História do Brasil

Olinda, símbolo do açúcar colonial, foi refeita depois do incêndio holandês e é patrimônio mundial desde 1982

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Olinda, no litoral de Pernambuco, foi fundada em 1535, segundo a UNESCO, e se tornou um dos grandes centros da cana-de-açúcar, que por quase dois séculos sustentou a economia do Brasil. Foi saqueada e incendiada pelos holandeses e reconstruída pelos portugueses, e o tecido histórico atual é em grande parte do século XVIII. O Iphan protegeu o conjunto em 1968, e a UNESCO o inscreveu em 1982, o segundo sítio brasileiro da lista, depois de Ouro Preto.

A cidade fica em colinas diante do Atlântico, perto do istmo onde está o porto do Recife, e foi sede da capitania de Pernambuco. O centro reúne cerca de vinte igrejas barrocas, a Catedral do Alto da Sé, a igreja de Nossa Senhora da Graça e conventos de franciscanos, carmelitas e beneditinos, entre casas simples, muitas pintadas em cores vivas ou cobertas de azulejos, num traçado informal de ruas e becos entre jardins. A data de fundação tem duas versões: 1535, a que a UNESCO e o Iphan adotam, e 1537, ano da carta concedida a Duarte Coelho, segundo o Arquivo Nacional. Depois da ocupação holandesa, de 1630 a 1654, a reconstrução começou em 1664, e a disputa com o Recife por poder levou à Guerra dos Mascates, em 1710 e 1711.

O primeiro plano diretor de Olinda

O documento mais antigo sobre Olinda, a Carta Foral, traz o primeiro plano diretor da vila. Segundo a UNESCO, o desenho original também é atestado por mapas holandeses e por gravuras de Frans Post, do século XVII.

A vila do açúcar

Olinda foi fundada em colinas sobre o Atlântico, perto do istmo do Recife, onde fica o porto. As primeiras atividades da região foram a extração de pau-brasil e, depois, o plantio da cana e a produção de açúcar nos engenhos. A UNESCO conta que, a partir dos últimos anos do século XVI, a cidade foi um dos mais importantes centros dessa indústria, que por quase dois séculos sustentou a economia do Brasil. Olinda era a sede da capitania de Pernambuco e símbolo da riqueza do açúcar.

O incêndio holandês e a reconstrução

Na ocupação holandesa, de 1630 a 1654, a cidade foi saqueada e incendiada e ficou quase em ruínas. A reconstrução, pelos portugueses, começou em 1664 e se estendeu pelos séculos XVII e XVIII. Por isso o tecido histórico que se vê hoje é, segundo a UNESCO, em boa parte do século XVIII, embora inclua monumentos mais antigos, como a igreja de São João Batista dos Militares, do século XVI.

A disputa com o Recife

Em 1710 e 1711, quando o Recife foi elevado à categoria de vila, estourou a Guerra dos Mascates. O conflito marcou a passagem do poder da elite rural de Olinda para os comerciantes do Recife, os mascates, que buscavam autonomia comercial. Com o tempo, a prosperidade do Recife superou a de Olinda, que perdeu peso econômico. Em 1800, a criação de um seminário devolveu parte da importância da cidade, que depois virou local de lazer para os recifenses.

Proteção e reconhecimento

O Iphan tombou o conjunto de Olinda em 1968. O centro histórico tem cerca de 1.500 imóveis de estilos que vão do colonial do século XVI às fachadas de azulejos dos séculos XVIII e XIX e a obras neoclássicas e ecléticas do início do século XX. A UNESCO o inscreveu em 1982, pelos critérios de excepcional arquitetura e decoração e de testemunho da economia do açúcar. Foi o segundo sítio brasileiro da lista, depois de Ouro Preto, e o Iphan destaca o traçado de povoado medieval português.

Como sabemos

Inscrição, tombamento e descrição vêm de UNESCO e Iphan; a história da ocupação holandesa e da rivalidade com o Recife, do Arquivo Nacional; apenas a data de fundação tem duas versões, indicadas no texto.

Em debate: A data de fundação varia: 1535, adotada por UNESCO e Iphan, ou 1537, ano da carta concedida a Duarte Coelho, segundo o Arquivo Nacional.

Fontes

  1. UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial — Historic Centre of the Town of Olinda
    consultada em 04/10/2026
  2. Arquivo Nacional, História Luso-Brasileira — Olinda
    consultada em 04/10/2026
  3. Iphan, Superintendência de Pernambuco — Patrimônio Mundial (Pernambuco)
    consultada em 04/10/2026
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