Astronomia

De onde veio a Lua: o impacto gigante é a hipótese dominante, mas a semelhança com a Terra ainda intriga

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

A hipótese dominante é que a Lua se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, de detritos de uma colisão entre a jovem Terra e um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia. Sustentam-na as rochas Apollo, o antigo oceano de magma lunar e o núcleo pequeno da Lua. O difícil é explicar por que Terra e Lua são tão parecidas em isótopos, se vieram de corpos diferentes.

Isótopos são versões do mesmo elemento com massas diferentes; cada região do Sistema Solar nasceu com proporções distintas, que funcionam como uma impressão digital. Nos modelos clássicos do impacto, a maior parte da Lua viria de Theia, e a Lua deveria ter impressão diferente da Terra. As medidas mostram quase igualdade. Por isso a pergunta deixou de ser apenas "houve um impacto?" e passou a ser "que tipo de impacto, e o que aconteceu depois, deixaria Terra e Lua tão iguais?".

De onde vem o nome Theia

Segundo a NASA, o impactor leva o nome da titã grega Theia, mãe de Selene, deusa da Lua. É um nome dado ao corpo hipotético: nenhum fragmento seu foi identificado.

O que as rochas e a Lua de hoje indicam

As missões Apollo trouxeram 382 kg de amostras e, segundo a NASA, a evidência apontou para um grande impacto. O anortosito, rocha que cristaliza no magma e flutua, aparece por toda a superfície: indica um oceano de magma lunar profundo, compatível com um evento de muita energia. As rochas têm pouco dos elementos que se vaporizam com o calor. E o núcleo da Lua é cerca de 1,6% a 1,8% da massa lunar, contra cerca de 30% na Terra.

Como sabemos: a conta dos isótopos

O teste decisivo compara a composição isotópica de rochas lunares e terrestres, medida em laboratório. Greenwood e colegas analisaram oxigênio em amostras de todos os seis pousos Apollo e em basaltos da Terra, e acharam uma diferença de 3 a 4 partes por milhão, pequena, mas resolvível. Nielsen e colegas mediram vanádio e acharam a Lua levemente deslocada em relação ao manto terrestre. Cada medida tem incerteza e depende de hipóteses sobre a composição de Theia, que nunca foi observada.

O problema: Terra e Lua quase idênticas

Nas simulações clássicas, cerca de 70% da Lua viria do impactor. Se Theia tivesse composição própria, a Lua deveria diferir da Terra, e para vários elementos não se achou diferença, ou ela é mínima. Os próprios autores de um modelo de 2018 escrevem que o impacto gigante segue como principal teoria, mas que os modelos atuais têm dificuldade em explicar a composição e a semelhança isotópica da Lua com a Terra.

Respostas em disputa, e o que se discute sobre Theia

Canup (2012) simulou impactores maiores, que dão um disco com a composição do manto da Terra, mas exigem perda posterior de momento angular por uma ressonância com o Sol. Lock e colegas (2018) propõem uma sinestia, estrutura vaporizada da qual a Lua se condensaria. Há ainda a ideia de mistura pós-impacto ou de origem comum para impactor e Terra. Nielsen e colegas leem o vanádio como apoio ao impacto canônico, com cerca de 80% da Lua vinda de Theia. Não há consenso entre elas.

Como sabemos

A existência de um grande impacto é consenso; as condições, o papel de Theia e a explicação da semelhança isotópica seguem em debate.

Em debate: Há propostas de impactor maior com Terra em rotação rápida (Canup 2012; Ćuk e Stewart 2012), de uma sinestia (Lock et al. 2018), de mistura após o impacto e de origem comum dos materiais; Nielsen et al. (2021) leem o vanádio como apoio ao impacto canônico.

Fontes

  1. Nature — Origin of the Moon in a giant impact near the end of the Earth's formation
    Canup, R. M.; Asphaug, E. · 2001 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/35089010
  2. NASA — Moon Formation
    NASA Science · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Nature Communications — Isotopic evidence for the formation of the Moon in a canonical giant impact
    Nielsen, S. G.; Bekaert, D. V.; Auro, M. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-021-22155-7
  4. Science Advances — Oxygen isotopic evidence for accretion of Earth's water before a high-energy Moon-forming giant impact
    Greenwood, R. C. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aao5928
  5. Science — Forming a Moon with an Earth-like composition via a giant impact
    Canup, R. M. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1226073
  6. Journal of Geophysical Research: Planets (preprint arXiv) — The origin of the Moon within a terrestrial synestia
    Lock, S. J. et al. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)

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