Zoologia
O olho parietal de lagartos e da tuatara detecta luz, mas não forma imagem
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
O olho parietal, o “terceiro olho” de muitos lagartos e da tuatara, é um órgão do complexo pineal com lente e retina simplificada, sob uma abertura no alto do crânio. Ele detecta luz, mas não forma imagens. Os indícios o ligam ao controle da exposição ao sol, à orientação e, talvez, aos ritmos diários, mas parte dessas funções ainda é hipótese.
Opsinas são proteínas que absorvem luz nas células fotorreceptoras. Os olhos laterais usam opsinas visuais; o olho parietal usa outras, chamadas não visuais (pinopsina, parapinopsina, parietopsina), que absorvem em faixas distintas de cor. O órgão deriva do complexo pineal, grupo de estruturas do teto do cérebro, e fica sob uma escama no alto da cabeça, num orifício do crânio chamado forame parietal. Tem lente e retina simples, mas nada indica que forme imagem: é um medidor de luz. Existe na tuatara (Sphenodon punctatus) e em muitos lagartos, mas não em geckos, teiídeos e cobras.
Um gene que quase só os lagartos guardam
Em 2025, genomas de lepidossauros revelaram uma opsina nova, a lepidopsina, presente só na tuatara e em lagartos. Restos dela aparecem em peixes: o gene é antigo e foi perdido várias vezes.
O que o órgão tem e o que lhe falta
O olho parietal tem lente, uma retina simplificada com fotorreceptores e um nervo parietal que o liga ao cérebro, sob uma abertura do crânio [a1][a2][a3]. Falta-lhe o que formaria uma imagem: ele não separa formas, só mede quanta luz chega e de que cor. Uma célula fotorreceptora pode responder de modo oposto a duas cores, o que dá ao órgão um sinal de cor sem exigir vários tipos de célula [a6].
Como sabemos o que ele faz
Três métodos se complementam. Registros elétricos mostram que o órgão responde à luz [a7]. Experimentos que cobrem ou removem o órgão mostram mudança no tempo ao sol, na temperatura corporal e na atividade diária [a8]. E a comparação de 63 genomas mostra que lagartos sem o órgão perderam suas opsinas [a12]. Limite: o último é correlação, e as descrições dos experimentos aqui vêm de uma revisão, não dos trabalhos originais.
Funções: o que é indício e o que é hipótese
A relação com o sol e a temperatura é a mais sustentada [a8]. A orientação espacial tem indício, e o uso da luz polarizada como bússola é apontado como provável, não demonstrado [a9]. Um papel no metabolismo, na reprodução e na melatonina é possibilidade levantada pelos próprios autores [a10]. Por isso o título fala em detectar luz: é o que está firme; o resto ainda se investiga.
Quem tem, quem perdeu
A tuatara, de linhagem que se separou dos lagartos há mais de 250 milhões de anos, tem o órgão bem desenvolvido [a13]. Nem todos os lagartos o têm: geckos e teiídeos, por exemplo, não [a11]. A perda coincide com a de genes de opsinas [a12], e uma opsina nova, a lepidopsina, só sobrevive nesses grupos [a14]. A explicação sugerida, vida noturna ou subterrânea, é hipótese compatível, não teste direto [a15].
Como sabemos
Estrutura, opsinas e correlação genômica têm fonte integral; as funções (termorregulação, orientação, ritmos) vêm de revisão de segunda mão e parte é hipótese.
- Consenso científico: Muitos lagartos e a tuatara têm um olho parietal, o chamado terceiro olho: estrutura derivada do complexo pineal, com uma retina simplificada de células fotorreceptoras. [1] Resumo
Contexto: Lepidossauros (lagartos, cobras e tuatara); nem todos os lagartos têm o órgão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: O olho parietal tem lente e retina simplificada, parecida com a de um olho lateral, mas não forma imagens. [1] Introdução
Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Ele fica numa abertura do crânio, o forame parietal, que o expõe à luz e permite a ligação com o cérebro pelo nervo parietal; o forame em fósseis serve de indício do órgão. [1] Introdução
Limitações: A inferência pelo forame em fósseis é indireta; há exceção citada no artigo (Anniella stebbinsi tem olho sob o crânio sem forame). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: O olho parietal expressa opsinas não visuais (pinopsina, parapinopsina e parietopsina), diferentes do repertório de opsinas visuais dos olhos laterais. [1] Resumo
Contexto: Opsinas são as proteínas que absorvem luz nas células fotorreceptoras. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Cada uma dessas opsinas absorve luz em faixa diferente: a pinopsina no azul (cerca de 470 nm), a parapinopsina no ultravioleta (cerca de 370 nm) e a parietopsina no verde (cerca de 522 nm). [1] Introdução
Contexto: Valores medidos em estudos anteriores, com proteínas de espécies diferentes; o artigo os cita, não os mede. · Limitações: Segundo Romero e de Souza (2025), que resumem trabalhos anteriores. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Num lagarto estudado, uma única célula fotorreceptora do olho parietal gera respostas diferentes conforme a cor da luz, sem depender de outras células. [2] Seção sobre eletrofisiologia
Contexto: Estudo clássico em lagarto-de-mancha-lateral (Uta stansburiana), citado pela revisão. · Limitações: Resultado de uma espécie; a generalização a todos os lagartos não está demonstrada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Registros elétricos mostraram atividade nervosa dependente de luz no olho parietal de lagartos. [2] Seção sobre eletrofisiologia
Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Bloquear a função do olho parietal altera o tempo de exposição ao sol, a temperatura corporal e os padrões de atividade diária de lagartos. [1] Introdução
Contexto: Experimentos em que o olho é removido ou coberto, em várias espécies de lagartos termorreguladores. · Limitações: Segundo Romero e de Souza (2025), que resumem esses experimentos; os trabalhos originais não foram lidos aqui. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: Há indício de que o olho parietal é necessário para lagartos se orientarem no espaço, provavelmente usando a luz polarizada do sol como bússola. [1] Introdução
Limitações: Segundo Romero e de Souza (2025). · A orientação é indício; o uso da luz polarizada é apresentado como provável, não demonstrado em todas as espécies. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: O olho parietal pode participar do controle do metabolismo e da reprodução, possivelmente regulando a produção de melatonina pela glândula pineal. [1] Introdução
O próprio artigo usa 'pode' e 'possivelmente': função ainda não estabelecida. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: O olho parietal não existe em todos os lagartos: em um levantamento de 1976, 12 de 18 famílias o tinham, e todos os membros de grupos como os geckos, os teiídeos e os dibamídeos não o têm. [1] Introdução
Limitações: Contagem de famílias de 1976, sujeita à taxonomia da época; cobras também não têm o órgão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Na análise de 63 genomas de lepidossauros, lagartos sem olho parietal (como geckos e teiídeos) perderam a maior parte ou todas as opsinas pineais não visuais, enquanto a tuatara e muitos lagartos com o órgão têm todas. [1] Resultados
Limitações: É correlação entre presença do órgão e dos genes; não prova a função. Exceção: camaleões perderam uma das opsinas e mantêm as outras. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A tuatara, único representante vivo dos rincocéfalos, tem olho parietal bem desenvolvido, com retina e lente, dentro de um forame grande; sua linhagem e a dos lagartos divergiram há mais de 250 milhões de anos. [1] Introdução
Limitações: Segundo Romero e de Souza (2025). · A data da divergência é estimativa molecular citada no artigo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Duas varreduras de genomas publicadas em 2025 relataram, cada uma, uma opsina nova presente só em alguns lagartos e na tuatara: a lepidopsina e a opsina Q113-bistável. [1] Resumo [3] Resumo
Limitações: Que lepidopsina e QB sejam o mesmo gene não foi verificado aqui. Fragmentos do gene aparecem em peixes e outros grupos; a expressão da lepidopsina no olho parietal ainda não foi demonstrada (os autores a consideram provável). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: A perda do olho parietal e dos genes associados concorda com a ideia de que a vida noturna e a vida subterrânea favorecem a redução de órgãos sensíveis à luz. [1] Discussão
Os autores dizem que o padrão 'concorda' com a ideia; não é teste direto. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Genome Biology and Evolution — Evolution of Pineal Nonvisual Opsins in Lizards and the Tuatara and Identification of Lepidopsin: A New Opsin Gene
Romero, R. D.; de Souza, F. S. J. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/gbe/evaf058 - Eye and Vision — From pineal photoreception to optogenetics: functional colour opponency based on a pineal bistable opsin
Wada, S.; Kawano-Yamashita, E.; Koyanagi, M.; Terakita, A. · 2026 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1186/s40662-026-00485-1 - Genome Biology and Evolution — An Extensive Survey of Vertebrate-specific, Nonvisual Opsins Identifies a Novel Subfamily, Q113-Bistable Opsin
Gyoja, F.; Sato, K.; Yamashita, T.; Kusakabe, T. G. · 2025 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/gbe/evaf032
Histórico de alterações
- Versão 2 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)