Oceanografia

Montes submarinos concentram vida, mas a ideia de ilhas isoladas com espécies próprias é contestada

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Mar profundo

Montes submarinos são vulcões submersos, ativos ou extintos, que pela definição tradicional sobem pelo menos 1.000 m acima do fundo. Segundo a NOAA, há mais espécies e biomassa neles e na água ao redor do que no fundo plano, e dados de pesca de atum mostram mais espécies pelágicas perto deles. A causa ainda é hipótese, e a analogia com ilhas isoladas, cheias de espécies exclusivas, perdeu força em revisões recentes.

Um monte submarino (em inglês, seamount) é uma elevação isolada, de origem vulcânica, que nasce no fundo do oceano. Forma-se perto das dorsais, onde a crosta nova é produzida, sobre plumas do manto (os "pontos quentes", colunas de rocha quente que sobem do interior da Terra) e em arcos de ilhas vulcânicas. A maioria é de vulcões extintos; os guyots têm o topo achatado. O limite de 1.000 m é uma convenção: a pesquisa atual estuda montes bem menores. Chama-se endêmica a espécie encontrada em um único lugar. A comparação com ilhas vem da biogeografia: um monte cercado de água funda parece uma ilha para animais que vivem no fundo ou perto dele. O texto separa o que foi medido, o que é hipótese e o que está em disputa.

Um monte quase 1.000 m mais alto que o previsto

Numa expedição da NOAA no Pacífico central, um monte apelidado de Kahalewai, com cerca de 4.200 m de altura, foi mapeado e descobriu-se que tem quase 1.000 m a mais do que se pensava. O caso mostra como o relevo do fundo ainda é pouco medido.

Quantos são e quanto se conhece

Quase 13.000 montes constam em catálogos feitos com altimetria por satélite, que só enxerga os mais altos (acima de cerca de 1,5 km). Para os autores de 2010, mais de 100.000 montes com mais de 1 km de altura ainda não têm mapa, e a projeção para os de mais de 100 m chega, de forma especulativa, a 25 milhões. Os navios visitaram só alguns milhares. É uma estimativa, não uma contagem.

Como sabemos: sonar, satélite e gravidade

O sonar de navios dá o mapa mais detalhado, mas cobre uma pequena parte do fundo. O satélite não vê o fundo: mede pequenas variações na altura da superfície do mar causadas pela atração gravitacional de um monte, e daí se infere o relevo. Os autores explicam que essa técnica tem limites: montes com base menor que cerca de 4 km (cerca de 1 km de altura) não são detectados, a menos que estejam em margens continentais rasas. Mapas por satélite e por navio se complementam.

Como sabemos: a vida ao redor, medida pelo anzol

O estudo de Morato e colegas usou dados de observadores a bordo de barcos de espinhel de atum, não um levantamento científico. Calcularam a diversidade de espécies capturadas (padronizada para 40 indivíduos) em função da distância de montes, da costa e do mar aberto. Perto dos topos, a diversidade era maior. O método mostra associação, não causa: os autores dizem que os dados não permitem identificar o mecanismo, e há hipóteses sobre nutrientes, retenção de material e reprodução.

Ilhas, só em parte

A analogia com ilhas supunha isolamento e muitas espécies exclusivas. Revisão de 2012 mostra que a fauna dos montes costuma ser parecida com a das áreas profundas vizinhas, que a conectividade varia e que há ligações genéticas entre montes distantes. O que muda mais é a estrutura da comunidade, isto é, a abundância das espécies. Relatos antigos de endemismo alto podem ter sido afetados pelo esforço de amostragem. Para alguns grupos e regiões, a questão segue aberta.

Pesca de arrasto e recuperação lenta

Alvos de arrasto em montes incluem o olho-de-vidro-laranja, e a revisão de 2012 diz que poucas pescarias em montes foram sustentáveis. Esponjas e corais de água fria sofrem queda drástica de cobertura após poucos arrastos. Em montes da Austrália e da Nova Zelândia fechados ao arrasto, não houve sinais de recuperação em 5 a 10 anos. Esse intervalo é curto diante do crescimento lento da megafauna de águas profundas, mas a revisão também diz que faltam taxas de recuperação.

Como sabemos

Definição, origem e papel como habitat vêm de fontes lidas; o mecanismo de concentração de vida é hipótese e o endemismo é debatido.

Em debate:

Fontes

  1. Oceanography (The Oceanography Society) — The Global Seamount Census
    Wessel, P.; Sandwell, D. T.; Kim, S.-S. · 2010 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. NOAA Ocean Exploration — What is a seamount?
    NOAA Ocean Exploration · 2024 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. PLoS ONE — Science priorities for seamounts: research links to conservation and management
    Clark, M. R.; Schlacher, T. A.; Rowden, A. A.; Stocks, K. I.; Consalvey, M. · 2012 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0029232
  4. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Seamounts are hotspots of pelagic biodiversity in the open ocean
    Morato, T.; Hoyle, S. D.; Allain, V.; Nicol, S. J. · 2010 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.0910290107
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)

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