Zoologia

Filhotes de morcego-de-sacos balbuciam como bebês e imitam o canto dos machos; a mãe influencia a prática

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Comunicação animal

Filhotes do morcego-de-sacos (Saccopteryx bilineata) balbuciam em estado selvagem durante cerca de três meses, e esse balbucio tem as mesmas oito características do balbucio de bebês humanos, como a repetição de sílabas e o ritmo. Parte dele é imitação do canto territorial de machos adultos. Em estudo de 2025, filhotes cujas mães interagiam mais praticaram por mais tempo; o número de machos cantando não mostrou efeito.

Aprendizado vocal é a capacidade de adquirir um som novo ouvindo um modelo, o tutor, e não só herdá-lo: é rara entre mamíferos, e bebês humanos, aves canoras e alguns morcegos estão entre os exemplos. Balbucio é a fase em que o jovem produz sílabas (unidades sonoras com forma característica) antes de dominar o repertório adulto. Nos morcegos Saccopteryx bilineata, os machos adultos cantam ao amanhecer e ao entardecer para defender território, e o canto é composto de sílabas de cinco tipos. Os filhotes ouvem esse canto, praticam durante o dia no abrigo e interagem sobretudo com a mãe. O artigo de 2025 testou se esses comportamentos maternos influenciam a prática vocal.

Quem inicia a conversa é o filhote

Em média, 80% das interações entre mãe e filhote durante o balbucio foram iniciadas pelo filhote, em geral rastejando até a mãe enquanto balbuciava. A mãe respondia, por exemplo, pairando à frente ou pousando ao lado dele.

Como sabemos que é balbucio e que há imitação

Em 2021, pesquisadores gravaram em campo o balbucio de 20 filhotes durante os cerca de três meses de desenvolvimento e o compararam às oito características que definem o balbucio de bebês humanos; as oito apareceram, incluindo reduplicação e ritmicidade. Em 2010, outro grupo comparou as versões dos filhotes ao canto dos machos adultos: a semelhança aumentava com a idade, não se explicava só pelo amadurecimento e independia do sexo e do parentesco com o macho. A experiência auditiva, portanto, importa.

O que as mães mudam, e o que não mudam

No estudo de 2025, 19 filhotes de seis colônias foram acompanhados em duas temporadas. Filhotes com mães mais ativas balbuciaram em sessões mais longas, por mais dias e produziram mais sílabas aprendidas do canto, de mais tipos e com mais formas maduras. O número de machos cantando na colônia não mostrou efeito, e o repertório final no desmame não se correlacionou com a atividade materna em 10 filhotes. É associação medida em campo, não experimento com mães manipuladas.

Por que as fêmeas também praticam

Fêmeas filhotes balbuciam e imitam o canto sem diferença dos machos, embora as adultas não cantem o canto territorial. Sabe-se que fêmeas dispersam após o desmame e que, em experimentos com reprodução de gravações, se aproximam do canto dos machos e preferem o canto local ao estrangeiro. Os autores sugerem que praticar o canto na infância pode ajudar a avaliar o canto masculino mais tarde. Essa ligação é hipótese; não foi testada.

O que ainda não se sabe

O estudo de 2025 não mediu quão parecido cada filhote ficou do seu tutor, por não ter gravações de todos os machos adultos. Também não se sabe quais outras sílabas do repertório adulto, além do canto territorial, são aprendidas. Uma revisão de 2021 aponta semelhanças no desenvolvimento vocal entre espécies, sugerindo que o aprendizado vocal talvez exija balbucio, mas diz que a literatura atual não basta para confirmar a ideia.

Como sabemos

O balbucio e a imitação vêm de estudos de campo revisados por pares; a influência materna é associação observacional em amostra pequena e quatro fontes foram lidas só no resumo.

Fontes

  1. eLife — Maternal behavior influences vocal practice and learning processes in the greater sac-winged bat
    Fernandez, A. A.; Serve, N.; Fabian, S.-C.; Knörnschild, M. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7554/eLife.99474
  2. Science — Babbling in a vocal learning bat resembles human infant babbling
    Fernandez, A. A.; Burchardt, L. S.; Nagy, M.; Knörnschild, M. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.abf9279
  3. Biology Letters — Complex vocal imitation during ontogeny in a bat
    Knörnschild, M.; Nagy, M.; Metz, M.; Mayer, F.; von Helversen, O. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rsbl.2009.0685
  4. Scientific Reports — Bat songs as acoustic beacons - male territorial songs attract dispersing females
    Knörnschild, M.; Blüml, S.; Steidl, P.; Eckenweber, M.; Nagy, M. · 2017 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-017-14434-5
  5. Philosophical Transactions of the Royal Society B — Cross-species parallels in babbling: animals and algorithms
    Ter Haar, S. M.; Fernandez, A. A.; Gratier, M.; Knörnschild, M.; Levelt, C.; Moore, R. K.; Vellema, M.; Wang, X.; Oller, D. K. · 2021 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1098/rstb.2020.0239
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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