Oceanografia

Por que o mar tem ondas: o vento as cria, pista e duração as fazem crescer e a ondulação cruza oceanos

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

O vento gera as ondas do mar: ao soprar sobre a água, transfere energia à superfície. Quanto mais forte o vento, quanto mais tempo ele sopra e quanto maior a área (a pista, ou fetch) em que sopra, maiores as ondas, e a energia migra para ondas mais longas. Quando o vento cessa, as ondas seguem como ondulação (swell) e podem cruzar oceanos. A onda leva energia; quem leva a água é a corrente.

Uma onda de superfície tem crista (ponto mais alto), cava (mais baixo), comprimento de onda (distância entre duas cristas) e período (tempo entre duas cristas passando por um ponto fixo). A altura é medida de cava a crista; como o mar tem ondas de tamanhos variados, usa-se a altura significativa, a média do terço mais alto. O vento cria as ondas: primeiro ondinhas de poucos centímetros, depois ondas maiores que crescem enquanto o vento continua e a pista é longa. Ondas feitas pelo vento local formam o mar de vento; as que saíram da área da tempestade e seguem livres são a ondulação. A onda não carrega a água para a praia: carrega energia, enquanto a corrente é o deslocamento da própria água.

Ondas que andam mais que o vento

Na teoria de Pierson e Moskowitz, as ondas do pico do espectro de um mar plenamente desenvolvido viajam mais rápido que o vento. Isso intrigou os autores do livro-texto; a explicação veio das interações não lineares entre as ondas.

Como o vento começa e faz crescer uma onda

Num mar liso, a turbulência do vento cria flutuações de pressão que formam ondas de poucos centímetros (Phillips, 1957). Em seguida, o vento passa a agir sobre essas ondas: a diferença de pressão ao longo do perfil faz a onda crescer, e quanto maior ela fica, mais rápido cresce (Miles, 1957). Por fim, as ondas interagem entre si e transferem energia para ondas mais longas. Tudo isso é teoria, descrita aqui conforme um livro-texto.

Pista, duração e o limite do mar desenvolvido

Três fatores controlam o tamanho: velocidade do vento, tempo soprando e a pista (fetch), a distância em que o vento sopra com velocidade constante. Pierson e Moskowitz idealizaram um mar plenamente desenvolvido: vento estável, por muito tempo, sobre grande área, e as ondas chegam ao equilíbrio com o vento. Os dados do JONSWAP, no Mar do Norte, mostraram que na prática o espectro nunca é plenamente desenvolvido e segue evoluindo.

Da tempestade à costa: por que a ondulação chega organizada

Em água profunda, ondas mais longas viajam mais rápido, e a energia do grupo avança à metade da velocidade das cristas. Por isso as ondas longas de uma tempestade distante chegam antes das curtas, e a ondulação que alcança a praia é mais regular que o mar de vento. Cálculo nosso, com c = gT/2π e g = 9,81 m/s²: para um período de 14 s, o grupo anda cerca de 10,9 m/s e leva uns 11 dias para percorrer 10.000 km.

Como sabemos: rastrear tempestades pelas ondas

Nos anos 1960, Walter Munk e colegas registraram por dias as ondas com três medidores de pressão perto da ilha San Clemente, na Califórnia. Calcularam o espectro diário e traçaram a energia por frequência ao longo do tempo: as faixas de energia que surgiam mostravam a chegada de ondas de uma tempestade, e a inclinação de cada faixa dava a distância até ela. Em 1959, a posição estimada coincidiu, na maioria dos casos, com a dos mapas do tempo. O método assume água profunda e ondas de pequena amplitude.

Onda não é correnteza

Corrente é o movimento da própria água, como num rio, e pode ser movida por marés, ventos e diferenças de densidade. A onda de superfície é a passagem de energia: a água sobe, desce e volta quase ao ponto de partida, e a onda segue adiante. Por isso um objeto boiando em mar com ondulação balança, mas não é levado até a praia só pela onda; deriva se houver corrente ou vento. Marés e tsunamis também são ondas, com causas diferentes do vento.

Como sabemos

Conceitos consolidados de oceanografia física, com trechos literais de fontes de agência (NOAA) e livro-texto universitário; os resultados originais (Munk, JONSWAP) vêm de segunda mão.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — Why does the ocean have waves?
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Texas A&M University, Department of Oceanography — Introduction to Physical Oceanography, cap. 16: Ocean Waves, seção 16.4 (Ocean-Wave Spectra)
    Stewart, R. H. · 2006 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. Texas A&M University, Department of Oceanography — Introduction to Physical Oceanography, cap. 16: Ocean Waves, introdução e seção 16.1 (Linear Theory of Ocean Surface Waves)
    Stewart, R. H. · 2006 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. NOAA/NCEP, Marine Modeling and Analysis Branch (MMAB contribution 270) — Practical wind wave modeling
    Tolman, H. L. · 2008 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. NOAA National Ocean Service — Currents Tutorial
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Divulgação científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)

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