Zoologia

Monarcas voam até 4.800 km do Canadá às florestas de oyamel do México, que nenhuma delas jamais viu

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

As monarcas do leste da América do Norte migram no outono rumo às montanhas do centro do México, em viagens de até cerca de 4.800 km. Cada borboleta pesa por volta de meio grama e nunca esteve ali: o ciclo anual leva quatro ou mais gerações, e quem viaja é a geração do fim do verão, descendente de quem deixou os bosques mexicanos meses antes. Ela se orienta por uma bússola solar corrigida pelo relógio das antenas e, segundo experimentos, por uma bússola magnética.

O leste da América do Norte abriga uma grande população de monarcas (Danaus plexippus) que se reproduz do sul do Canadá ao norte dos Estados Unidos e passa o inverno em bosques de oyamel (Abies religiosa) nas montanhas do centro do México. Os adultos de verão vivem de duas a cinco semanas; os que nascem no fim do verão entram em diapausa reprodutiva, acumulam gordura e podem viver de seis a nove meses. A volta ao norte, na primavera, é feita por gerações sucessivas, e só uma geração do fim do verão refaz o caminho até o México. Como nenhuma delas conheceu o destino, o rumo precisa ser herdado e lido com bússolas: uma solar, compensada pelo tempo, e uma magnética de inclinação, que atua sob céu fechado.

Um esconderijo que a ciência levou décadas para achar

Os sítios de inverno foram localizados em 2 de janeiro de 1975, no Cerro Pelón, em Michoacán, por Catalina Aguado (mexicana, hoje Catalina Trail) e Ken Brugger, após cerca de dois anos de busca para o projeto dos Urquhart.

Uma viagem que ninguém aprendeu

Nenhuma monarca que chega ao México já esteve lá. Os adultos de verão vivem poucas semanas, mas os do fim do verão entram em diapausa reprodutiva, acumulam gordura e podem viver de seis a nove meses. Eles voam para o sul e passam o inverno; na primavera, a volta ao norte é feita por gerações sucessivas. O rumo até o destino não pode ser aprendido de quem já foi: precisa estar herdado e ser lido com bússolas.

O Sol como bússola, as antenas como relógio

O Sol muda de posição no céu durante o dia, então uma bússola solar precisa de um relógio para corrigir o rumo. As monarcas processam pistas do céu, como o próprio Sol, em circuitos do cérebro ligados ao complexo central. A descoberta de Merlin, Gegear e Reppert, em 2009, foi que o relógio dessa compensação está nas antenas, e não só no cérebro, onde se supunha estar.

Um plano B para dias nublados

Monarcas seguem para o sul mesmo sob céu encoberto, o que sugeria uma segunda bússola. Em 2014, o grupo de Reppert mostrou, em simulador de voo, que migrantes usam uma bússola de inclinação magnética que depende de luz UVA/azul. Os autores propõem que ela sirva quando faltam pistas de luz direcional e complemente a bússola solar. Como ela atua na natureza ainda é inferência.

Mexicanos na descoberta e no acompanhamento

Em janeiro de 1975, Catalina Aguado, mexicana criada em Michoacán, e Ken Brugger acharam a primeira colônia, no Cerro Pelón, depois de cerca de dois anos de busca para o projeto de Fred e Norah Urquhart. Desde então, equipes mexicanas medem a área de floresta ocupada pelas colônias: 0,67 ha em 2013–14, contra 18,19 ha em 1996–97.

Como sabemos

Biologia da orientação bem sustentada por artigos revisados; a história da descoberta repousa em relato de Trail e na retratação do Monarch Watch.

Em debate:

Fontes

  1. Science (Merlin, Gegear e Reppert, 2009) — Antennal circadian clocks coordinate sun compass orientation in migratory monarch butterflies
    consultada em 11/10/2026
  2. Nature Communications (Guerra, Gegear e Reppert, 2014) — A magnetic compass aids monarch butterfly migration
    consultada em 11/10/2026
  3. Current Biology (Reppert e de Roode, 2018) — Demystifying Monarch Butterfly Migration
    consultada em 11/10/2026
  4. Biological Conservation (Vidal e Rendón-Salinas, 2014) — Dynamics and trends of overwintering colonies of the monarch butterfly in Mexico
    consultada em 11/10/2026
  5. U.S. Fish and Wildlife Service — Monarch butterfly (Danaus plexippus)
    consultada em 11/10/2026
  6. Texas Parks & Wildlife Magazine — Catalina Trail (perfil)
    consultada em 11/10/2026
  7. Monarch Watch (Universidade do Kansas) — In Pursuit of a Little History – A Retraction
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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