Oceanografia

Neve marinha: agregados e pelotas fecais que caem da superfície e vão sendo consumidos até o fundo

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Mar profundo

Neve marinha é a chuva contínua de matéria orgânica que cai das águas superficiais para o oceano profundo: células, agregados, pelotas fecais e poeira. Alguns flocos chegam a vários centímetros e levam semanas para descer. Só uma parte do material alcança o fundo, porque micróbios e animais o consomem no caminho, e o que sobra serve de alimento à vida lá embaixo.

A maior parte do alimento do oceano profundo vem de cima, do que o fitoplâncton produz perto da superfície, onde há luz. Nada disso fica lá: células morrem, são comidas e saem como pelotas fecais, ou se agarram umas às outras e formam agregados, flocos fofos de alguns milímetros. Esses pedaços afundam por gravidade. No caminho, micróbios e animais os decompõem, de modo que o fluxo de carbono cai com a profundidade. O que chega ao leito marinho é muito menos do que saiu da superfície, e é esse resto que alimenta quem vive no escuro, onde não há fotossíntese.

Um floco que cresce no escuro

Os flocos de neve marinha crescem enquanto caem: alguns chegam a vários centímetros de diâmetro. Em laboratório, minerais como a calcita podem dobrar a velocidade de queda de agregados, e por isso o mesmo floco pode afundar muito mais rápido ou mais devagar.

Do que é feita

Há duas famílias principais de partículas. Os agregados são flocos de células mortas, restos e muco que se agarram. As pelotas fecais são os dejetos de zooplâncton, como copépodes e salpas, e têm forma própria. Em armadilhas de sedimento de quatro ecossistemas, a proporção entre agregados, pelotas cilíndricas longas e pelotas de salpas explicou a maior parte da variação na composição. Nenhuma classe domina em todo lugar, e as pelotas longas perdiam fluxo mais depressa com a profundidade do que outras.

Quão rápido cai

A velocidade depende do que se mede. Em estudos de laboratório reunidos por Omand e colegas, uma célula isolada de diatomácea afunda a 0,1–10 m por dia, enquanto agregados afundam a 88–569 m por dia. Pelas nossas contas, a 4.000 m isso dá de cerca de 45 a 7 dias para os agregados. O lastro importa: em experimentos com casas descartadas de apendiculárias, a calcita elevou a velocidade em cerca de 100% e a poeira litogênica em cerca de 150%.

Quanto chega ao fundo

Menos de 20% da produção da superfície, em geral, sai da camada iluminada como partículas. Dali em diante o fluxo cai com a profundidade. A curva de Martin descreve isso como lei de potência de expoente −0,858: com base de 100 m, restariam cerca de 14% em 1.000 m e cerca de 4% em 4.000 m (conta nossa, suposição de zeu = 100 m). Na zona do crepúsculo, micróbios presos às partículas explicaram só 7–29% dessa perda em seis regiões; o resto sugere papel maior para o zooplâncton.

Como sabemos

Ninguém acompanha um floco individual da superfície ao fundo. Armadilhas de sedimento, algumas com camada de gel que preserva a forma das partículas, coletam o que cai e permitem medir tamanho, tipo e fluxo. Câmeras in situ, imagens a laser e mergulhadores completam o quadro, e a curva de Martin vem de ajustar fluxos medidos em várias profundidades. Os limites: os pontos são esparsos, as armadilhas cobrem profundidades e épocas específicas, e os autores mostram que um único tipo de partícula não reproduz a curva.

Como sabemos

Definição, composição e atenuação com a profundidade estão bem estabelecidas e apoiadas por artigos abertos lidos por inteiro; as velocidades de queda e a fração que chega ao fundo variam muito conforme o lugar.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — What is marine snow?
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Scientific Reports — Sinking flux of particulate organic matter in the oceans: Sensitivity to particle characteristics
    Omand, M. M.; Govindarajan, R.; He, J.; Mahadevan, A. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-020-60424-5
  3. Nature — Decoding drivers of carbon flux attenuation in the oceanic biological pump
    Bressac, M.; Laurenceau-Cornec, E. C.; Kennedy, F.; Santoro, A. E.; Paul, N. L.; Briggs, N.; Carvalho, F.; Boyd, P. W. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-024-07850-x
  4. Global Biogeochemical Cycles — A Visual Tour of Carbon Export by Sinking Particles
    Durkin, C. A.; Buesseler, K. O.; Cetinić, I.; Estapa, M. L.; Kelly, R. P.; Omand, M. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1029/2021GB006985
  5. PLoS ONE — Global Patterns and Predictions of Seafloor Biomass Using Random Forests
    Wei, C.-L.; Rowe, G. T.; Escobar-Briones, E.; Boetius, A.; Soltwedel, T. et al. · 2010 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0015323
  6. PLoS ONE — Effect of Type and Concentration of Ballasting Particles on Sinking Rate of Marine Snow Produced by the Appendicularian Oikopleura dioica
    Lombard, F.; Guidi, L.; Kiørboe, T. · 2013 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0075676
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)

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