Ciências da Terra

El Niño e La Niña: o ciclo do Pacífico que muda a chuva em outros continentes

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

El Niño é o aquecimento anormal da superfície do Pacífico equatorial, no centro e no leste. Em condições normais, os ventos alísios empurram a água quente para oeste, rumo à Ásia. No El Niño esses ventos enfraquecem e a água quente volta para o leste. A chuva muda de lugar: diminui sobre a Indonésia e aumenta no Pacífico tropical. O ciclo é irregular, volta a cada dois a sete anos e redistribui secas e chuvas em outros continentes.

O El Niño e a La Niña são as fases quente e fria de um mesmo padrão natural, o ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Na La Niña, o Pacífico central e leste esfria e os alísios ficam mais fortes, o que intensifica a ressurgência de água fria perto da costa. Para a meteorologia, um evento só conta quando a temperatura na região chamada Niño-3.4 (5° N a 5° S, 120° O a 170° O) fica pelo menos 0,5 °C acima ou abaixo da média por cinco trimestres móveis seguidos. Cada episódio dura em geral de nove a 12 meses, às vezes mais, e o El Niño é mais frequente que a La Niña. O nome vem de pescadores sul-americanos, que notavam a água quente por volta do Natal.

Dois nomes, duas descobertas

O "El Niño" é o oceano; a "Oscilação Sul" é o ar. Gilbert Walker descreveu a oscilação da pressão atmosférica, e só no fim dos anos 1960 Jacob Bjerknes ligou as duas coisas. Daí a sigla híbrida ENOS.

Como o oceano e o ar se alimentam

Em condições normais, os alísios sopram de leste para oeste sobre o Pacífico tropical e empurram a água quente superficial para perto da Ásia. Do outro lado, perto da América do Sul, água fria sobe das profundezas. Quando os ventos enfraquecem, a água quente se espalha de volta para leste. Isso muda onde o ar sobe e forma nuvens de chuva, o que por sua vez altera os ventos. Oceano e atmosfera reforçam um ao outro, e essa ligação é a essência do ENOS.

Onde a chuva muda de lugar

Perto da fonte, o efeito é direto: no El Niño a chuva diminui sobre a Indonésia e aumenta no Pacífico tropical, e a La Niña faz o contrário. Mais longe, a mudança na circulação da atmosfera desloca correntes de ar como a corrente de jato. Esse tipo de ligação entre regiões distantes é chamado de teleconexão. Nos Estados Unidos, por exemplo, o El Niño tende a deixar o sul mais úmido e o norte mais seco, e a La Niña faz o oposto.

O que muda no Brasil

Segundo o INMET, o El Niño aumenta o risco de seca e de períodos secos no Norte e no Nordeste, o que pressiona a agricultura de sequeiro e a oferta de água. No Sul, favorece mais chuva, principalmente no inverno e na primavera, com solo encharcado e mais doenças causadas por fungos nas lavouras. O efeito é uma tendência, não uma regra: depende da intensidade do evento e da temperatura do Atlântico e do Índico.

O que se consegue prever

Ao contrário do tempo de um dia específico, o ENOS pode ser acompanhado por meses: a NOAA diz que muitas vezes é possível antecipar sua evolução com várias estações de antecedência. Ainda assim, o intervalo entre eventos é irregular, de dois a sete anos, e a previsão diz a probabilidade de um evento, não o tempo exato de cada chuva ou seca em um lugar específico.

Como sabemos

Mecanismo, critérios e ciclo vêm da NOAA; os efeitos no Brasil, do INMET.

Fontes

  1. NOAA Climate.gov — El Niño and La Niña
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA National Ocean Service — What are El Niño and La Niña?
    consultada em 06/10/2026
  3. NOAA Climate.gov — What is the El Niño-Southern Oscillation (ENSO) in a nutshell?
    consultada em 06/10/2026
  4. INMET — Previsões recentes apontam novo aumento da probabilidade do El Niño em 2026
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos