História da Ásia

Mossadegh nacionalizou o petróleo do Irã e foi derrubado em 1953 por um golpe planejado pela CIA e pela inteligência britânica

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 1951, o Irã tomou de volta o próprio petróleo, explorado até então pela britânica Anglo-Iranian Oil Company. O primeiro-ministro Mohammad Mossadegh levou a nacionalização adiante e enfrentou Londres. Em 19 de agosto de 1953, foi derrubado por um golpe que Estados Unidos e Reino Unido planejaram juntos. Em 2013, documentos liberados pela CIA mostraram uma história interna da agência dizendo que ela planejou e ajudou a executar o golpe.

Mossadegh liderava a Frente Nacional, criada em 1949 com dois objetivos: nacionalizar o petróleo e democratizar o sistema político iraniano. O Parlamento decidiu a nacionalização em março de 1951; em abril, Mossadegh virou primeiro-ministro, e dois dias depois a medida entrou em vigor. Seguiu-se um longo confronto com o governo britânico. Em fevereiro de 1953, autoridades americanas e britânicas acertaram em Washington um plano para derrubá-lo e pôr o general Fazlollah Zahedi no lugar. A operação, chamada AJAX e, nos papéis americanos, TPAJAX, foi executada pela CIA, com agentes e contatos fornecidos pelos britânicos. Mossadegh foi condenado por traição a três anos de prisão e passou o resto da vida em prisão domiciliar, até morrer em 1967.

Um presidente americano no Cairo

Em 4 de junho de 2009, num discurso na Universidade do Cairo, o presidente Barack Obama disse que, no meio da Guerra Fria, os Estados Unidos tiveram um papel na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito. Foi um reconhecimento público feito por um presidente em exercício, quatro anos antes da liberação dos documentos da CIA.

O petróleo como soberania

Para a Frente Nacional, fundada em 1949, nacionalizar o petróleo e democratizar o país eram parte do mesmo programa. A indústria era controlada pela Anglo-Iranian Oil Company, de propriedade britânica. Em março de 1951, o Irã decidiu nacionalizar seus bens. Mossadegh assumiu como primeiro-ministro em abril, e dois dias depois a medida entrou em vigor. O governo britânico reagiu, e abriu-se um confronto que durou até a queda dele.

Como o plano foi montado

Em 3 de fevereiro de 1953, duas semanas depois da posse de Eisenhower, autoridades americanas e britânicas se reuniram em Washington e decidiram derrubar Mossadegh e pôr o general Fazlollah Zahedi no lugar. A CIA executaria o plano, com Kermit Roosevelt no comando em Teerã. O planejador americano, Donald N. Wilber, trabalhou com o oficial britânico Norman Darbyshire, e os britânicos cederam seus agentes e contatos no Irã.

Quatro dias de agosto

Em 15 de agosto de 1953, o oficial que foi entregar a Mossadegh o decreto do xá que o demitia acabou preso, e o plano desmoronou. O xá fugiu para Bagdá e depois para Roma. Nos dias 17 e 18, multidões contratadas se passaram por militantes do partido Tudeh. Em 19 de agosto, multidões pagas, policiais e militares, com cerca de 24 tanques, tomaram as ruas. Mossadegh se rendeu no dia seguinte.

O que os arquivos admitem

Mossadegh foi condenado por traição a três anos de prisão e viveu em prisão domiciliar até 1967. Por décadas, os EUA esconderam o papel da CIA: uma versão censurada da história interna saiu em 1981, e a maior parte dos arquivos foi destruída no início dos anos 1960. Em 2013, o National Security Archive publicou a versão que diz que a agência planejou e ajudou a executar o golpe. O Reino Unido não reconheceu oficialmente o papel do MI6.

Como sabemos

Datas e papéis conferidos em documentos da CIA publicados pelo National Security Archive, no volume oficial do Departamento de Estado e no verbete da Encyclopaedia Iranica escrito por Mark Gasiorowski, especialista no golpe.

Em debate: Peso dos fatores internos: a historiografia discute quanto o golpe dependeu da ação estrangeira e quanto da crise política iraniana. A Iranica registra que, em 19 de agosto, a multidão paga foi engrossada por cidadãos assustados com as marchas atribuídas ao Tudeh ou desiludidos com Mossadegh, e que as operações anteriores já o tinham enfraquecido.

Em debate: Papel britânico: Londres nunca reconheceu oficialmente a participação do MI6. O National Security Archive mostra que o governo britânico tentou, em 1978, retirar de uma publicação americana informações 'muito embaraçosas' sobre seu papel.

Fontes

  1. National Security Archive, Universidade George Washington — CIA Confirms Role in 1953 Iran Coup (Electronic Briefing Book No. 435)
    consultada em 05/10/2026
  2. Office of the Historian, Departamento de Estado dos EUA — Foreign Relations of the United States, 1952–1954, Iran, 1951–1954 — Preface
    consultada em 05/10/2026
  3. Encyclopaedia Iranica — Coup d'état of 1332 Š./1953
    consultada em 05/10/2026
  4. The White House (arquivo do governo Obama) — Remarks by the President at Cairo University, 6-04-09
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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