História do Brasil

Nise da Silveira apostou na arte contra o eletrochoque e criou, em 1952, o Museu de Imagens do Inconsciente

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A psiquiatra alagoana Nise da Silveira se opôs a tratamentos como o eletrochoque e a lobotomia. A partir de 1946, no Centro Psiquiátrico Nacional, no Engenho de Dentro, no Rio, dirigiu a Seção de Terapêutica Ocupacional, com ateliês de pintura e modelagem para os internos. As obras produzidas ali deram origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, inaugurado em 20 de maio de 1952. Seu arquivo pessoal é Memória do Mundo da UNESCO.

Nise nasceu em Maceió, em 1905, e se formou em medicina na Bahia, em 1926, a única mulher de uma turma de mais de 60 alunos. Foi presa durante o governo Vargas por ligação com a União Feminina Brasileira e anistiada em 1944. Ao voltar ao serviço, assumiu os ateliês, e as exposições de 1947 e 1949 chamaram a atenção de artistas e críticos, que a apoiaram mais que seus colegas de psiquiatria. Em 1956 abriu a Casa das Palmeiras, clínica para quem saía das internações, e em 1954 criou um grupo de estudos sobre Jung, com quem se correspondeu. O museu, com acervo estimado em mais de 350 mil obras, se descreve como o maior do mundo no gênero.

Um acervo tombado

Em 2003, o Iphan aprovou o tombamento de 128.909 peças do museu. Segundo o Itaú Cultural, o acervo total passa de 350 mil obras de ateliês de pintura e modelagem, feitas por pessoas em tratamento psiquiátrico.

Uma médica numa turma de homens

Nise da Silveira nasceu em Maceió em 1905 e se formou na Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, única mulher de uma turma de mais de 60 alunos. Trabalhou como psiquiatra. No governo de Getúlio Vargas foi presa por ligação com a União Feminina Brasileira e, segundo a Biblioteca Nacional, chegou a ser detida duas vezes. Foi anistiada em 1944 e voltou ao serviço no Centro Psiquiátrico Nacional, no Engenho de Dentro.

Os ateliês de 1946

Em 1946 Nise passou a dirigir a Seção de Terapêutica Ocupacional do Centro Psiquiátrico Nacional. Num momento em que a psiquiatria brasileira favorecia tratamentos biológicos e mecânicos, como o eletrochoque e a lobotomia, ela organizou ateliês de pintura e modelagem. As exposições de 1947 e 1949 tiveram grande repercussão, e quem a apoiou primeiro foram artistas e críticos de arte, não a comunidade científica. A imprensa registrou o espanto: pessoas internadas produziam obras de arte.

O museu, a Casa das Palmeiras e Jung

O Museu de Imagens do Inconsciente foi inaugurado em 20 de maio de 1952, no Engenho de Dentro, como centro de estudo e pesquisa. Em 1954 Nise criou um grupo de estudos sobre Jung, com quem manteve correspondência, e em 1956 fundou a Casa das Palmeiras, clínica aberta para quem saía das internações, num contexto em que cerca de 70% dos pacientes voltavam aos hospitais psiquiátricos.

Um acervo reconhecido no mundo

O museu guarda mais de 350 mil obras, e o Iphan aprovou, em 2003, o tombamento de 128.909 peças. O arquivo pessoal de Nise foi registrado pelo programa Memória do Mundo da UNESCO, primeiro no Brasil, em 2014, depois na América Latina e no Caribe, em 2015, e por fim no registro internacional, em 27 de novembro de 2017. Segundo a ONU, a proposta partiu da Sociedade de Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio, onde o arquivo continua acessível aos visitantes e guarda, entre outros papéis, a correspondência de Nise com Jung.

Como sabemos

Datas biográficas, de fundação do museu, de tombamento e de reconhecimento da UNESCO conferem entre biblioteca nacional, museu, Fiocruz, Itaú Cultural e ONU; o tamanho do acervo é estimativa.

Fontes

  1. Biblioteca Nacional — Coleções da Seção de Manuscritos: Nise da Silveira
    consultada em 04/10/2026
  2. Museu de Imagens do Inconsciente — Nise da Silveira
    consultada em 04/10/2026
  3. Fiocruz (repositório ARCA) — Arte, loucura e ciência no Brasil: as origens do Museu de Imagens do Inconsciente
    consultada em 04/10/2026
  4. Itaú Cultural — O legado, Ocupação Nise da Silveira
    consultada em 04/10/2026
  5. ONU Brasil — UNESCO inclui acervos de Paulo Freire, Nise da Silveira e Carlos Gomes em projeto global de conservação
    consultada em 04/10/2026
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