Zoologia

Morcegos são os únicos mamíferos com voo ativo: a asa é uma mão com músculos e sensores na pele

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Entre os mamíferos, só os morcegos batem asas para se sustentar no ar; colugos e outros mamíferos planam. A asa do morcego é pele esticada sobre os dedos 2 a 5 da mão, e essa pele não é uma vela passiva: tem músculos próprios que ajustam a curvatura e pelos com receptores que sentem o fluxo de ar.

O braço do morcego tem rádio longo e fino, ulna reduzida e quatro dedos alongados que sustentam a membrana. Essa membrana tem epiderme e uma derme com vasos e músculos. Em morcegos-frugívoros da Jamaica, cerca de 25 pequenos músculos em cada asa tensionam a pele e controlam a curvatura. Em outras duas espécies, pelos curtos em forma de cúpula, ligados a receptores de toque, informam o cérebro sobre o fluxo de ar. O colugo, também mamífero, tem uma membrana enorme, mas só a usa para planar.

Paralisar os músculos da asa tira a capacidade de voar devagar

Num experimento com três morcegos, a toxina botulínica paralisou os músculos da membrana. A curvatura da asa aumentou cerca de 12%, a velocidade preferida caiu cerca de 16% e os animais precisaram de vento de frente para se manter no ar.

Um braço de mamífero, remodelado

O úmero do morcego é longo e fino, mas conserva superfícies articulares e inserções musculares parecidas com as de outros mamíferos. O rádio, longo e forte, carrega a asa; a ulna é muito reduzida. O polegar fica na borda frontal, em geral com garra, e os dedos 2 a 5 sustentam a membrana. O punho é menos flexível que o de outros mamíferos.

A pele que muda de forma

A membrana tem uma derme com vasos e músculos. No morcego-frugívoro Artibeus jamaicensis, cerca de 25 músculos pequenos em cada asa ajustam a tensão da pele. Quando foram paralisados, a asa ficou mais curvada, o voo exigiu mais esforço e os animais ajustaram o movimento das asas, o que os autores interpretam como compensação pelo arrasto maior.

Pelos que sentem o ar

Em 2011, uma equipe liderada por Susanne Sterbing-D'Angelo e Cynthia Moss mostrou que pelos curtos em cúpula da asa, ligados a receptores de Merkel, respondem ao fluxo de ar. Depois de depilados, os morcegos voaram mais rápido e fizeram curvas mais abertas. A leitura dos autores é que os pelos ajudam a detectar velocidade e risco de estol.

O que o colugo não tem

O colugo, parente próximo dos primatas, tem uma membrana grande e peluda que vai do pescoço aos dedos e à cauda. Ele a abre com um músculo no flanco e cobre mais de 100 m planando, mas não voa. O que separa o planeio do voo, nas fontes consultadas, é a asa que bate e é controlada ativamente.

Como sabemos

Anatomia e experimentos vêm de dois artigos revisados por pares e de fichas do Animal Diversity Web; os sensores como medidores de estol são interpretação dos autores.

Fontes

  1. Animal Diversity Web, Museu de Zoologia da Universidade de Michigan — Bat wings (mammal anatomy)
    consultada em 11/10/2026
  2. Animal Diversity Web, Museu de Zoologia da Universidade de Michigan — Chiroptera
    consultada em 11/10/2026
  3. Journal of Experimental Biology (Cheney, Rehm, Swartz, Breuer, 2022) — Bats actively modulate membrane compliance to control camber and reduce drag
    consultada em 11/10/2026
  4. PNAS (Sterbing-D'Angelo et al., 2011) — Bat wing sensors support flight control
    consultada em 11/10/2026
  5. Animal Diversity Web, Museu de Zoologia da Universidade de Michigan — Galeopterus variegates (Sunda flying lemur)
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos