Astronomia
Monte Olimpo, de cerca de 22 km: sem placas tectônicas, vulcões de Marte puderam crescer por muito mais tempo
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Sistema Solar
Marte ficou quase todo o tempo sem placas tectônicas, e vulcões alimentados por plumas do manto permaneceram ligados à mesma fonte de magma, em alguns casos por bilhões de anos, não por poucos milhões, como na Terra. É a explicação central para o Monte Olimpo, de cerca de 22 km, que a ESA chama de o mais alto vulcão do Sistema Solar: cerca do dobro do Mauna Kea medido da base.
Um vulcão-escudo é um vulcão largo, construído por muitas erupções de lava basáltica. Os de Marte e do Havaí são alimentados por plumas do manto, colunas localizadas de rocha muito quente que sobem de camadas profundas e se derretem em parte perto da superfície. A litosfera é a camada externa e rígida de um planeta. Na Terra ela é dividida em placas que deslizam sobre as plumas, e por isso cada vulcão perde a fonte em poucos milhões de anos. Em Marte, a litosfera espessa formou uma "tampa estagnada" sem placas, e o mesmo vulcão pôde ficar sobre a mesma pluma por muito mais tempo. A altura do Olimpo varia com a referência: a ESA cita 21,9 km no pico e, em outra página, 25 km.
Duas réguas diferentes
O Olimpo (21,9 km) é medido no pico, e o Mauna Kea (mais de 10.210 m) é medido da base no fundo do Pacífico. As referências diferem, por isso o "dobro" é só uma comparação de ordem de grandeza.
Um vulcão-escudo alimentado por uma pluma
Os grandes vulcões de Marte são vulcões-escudo: edifícios de erupções volumosas de lava basáltica, cercados por fissuras, derrames e escudos menores (Hughes et al.). O Olimpo tem cerca de 600 km de largura e mais de 21 km acima das planícies do entorno (Cohen et al.). A ESA dá 21,9 km no pico em uma página e 25 km em outra, e é por isso que o título fala em cerca de 22 km.
Sem placas, a mesma fonte por muito mais tempo
Na Terra, as placas movem a crosta sobre as plumas, e cada vulcão ativo perde a fonte em poucos milhões de anos. Em Marte, a litosfera espessa e estática deixou as plumas como principal via de calor, e os vulcões ficaram ligados a elas por tempos de até bilhões de anos (Cohen et al.). Para Hughes et al., essa ausência de placas, com erupções basálticas volumosas, permite os grandes edifícios como o Olimpo.
A gravidade menor ajuda, mas o peso é incerto
A gravidade média de Marte é 3,73 m/s², contra 9,82 m/s² na Terra (NASA). Os artigos lidos associam isso a muitos derrames finos que correm longe (Cohen et al.) e a um empuxo menor, que exige corpos de magma maiores para subir (Hughes et al.). Nenhum deles quantifica quanto isso pesa na altura final, então a gravidade entra aqui como fator plausível, não como medida.
Como sabemos: crateras e meteoritos
As idades dos vulcões vêm sobretudo da contagem de crateras: mais crateras por km² indicam superfície mais antiga. Com ela, a Mars Express mostrou atividade esporádica por bilhões de anos e calderas ativas há 100 a 200 milhões de anos (ESA). O método tem incerteza nas idades absolutas (Cohen et al.). Meteoritos marcianos, os nakhlitos, mostram crescimento lento, mas de um vulcão que provavelmente não é o Olimpo.
Como sabemos
Números de altura e mecanismo central sustentados por fontes institucionais e artigos abertos; a comparação de alturas e o peso da gravidade são aproximações.
- Fato estabelecido: O Monte Olimpo tem 21,9 km de altura no pico, cerca de 2,5 vezes a altitude do Monte Everest acima do nível do mar. [1] Texto da página
Contexto: Altura do pico segundo página da ESA de 2023 sobre imagens da Mars Express. · Limitações: Outra página da ESA dá 25 km (a2); a altura depende da referência usada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A altura e a largura do Olimpo variam conforme a referência: uma página da ESA dá 25 km de altura e cerca de 620 km de diâmetro; um artigo científico dá 600 km de largura e mais de 21 km acima das planícies vizinhas. [5] Texto de abertura [3] Figura 1, legenda
Contexto: Marte; números de fontes diferentes, com referências de altura diferentes. · Limitações: Por isso o título diz "cerca de 22 km". · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O Mauna Kea, no Havaí, sobe mais de 10.210 m da base, no fundo do Oceano Pacífico, até o pico. [2] Texto principal
Contexto: Altura medida da base submersa, não do nível do mar. · Limitações: A altitude do Mauna Kea acima do nível do mar é bem menor; a comparação com o Olimpo mistura referências. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Comparando os dois números, o Olimpo (21,9 km) tem cerca do dobro da altura do Mauna Kea medido da base (mais de 10,2 km). [1] Texto da página [2] Texto principal
Contexto: Razão 21,9 / 10,21 = 2,1. · Limitações: Cálculo nosso; as duas alturas usam referências diferentes (pico de Marte e base submarina do Havaí). · Cálculo nosso, sem razão publicada pelas fontes. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Marte ficou sem placas tectônicas na maior parte de sua história, e sua litosfera espessa e estática ("stagnant lid") deixou as plumas do manto como principal forma de levar calor ao exterior. [3] Introdução
Contexto: Planeta inteiro; "a maior parte da história" não exclui placas no passado remoto. · Limitações: Há trabalhos que discutem tectônica inicial em Marte; os artigos lidos tratam a ausência como a regra. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Na Terra, mesmo nas placas mais lentas, cada vulcão alimentado por pluma fica ativo por poucos milhões de anos. [3] Introdução
Contexto: Vulcões de pluma na Terra, como os do Havaí. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Os edifícios vulcânicos marcianos alimentados por plumas permaneceram ligados às suas fontes de magma por tempos extraordinários, em alguns casos por bilhões de anos. [3] Introdução
Contexto: Vulcões de Tharsis e Elysium. · Limitações: As durações vêm sobretudo de contagem de crateras, que tem incerteza (a13). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Segundo Cohen et al., os vulcões de Marte, morfologicamente parecidos com os vulcões-escudo da Terra, se tornaram os maiores do Sistema Solar em consequência dessa longa ligação com a fonte de magma. [3] Introdução
Contexto: Explicação proposta pelos autores a partir da ausência de placas. · Limitações: Interpretação apresentada na introdução; o artigo não mede o crescimento do Olimpo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A ausência de tectônica de placas, somada às erupções basálticas volumosas de Marte, permite a construção de grandes edifícios como o Olimpo. [4] Seção de Marte
Contexto: Marte; texto de contexto de um artigo sobre análogos terrestres. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A gravidade média na superfície de Marte é de 3,73 m/s², contra 9,82 m/s² na Terra (razão 0,380). [6] Tabela de parâmetros globais
Contexto: Valores médios planetários. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: A gravidade relativamente baixa de Marte é associada a muitos derrames finos de lava que se estendem por longas distâncias; e a menor força de empuxo que leva o magma para cima exige corpos de magma de maior volume para subir. [3] Discussão [4] Seção de Marte
Contexto: Argumentos qualitativos de dois artigos. · Limitações: Nenhuma das fontes lidas quantifica quanto a gravidade menor contribui para a altura final do Olimpo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Medições em meteoritos nakhlitos indicam que o crescimento do vulcão marciano de origem foi cerca de três ordens de grandeza mais lento que o de um vulcão de pluma terrestre. [3] Discussão
Contexto: Os nakhlitos vêm de um vulcão marciano (possivelmente em Elysium), não do Olimpo; comparado ao Mauna Kea. · Limitações: Resultado de um vulcão; não vale como taxa do Olimpo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: A contagem de crateras, usada para datar os vulcões marcianos, é útil para idades relativas, mas tem incerteza nas idades absolutas. [3] Introdução
Contexto: Método geral de datação de superfícies planetárias. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Idades de crateras obtidas com a câmera HRSC da Mars Express indicam que os vulcões de Tharsis e Elysium estiveram ativos de forma esporádica por bilhões de anos, e que a atividade mais recente nas calderas de Tharsis se concentrou há 100 a 200 milhões de anos. [5] Texto principal
Contexto: Tharsis e Elysium, por contagem de crateras. · Limitações: Idades de contagem de crateras (a13); texto da ESA é um resumo institucional. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Incerto: Ainda não está claro como as plumas de magma de Marte sobreviveram por períodos tão longos. [5] Texto principal
Contexto: Estado da questão segundo a ESA em texto de síntese. · Limitações: Texto institucional antigo; pesquisas posteriores podem ter avançado. · Afirmação de síntese institucional; pode estar defasada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Agência Espacial Europeia (ESA) — Landslides at the foot of Olympus Mons
ESA / Mars Express · 2023 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NOAA - National Ocean Service — Highest point on Earth: what is the tallest mountain?
NOAA National Ocean Service · sem data · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Nature Communications — Taking the pulse of Mars via dating of a plume-fed volcano
Cohen, B. E.; Mark, D. F.; Cassata, W. S.; Lee, M. R.; Tomkinson, T.; Smith, C. L. · 2017 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Astrobiology — Basaltic Terrains in Idaho and Hawai'i as Planetary Analogs for Mars Geology and Astrobiology
Hughes, S. S.; Haberle, C. W.; Kobs Nawotniak, S. E.; et al. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Agência Espacial Europeia (ESA) — Mars Express science highlights: #5. Recent and episodic volcanism
ESA Mars Express · sem data · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NASA - Space Science Data Coordinated Archive — Mars Fact Sheet
NASA NSSDC · sem data · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 7; conferência de trechos automatizada)