; Downes, P.; Bento, J.; Marsh, L.; Freitas, F. S.; Clarke, M. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.12688/f1000research.181486.2
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 15; conferência de trechos automatizada)

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