Zoologia

A onça-pintada pode matar com uma mordida que perfura o crânio da presa, coisa rara entre os grandes felinos

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A onça-pintada pode matar mordendo o pescoço até a presa sufocar. Mas tem também um golpe que os outros grandes felinos não usam com regularidade: crava os caninos no crânio, pela parte de trás, e atinge o cérebro. É assim que o Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN a descreve. A mesma mandíbula atravessa o couro de jacarés e o casco de tartarugas.

Um estudo de 2005 calculou a força de mordida de 39 mamíferos predadores, vivos e extintos, a partir da anatomia do crânio e corrigiu o resultado pelo peso do corpo. Nessa medida relativa, a onça-pintada ficou com 137 pontos, à frente do tigre (127), do leão (112) e do leopardo (94); entre os felinos vivos, só o leopardo-nebuloso empatou. Em números absolutos, o tigre e o leão mordem mais forte, mas os animais do estudo pesavam de duas a três vezes e meia mais. A onça é o maior felino das Américas: pesa de 36 a 148 kg, e os machos do Pantanal estão entre os maiores, com média perto de 100 kg. A espécie vai do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina, mas hoje ocupa só cerca de metade da área que ocupava.

Onças que vivem de jacaré

No Pantanal sul, um quarto das presas abatidas por onças monitoradas com colar GPS eram jacarés. No norte do Pantanal, na região da Estação Ecológica de Taiamã, a dependência é bem maior: jacarés, peixes e outras presas aquáticas formam mais de 80% da dieta, e a densidade de onças está entre as mais altas já medidas.

Duas maneiras de matar

A onça usa dois métodos. Às vezes morde o pescoço e segura até a presa sufocar. Outras vezes mata na hora, cravando os caninos na parte de trás do crânio. É esse segundo golpe que a distingue: o Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN diz que ela é o único grande felino que mata assim com regularidade. A mesma força permite atravessar o couro grosso de répteis e o casco de tartarugas.

Como se mede a mordida

O número mais citado vem de Wroe, McHenry e Thomason, na Proceedings of the Royal Society B, em 2005. Eles estimaram a força nos caninos a partir da geometria de crânios preparados e a ajustaram ao peso do corpo, com média 100. A onça chegou a 137; o tigre, a 127; o leão, a 112; o leopardo, a 94. Em força bruta, a onça de 83 kg do estudo morde com cerca de 1.000 N, contra 1.525 N do tigre de 187 kg. São estimativas teóricas, não medições em animais vivos.

Jacarés, tartarugas e mais de 85 presas

Já foram registradas mais de 85 espécies de presas da onça, entre elas capivaras, queixadas, peixes, iguanas, jacarés, tartarugas e cobras. Ela atravessa rios largos e caça dentro d'água. No Pantanal sul, um estudo com colares GPS mostrou que um quarto das presas abatidas eram jacarés. No norte do Pantanal, em Taiamã, presas aquáticas formam de 81% a 83% da dieta, e a densidade chega a 6,6 a 12,3 onças por 100 km².

Onde vive e o que a ameaça

A onça ocupa hoje cerca de 51% da área histórica, do sul do Arizona ao norte da Argentina. A Amazônia concentra cerca de 89% dos animais, 57 mil a 64 mil, e é a única subpopulação fora de perigo; as outras são consideradas em perigo ou criticamente em perigo. A IUCN classifica a espécie como quase ameaçada, e o Brasil, como vulnerável. As ameaças são a perda de habitat, a falta de presas e a caça, muitas vezes em retaliação por ataques ao gado.

Como sabemos

A mordida no crânio vem do Grupo de Especialistas em Felinos da IUCN e do ADW; os números de força de mordida, de um artigo revisado da Royal Society lido na íntegra; dieta e status, de estudos revisados e do ICMBio.

Em debate: A força de mordida da onça citada em toda parte vem de estimativas teóricas feitas a partir de crânios (Wroe et al., 2005), não de medições em animais vivos; o valor depende do espécime e do modelo usado, e o 'recorde' relativo é empatado com o leopardo-nebuloso.

Fontes

  1. IUCN/SSC Cat Specialist Group — Living Species – Jaguar
    consultada em 05/10/2026
  2. Animal Diversity Web, University of Michigan Museum of Zoology — Panthera onca (jaguar)
    consultada em 05/10/2026
  3. Proceedings of the Royal Society B, 272: 619–625 (2005) — Bite club: comparative bite force in big biting mammals and the prediction of predatory behaviour in fossil taxa
    consultada em 05/10/2026
  4. PLoS ONE (2016) — Can Scat Analysis Describe the Feeding Habits of Big Cats? A Case Study with Jaguars (Panthera onca) in Southern Pantanal, Brazil
    consultada em 05/10/2026
  5. Global Change Biology (2025) — Wildfires and Drought Reshape Terrestrial Mammal Communities While Aquatic Prey Sustain Jaguars in Brazil's Northern Pantanal
    consultada em 05/10/2026
  6. Biodiversidade Brasileira (ICMBio), v. 3, n. 1 (2013) — Avaliação do risco de extinção da onça-pintada Panthera onca (Linnaeus, 1758) no Brasil
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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