Ecologia

Orange roughy: com 93 anos ou mais e maturidade tardia, o peixe tem pouca margem para a pesca

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Mar profundo

O orange roughy (Hoplostethus atlanticus) é pescado sobretudo abaixo de 800 m. A datação por chumbo-210 e rádio-226 em otólitos, as "pedrinhas" do ouvido interno, mostrou peixes de pelo menos 93 anos, e a FAO diz que a espécie amadurece aos 20 anos ou mais. Com esse ritmo e a agregação em montes submarinos, a pesca pode esgotar concentrações inteiras. Em 2011, o maior estoque da Nova Zelândia estava colapsado, enquanto outro havia sido reaberto após se recuperar.

Otólitos são pequenas estruturas de carbonato de cálcio no ouvido interno dos peixes ósseos; crescem em camadas, e contar as zonas de crescimento num corte fino dá uma idade estimada. O problema é saber se a contagem está certa, e por isso se usa um método independente: o par radioativo chumbo-210 e rádio-226 serve de relógio. Maturidade é a idade em que o peixe passa a se reproduzir; mortalidade natural é a taxa anual de morte sem pesca. Estoque é a parte da população tratada como unidade de manejo. Quando a maturidade vem aos 20 anos ou mais e a mortalidade natural é baixa, a população depende de poucos grupos de idade e responde devagar à pesca. Sobre o vertebrado de vida mais longa, veja o tubarão-da-groenlândia; sobre os montes submarinos, o post próprio.

Quando o índice de pesca engana

Na hiperdepleção, a captura por unidade de esforço cai mais rápido do que a abundância real. O termo foi discutido numa oficina da FAO em 2003, a propósito de pescarias de orange roughy.

Como sabemos a idade de um peixe de 800 m

A idade vem de dois relógios. O primeiro é a contagem das zonas de crescimento no otólito, em corte fino. O segundo é radiométrico: o chumbo-210 e o rádio-226 têm propriedades de decaimento conhecidas, e as razões medidas em núcleos de otólitos agrupados por idade seguiram a curva esperada. Isso apoiou a contagem e mostrou peixes de pelo menos 93 anos. O resultado é um piso, não a idade máxima, e o próprio estudo registra que as estimativas anteriores variavam amplamente.

Por que a idade e a maturidade pesam tanto

Uma revisão de 2000 associa espécies como o orange roughy a mortalidade natural da ordem de 0,05 ou menos e a maturidade depois dos 20 anos. Um relatório da FAO observa que foi a validação da idade que revelou esse padrão de crescimento lento e baixa mortalidade, e estimou que taxas de exploração sustentáveis seriam da ordem de 5% da biomassa. É uma estimativa geral, não regra para cada estoque.

Cardumes densos e índices que enganam

O orange roughy é pescado em agregações perto de montes submarinos. A FAO descreve uma sequência de agregações aparentemente esgotadas, que podem ou não ser estoques distintos. A hiperdepleção, em que o índice de captura cai mais rápido que a abundância, é um dos problemas discutidos para essa pescaria, e o recrutamento é irregular, o que dificulta ligar reprodutores a recrutas anos depois.

Estoques diferentes, destinos diferentes

As capturas registradas na FAO caíram de 90 000 t no início dos anos 1990 para menos de 26 000 t em 2004. Na Nova Zelândia, o artigo de 2011 descreve o maior estoque colapsado e o do Planalto Challenger recuperado e reaberto em 2010. Não dá para estender o colapso a todos os estoques, e o quadro de 2011 pode ter mudado desde então.

Como sabemos

Mecanismo e vulnerabilidade têm fontes institucionais, mas a idade máxima é divergente e o estado dos estoques mais recente verificado é de 2011.

Em debate: A validação por chumbo-rádio (2009) sustenta pelo menos 93 anos, e a FAO e uma revisão citam mais de 100. Um artigo de 2024 fala em até 250 anos, sem que a origem desse valor tenha sido verificada aqui. Antes da validação, as estimativas variavam amplamente.

Fontes

  1. Canadian Journal of Fisheries and Aquatic Sciences — Lead–radium dating of orange roughy (Hoplostethus atlanticus): validation of a centenarian life span
    Andrews, A. H.; Tracey, D. M.; Dunn, M. R. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1139/f09-059
  2. ICES Journal of Marine Science — Continental slope and deep-sea fisheries: implications for a fragile ecosystem
    Koslow, J. A.; Boehlert, G. W.; Gordon, J. D. M.; Haedrich, R. L.; Lorance, P.; Parin, N. · 2000 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1006/jmsc.2000.0722
  3. Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — The state of world highly migratory, straddling and other high seas fishery resources and associated species
    FAO · 2005-2006 (dados até 2004) · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) — Report of the FAO Workshop on the Assessment and Management of Deepwater Fisheries (Apêndice III do relatório da conferência Deep Sea 2003)
    FAO · 2003 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. PLOS ONE — Hypotheses of spatial stock structure in orange roughy Hoplostethus atlanticus inferred from diet, feeding, condition, and reproductive activity
    Dunn, M. R.; Forman, J. S. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0026704
  6. Scientific Reports — Insights into aging mechanisms from comparative genomics in orange and silver roughies
    Carrero, D.; Pascual-Torner, M.; Álvarez-Puente, D.; Quesada, V.; García-Gómez, C.; López-Otín, C. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-024-70642-w
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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