Paleontologia

Origem dos dinossauros: início discreto no Triássico e diversificação ligada ao Episódio Pluvial Carniano

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Segundo fósseis do Triássico, os dinossauros surgiram há cerca de 245 milhões de anos, mas ficaram com baixa diversidade por mais de uma dezena de milhões de anos. A diversificação rápida, vista em pegadas dos Alpes italianos e em ossos sul-americanos, ocorre em torno do Episódio Pluvial Carniano (234 a 232 milhões de anos atrás), quando herbívoros de outros grupos entraram em declínio. A data exata da origem segue em debate.

Dinosauria é o grupo que reúne os dinossauros extintos e as aves. Seus parentes mais próximos, os dinossauromorfos (como os chamados silesaurídeos), já existiam no Triássico Médio. Naquele tempo, muitos ecossistemas terrestres eram dominados por crurotarsos, arcossauros da linhagem dos crocodilos. O Carniano é um andar do Triássico Superior; nele houve o Episódio Pluvial Carniano (CPE), uma fase de clima mais úmido, com mudanças na vegetação e na fauna. A pergunta é quando os dinossauros surgiram, quando se tornaram abundantes e por quê. As respostas vêm de ossos, de pegadas (icnofósseis) e de datações das rochas que os contêm.

Pegadas que funcionam como relógio

Nos Dolomitas, no norte da Itália, nenhuma pegada de dinossauro foi achada abaixo da camada do CPE, apesar de cerca de 40 anos de coleta intensiva, segundo os autores. Por isso as pegadas marcam a chegada do grupo à região com mais precisão do que ossos raros.

Dois passos: origem discreta e explosão

A síntese de Bernardi e colegas (2018) descreve a história em dois passos: o grupo surge por volta de 245 milhões de anos atrás e permanece com baixa diversidade; depois, no Triássico Superior, cresce em diversidade e importância ecológica. Outra revisão fala em raridade seguida de radiação explosiva durante o Episódio Pluvial Carniano. O tamanho do intervalo de silêncio varia conforme o autor e a data de origem adotada.

Como sabemos: ossos, pegadas e rochas datadas

Ossos mostram o animal, mas são raros no registro triássico, sobretudo entre o Ladiniano e o Carniano. Pegadas são mais abundantes e, em sucessões bem datadas como as dos Dolomitas, servem de relógio: a composição dos rastros muda no Carniano, com crurotarsos dominando antes e dinossauros aparecendo depois. A limitação é que um rastro identifica o grupo do autor, não a espécie, e que cada região conta uma história local.

Por que deram certo: hipóteses, não respostas

A explicação mais citada é ecológica: com o clima e a flora em transformação e a extinção de herbívoros como dicinodontes e rincossauros, os dinossauros ocuparam nichos livres. Os autores falam em substituição oportunista, um modelo sem competição direta. É uma interpretação apoiada na coincidência no tempo; coincidir não demonstra causa, e outros fatores podem ter contribuído.

O Brasil e a Argentina no começo da história

Os primeiros passos dos sauropodomorfos são conhecidos sobretudo pelas formações Santa Maria (cerca de 233 milhões de anos, Brasil) e Ischigualasto (cerca de 231 milhões de anos, Argentina). Em 2025, um novo silesaurídeo brasileiro, Itaguyra occulta, preencheu uma lacuna no início do Carniano. Se os silesaurídeos forem ornitísquios basais, o grupo é mais antigo; se Nyasasaurus for dinossauro, a origem poderia recuar ao Permiano. Ambas as questões seguem abertas.

Como sabemos

A sequência geral (origem discreta, diversificação no Carniano) é bem apoiada; a data de origem e as causas do sucesso seguem em debate.

Em debate: Quando os dinossauros surgiram: de cerca de 245 milhões de anos (síntese de Bernardi e colegas) a hipóteses mais antigas, que dependem da classificação de silesaurídeos e de Nyasasaurus.

Em debate: Por que o grupo prosperou: substituição oportunista de herbívoros extintos, ligada ao clima do Episódio Pluvial Carniano, é uma interpretação, não um fato demonstrado.

Fontes

  1. Nature Communications — Dinosaur diversification linked with the Carnian Pluvial Episode
    Bernardi, M.; Gianolla, P.; Petti, F. M.; Mietto, P.; Benton, M. J. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-018-03996-1
  2. Science Advances — Extinction and dawn of the modern world in the Carnian (Late Triassic)
    Dal Corso, J. et al. · 2020 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aba0099
  3. PLoS ONE — Skull remains of the dinosaur Saturnalia tupiniquim (Late Triassic, Brazil): With comments on the early evolution of sauropodomorph feeding behaviour
    Bronzati, M.; Müller, R. T.; Langer, M. C. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0221387
  4. PLoS ONE — A basal sauropodomorph (Dinosauria: Saurischia) from the Ischigualasto Formation (Triassic, Carnian) and the early evolution of Sauropodomorpha
    Martinez, R. N.; Alcober, O. A. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0004397
  5. Scientific Reports — Continuous presence of dinosauromorphs in South America throughout the Middle to the Late Triassic
    Paes Neto, V. D. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-025-99362-5
  6. Biology Letters — Probabilistic divergence time estimation without branch lengths: dating the origins of dinosaurs, avian flight and crown birds
    Lloyd, G. T.; Bapst, D. W.; Friedman, M.; Davis, K. E. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2016.0609
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 7; conferência de trechos automatizada)

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