Ciências da Terra

O que move as placas: o puxão da lâmina que afunda é a maior força hoje, e o papel do manto segue em debate

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Tectônica de placas

Hoje, a força que mais pesa é o puxão da placa oceânica que afunda no manto (slab pull): placas presas a grandes lâminas em subducção, como a do Pacífico, andam mais rápido que as vizinhas, e balanços de torque atribuem a ele cerca de 90% da direção e da magnitude do movimento atual. O empurrão da dorsal (ridge push) é menor. A convecção do manto não é rival à parte: placas e manto formam um sistema só, e o arrasto do manto ainda pesa em algumas placas e épocas.

Três grupos de forças são discutidos. O slab pull é o peso extra de uma lâmina oceânica fria e densa que afunda na subducção. O ridge push, nome enganoso, vem do espessamento da litosfera oceânica conforme ela esfria e envelhece afastando-se da dorsal, e age como um deslizamento gravitacional. A convecção do manto, o lento fluxo da rocha do manto, pode arrastar a base das placas ou sugá-las rumo às fossas. Como cada placa está em equilíbrio, os cálculos partem de que os torques sobre ela somam zero: as forças que a movem são compensadas pelas que a freiam. Forsyth e Uyeda (1975) abriram esse caminho; trabalhos recentes refinam as estimativas.

Um empurrão que não empurra

O “empurrão da dorsal” não é o magma abrindo caminho. Clennett et al. (2023) lembram que o nome é enganoso: a força vem de gradientes de energia potencial gravitacional, ligados ao espessamento da litosfera oceânica, e pode ser vista como um deslizamento gravitacional.

Como se estima cada força

Ninguém mede o puxão de uma lâmina que afunda: calcula-se. Clennett et al. (2023) estimam o slab pull com o contraste de densidade entre lâmina e manto, a gravidade, o comprimento e a espessura da lâmina; o ridge push, com diferenças de energia potencial gravitacional entre litosferas de idades distintas; e a resistência do manto à base da placa. Depois somam os torques de cada placa e examinam o resíduo, o torque que falta para dar zero. No presente ele é três ordens de grandeza menor que os torques motores; entre 90 e 50 milhões de anos atrás, pode ter a mesma ordem.

Dez vezes ou pouco mais de três?

A frase “o slab pull é uma ordem de grandeza mais forte” aparece em Clennett et al. e em Rowley et al., que a descrevem como visão predominante há quatro décadas. Li et al. (2024), porém, usam valores típicos de cerca de 10^13 N/m para o slab pull e 3 × 10^12 N/m para o ridge push, razão de pouco mais de 3 (cálculo nosso: 10^13 ÷ 3 × 10^12 ≈ 3,3). Uma fonte dessa folga é quanto do peso da lâmina se desconta por resistências: Clennett et al. variaram essa constante entre 0,05 e 1. O acordo é sobre qual força é maior, não sobre o fator.

Quando não há lâmina por perto

Placas sem grande lâmina presa também se movem. Zaccagnino et al. (2025) notam que Eurásia e África têm movimento significativo sem estar ligadas a lâminas em subducção. A Índia mostra a disputa: Li et al. (2024) dizem que o slab pull é desprezível sob a zona de colisão e o ridge push, pequeno demais, e propõem uma célula de convecção que cobre o manto inteiro sob ela. Clennett et al. lembram que o movimento indiano já foi atribuído a slab pull em Sunda, a forças gravitacionais, ao arrasto do manto e a uma possível pluma. Que haja tantas candidatas mostra que a questão segue aberta.

Convecção: um sistema, não um rival

Coltice et al. (2019) propõem trocar “o manto move as placas ou as placas movem o manto?” por uma pergunta sobre como o equilíbrio muda ao longo do ciclo dos supercontinentes. Em seus modelos 3D, as lâminas ligadas à superfície geram as maiores velocidades, mas de 20% a 40% da superfície é arrastada pelo interior, e as plumas enfraquecem a astenosfera em vez de empurrar. Rowley et al. (2016) defendem, também em modelo, que um fluxo ascendente profundo contribui ao movimento do Pacífico, o que exige fluxo de calor do núcleo de até 20 TW. São hipóteses de modelo, não consenso.

Como sabemos

O slab pull dominante hoje tem sustentação em quatro artigos abertos lidos; as estimativas originais de Forsyth e Uyeda e o fator exato entre as forças vêm de segunda mão.

Em debate: O slab pull é aceito como força dominante hoje, mas o peso do arrasto do manto, do fluxo ascendente profundo e das plumas varia entre estudos: modelos de Coltice et al. dão papel pequeno às plumas, e Rowley et al. propõem fluxo ascendente profundo sob o Pacífico.

Fontes

  1. Science Advances — What drives tectonic plates?
    Coltice, N.; Husson, L.; Faccenna, C.; Arnould, M. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aax4295
  2. Scientific Reports — Assessing plate reconstruction models using plate driving force consistency tests
    Clennett, E. J.; Holt, A. F.; Tetley, M. G.; Becker, T. W.; Faccenna, C. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-023-37117-w
  3. Science Advances — Kinematics and dynamics of the East Pacific Rise linked to a stable, deep-mantle upwelling
    Rowley, D. B.; Forte, A. M.; Rowan, C. J.; Glišović, P.; Moucha, R.; Grand, S. P.; Simmons, N. A. · 2016 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.1601107
  4. Scientific Reports — On the plate velocity scaling break
    Zaccagnino, D.; Cuffaro, M.; Ficini, E.; Doglioni, C. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-025-31301-w
  5. Nature Communications — Cenozoic India-Asia collision driven by mantle dragging the cratonic root
    Li, Y.; Liu, L.; Li, S.; Peng, D.; Cao, Z.; Li, X. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-024-51107-0
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 2; conferência de trechos automatizada)

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