Fenômenos naturais
Onda de 25,6 m medida em 1995 mostrou que ondas gigantes isoladas existem
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em 1º de janeiro de 1995, sensores da plataforma Draupner, no Mar do Norte, registraram uma onda de 25,6 m de altura em um mar cuja altura significativa era de 12 m. Era mais que o dobro das ondas ao redor, o critério usado para chamar uma onda de extrema. Foi uma das primeiras medições confirmadas de uma onda dessas, antes tratada por muitos como lenda de marinheiro.
Por muito tempo, relatos de paredes de água no mar aberto foram vistos com ceticismo, e os modelos estatísticos em uso previam que ondas tão desproporcionais seriam raríssimas. A medição de Draupner mudou isso porque veio de instrumento, em série contínua de dados. Depois, o projeto europeu MaxWave analisou cerca de 30 mil imagens de radar de satélites ERS, ao longo de três semanas, e encontrou mais de dez ondas acima de 25 m. A Draupner ainda é lembrada por outro motivo: só foi reproduzida em laboratório em 2019, e apenas com dois conjuntos de ondas se cruzando em ângulo grande. A previsão de quando e onde uma onda dessas aparece segue, porém, sem solução: a NOAA a descreve como imprevisível.
Duas fontes de ondas, um pico
No tanque circular da Universidade de Oxford e parceiras, a crista e a altura escaladas da Draupner só foram reproduzidas quando dois mares cruzavam em ângulo grande. Ondas alinhadas não bastaram.
O que conta como onda extrema
A altura significativa é a média do terço mais alto das ondas de um período. Uma onda extrema é aquela que passa de cerca de duas vezes o tamanho das vizinhas. Em Draupner, 25,6 m contra 12 m de altura significativa dá uma razão de aproximadamente 2,1, o que a coloca nessa categoria.
O que os satélites acrescentaram
Depois de dois navios de cruzeiro serem atingidos no Atlântico Sul em 2001, o projeto MaxWave examinou cerca de 30 mil imagens de radar do ERS ao longo de três semanas. Encontrou mais de dez ondas acima de 25 m, o que mostrou que o fenômeno não se limitava a um ponto do Mar do Norte.
Como se formam, segundo a NOAA
A NOAA cita dois mecanismos. Em um, ondulações que viajam em velocidades e direções diferentes se somam quando as cristas coincidem. No outro, ondas que enfrentam correntes contrárias, como a Corrente do Golfo e a das Agulhas, concentram energia e se fundem em formações maiores.
O que o laboratório mostrou
Em 2019, pesquisadores de Oxford, Edimburgo e da Universidade da Austrália Ocidental só reproduziram a crista e a altura escaladas da Draupner com dois sistemas de ondas cruzando em ângulo grande. O experimento indica uma condição possível, não a prova da causa em 1995. Prever quando uma onda dessas surgirá continua sem solução.
Como sabemos
Valores centrais confirmados em resumo de artigo revisado por pares, na ESA e na NOAA.
- Fato estabelecido: A onda de Draupner tinha 25,6 m de altura e foi observada em um mar com altura significativa de 12 m. [1]
- Fato estabelecido: A onda de Draupner foi uma das primeiras medições de campo confirmadas de uma onda extrema. [1]
- Fato estabelecido: Uma onda extrema é definida como aquela com mais que o dobro do tamanho das ondas ao redor, chamada pela ciência de extreme storm wave. [2]
- Fato estabelecido: A razão entre 25,6 m e 12 m é de cerca de 2,1, portanto acima do critério de duas vezes. [1] [2]
Cálculo simples a partir dos dois valores citados. - Fato estabelecido: O projeto MaxWave analisou cerca de 30 mil imagens de satélites ERS ao longo de três semanas. [3]
- Fato estabelecido: O MaxWave identificou mais de dez ondas individuais acima de 25 m. [3]
- Fato estabelecido: Em 2001, os navios Bremen e Caledonian Star tiveram janelas da ponte danificadas por ondas de cerca de 30 m no Atlântico Sul. [3]
- Fato estabelecido: As estatísticas anteriores indicavam que desvios tão grandes deveriam ocorrer só uma vez a cada 10 mil anos. [3]
Afirmação atribuída pela ESA às estatísticas em uso até então. - Evidência forte: Em 2019, experimentos de laboratório só reproduziram a crista e a altura escaladas da Draupner com dois sistemas de ondas cruzando em ângulo grande. [1]
Experimento em escala, que mostra uma condição capaz de gerar a onda, sem provar que foi essa a causa em 1995. - Consenso científico: A NOAA aponta duas causas principais de ondas extremas: interferência construtiva de ondulações e focalização de energia em correntes opostas, como a Corrente do Golfo e a das Agulhas. [2]
- Consenso científico: Ondas extremas são imprevisíveis e as medições seguem extremamente raras, segundo a NOAA. [2]
- Fato estabelecido: A medição foi feita por sensores da plataforma Draupner, no Mar do Norte, em 1º de janeiro de 1995. [1] [3]
Fontes
- University of Manchester / Journal of Fluid Mechanics — Laboratory recreation of the Draupner wave and the role of breaking in crossing seas (resumo)
consultada em 06/10/2026 - NOAA National Ocean Service — What is a rogue wave?
consultada em 06/10/2026 - Agência Espacial Europeia (ESA) — Ship-sinking monster waves revealed by ESA satellites
consultada em 06/10/2026
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