Civilizações antigas

Mohenjo-daro: cidade planejada do vale do Indo, com ruas em quadras e esgotos, e uma escrita não decifrada

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Mohenjo-daro, no atual Paquistão, foi o maior centro da civilização do Indo (cerca de 2600–1900 a.C.). Foi traçada com notável regularidade, em quadras separadas por vielas retas, e a maioria das casas tinha banheiro e ligação a drenos. Seus habitantes usavam uma escrita, conhecida por selos, que ninguém conseguiu decifrar: são cerca de 400 sinais, em textos curtos e sem texto bilíngue.

A cidade fica na margem direita do Indo, na província de Sindh, a cerca de 80 km a sudoeste de Sukkur. A importância do sítio foi reconhecida em 1922, um ano depois da descoberta de Harappa, a outra grande cidade da civilização. Mohenjo-daro tinha cerca de 5 km de perímetro e uma cidadela elevada, com um grande tanque, um grande celeiro e salões de reunião. Na cidade baixa havia casas com pátio, sinal de uma classe média considerável. Muita coisa segue em aberto: a relação entre Mohenjo-daro e Harappa, o motivo do declínio e a língua dos habitantes. Escavações antigas atribuíram a queda a uma invasão, mas essa história hoje é contestada por especialistas.

O massacre que as escavações não confirmam

Durante décadas se falou em uma matança em Mohenjo-daro, a partir de esqueletos achados nas escavações de 1922–1931. O arqueólogo George Dales mostrou que eram cerca de 37 esqueletos, todos na cidade baixa e nenhum na cidadela, vários grupos em camadas posteriores às casas, sem armas nem fortalezas queimadas que provassem uma conquista.

Uma das duas grandes cidades

A civilização do Indo ocupou, no auge, cerca de 1 milhão de km², entre 2600 e 1900 a.C., segundo artigo publicado na PLoS ONE. Mohenjo-daro e Harappa eram seus dois principais centros, separados por cerca de 640 km. O nome Mohenjo-daro costuma ser traduzido como monte dos mortos, mas a Britannica diz que o significado é apenas reputado assim. A cidade foi reconhecida em 1922, um ano depois de Harappa, e está na lista da Unesco desde 1980.

Quadras, drenos e uma cidadela

A cidade foi traçada em cerca de uma dúzia de quadras, cada uma com mais ou menos 384 m por 228 m, com vielas retas ou quebradas. Na parte oeste, a cidadela foi erguida com barro e tijolo até 6–12 m de altura. Lá ficavam o grande tanque, o celeiro e salões de reunião. Na cidade baixa, casas com pátio e pequenos banheiros se ligavam a drenos, como as ruas.

Uma escrita que ainda não fala

A escrita do Indo aparece em selos, cerâmica e objetos de cobre. Os textos são curtos, de no máximo 14 sinais por linha, e os catálogos contam entre cerca de 400 e 676 sinais, conforme o critério. O Serviço Arqueológico da Índia destaca que não há textos bilíngues e que a natureza da escrita e da língua é incerta. Por isso, apesar de tentativas de análise estatística, nenhuma proposta de decifração foi aceita.

Do massacre ao enigma do fim

Nas escavações de 1922 a 1931 apareceram apenas cerca de 37 esqueletos da época da civilização, todos na cidade baixa. Dales mostrou que vários grupos estavam em camadas posteriores às casas e que não havia armas nem fortalezas queimadas, de modo que a teoria de um massacre por invasores não se sustenta. Há evidência de enchentes graves, e a Britannica lembra a hipótese de que Harappa tenha sobrevivido a Mohenjo-daro. A causa do declínio segue em debate.

Como sabemos

Descrição urbana e estado da escrita estão em fontes institucionais; as causas do declínio e a língua são apresentadas como em aberto.

Em debate: Declínio: a teoria de que invasores destruíram a cidade foi popular no século XX, mas George Dales (Penn Museum) mostrou que os esqueletos citados não provam um massacre; a Britannica cita evidência de enchentes graves, e não há consenso sobre a causa.

Em debate: Escrita: há mais de um século não há decifração aceita, e o Serviço Arqueológico da Índia lembra que há incerteza até sobre a natureza da escrita e da língua; textos curtos e a ausência de bilíngue limitam qualquer conclusão.

Em debate: Relação com Harappa: não se sabe se as duas cidades coexistiram como centros ou se uma sucedeu a outra.

Fontes

  1. Encyclopaedia Britannica — Mohenjo-daro
    consultada em 04/10/2026
  2. Penn Museum, Expedition Magazine — The Mythical Massacre at Mohenjo-Daro
    consultada em 04/10/2026
  3. PLoS ONE (PubMed Central) — Statistical Analysis of the Indus Script Using n-Grams
    consultada em 04/10/2026
  4. Archaeological Survey of India (governo da Índia) — Decipherment of Indus Script: Current Status and Way Forward
    consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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