Astronomia

Nuvens de Magalhães: duas galáxias-satélite visíveis a olho nu no céu do sul

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

As Nuvens de Magalhães são duas galáxias anãs que acompanham a Via Láctea: a Grande Nuvem, a cerca de 160 mil anos-luz, e a Pequena, a cerca de 200 mil. Do hemisfério sul, parecem retalhos soltos da própria Via Láctea. A Grande Nuvem abriga a Nebulosa da Tarântula, uma região de formação de estrelas sem equivalente conhecido na nossa galáxia, e foi palco da supernova SN 1987A.

A Grande Nuvem tem cerca de um vigésimo do diâmetro da Via Láctea e um décimo do número de estrelas; a Pequena é umas dez vezes menor que a Grande. Mesmo assim, são brilhantes o bastante para serem vistas sem instrumentos em noites escuras de latitudes austrais. Por isso, povos do sul as conheciam muito antes de qualquer europeu: os tupi-guarani da região do Rio de Janeiro as viam como fontes onde bebem uma anta e um porco, e os mapuche do Chile, como lagoas no céu. O nome atual vem de Fernão de Magalhães, mas ele não as batizou: o termo 'Nuvens de Magalhães' só se firmou na ciência no fim do século XIX. Hoje são laboratório para estudar estrelas, poeira e a história da nossa vizinhança galáctica.

Magalhães não deu o nome

Nem Magalhães nem o cronista Antonio Pigafetta chamaram as manchas de 'Nuvens de Magalhães'. Pigafetta as descreveu ao sair do estreito, em 1520. O nome só se tornou o termo científico comum no fim do século XIX.

Duas galáxias de tamanhos diferentes

A Grande Nuvem tem cerca de um vigésimo do diâmetro da Via Láctea e cerca de um décimo de suas estrelas. A Pequena é uns dez vezes menor que a Grande. Estão a cerca de 160 mil e 200 mil anos-luz de nós, perto em escala cósmica, e são tratadas como galáxias anãs satélites da Via Láctea. A Grande Nuvem forma estrelas em ritmo intenso, como mostra a Nebulosa da Tarântula.

Uma ponte de estrelas entre elas

Em 2017, astrônomos de Cambridge usaram o censo do satélite Gaia para mapear estrelas RR Lyrae, antigas e pulsantes. Acharam uma ponte de cerca de 43 mil anos-luz ligando as duas Nuvens. Segundo os autores, ao menos em parte ela é feita de estrelas arrancadas da Pequena pela gravidade da Grande. O halo da Grande Nuvem se estende por cerca de 20 graus no céu a partir do centro.

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Em 2007, uma equipe liderada por Gurtina Besla calculou, a partir das velocidades observadas, que as Nuvens seguem órbita parabólica e estariam na primeira passagem perto da Via Láctea, chegadas nos últimos 1 a 3 bilhões de anos. Se for isso, teorias antigas sobre a origem da Corrente de Magalhães e do disco de gás deformado da Via Láctea precisariam de novas explicações. É um cenário, não uma certeza.

Quem viu primeiro

Os primeiros observadores foram povos do sul, cuja tradição oral só começou a ser registrada recentemente. Entre os registros escritos, o mais antigo possível é o de al-Sufi, por volta de 964, sobre uma mancha branca vista do sul da Arábia. Na época dos navegadores europeus, Corsali (1515) e Pigafetta (1520) a descreveram. O nome 'Nuvens de Magalhães' só se firmou na ciência no fim do século XIX.

Como sabemos

Fatos centrais confirmados em fontes institucionais; distâncias variam entre fontes e a primeira passagem é hipótese de um estudo.

Em debate: O estudo de 2007 concluiu que as Nuvens estão na primeira passagem, em órbita não ligada. É o cenário apresentado, mas depende de modelos de massa e velocidade; o texto o trata como hipótese de um estudo.

Fontes

  1. Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics — The Magellanic Clouds Are First-Time Visitors
    consultada em 06/10/2026
  2. Universidade de Cambridge — A bridge of stars connects two dwarf galaxies
    consultada em 06/10/2026
  3. ESO, The Messenger nº 181 — A History of the Magellanic Clouds and the European Exploration of the Southern Hemisphere (M. Dennefeld)
    consultada em 06/10/2026
  4. NASA / Hubble — Heart of the Tarantula Nebula
    consultada em 06/10/2026
  5. Universidade de Oregon — The story of Supernova 1987A
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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