Ecologia

Como o milho atacado atrai os inimigos do atacante: voláteis guiam vespas parasitoides e nematoides

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Plantas em ação

Quando lagartas atacam o milho, a planta passa a liberar terpenos voláteis, e vespas parasitoides aprendem a usá-los para achar as lagartas. Nas raízes, larvas do besouro Diabrotica virgifera induzem a emissão de (E)-β-cariofileno, que atrai nematoides capazes de matá-las. Em campo, com nematoides aplicados, milho transformado para emitir o composto teve cerca de 60% menos besouros adultos que o não emissor.

Parasitoides são insetos, como certas vespas, cujas larvas se desenvolvem dentro de outro inseto e o matam. Nematoides entomopatogênicos são vermes microscópicos do solo que infectam insetos e os matam. Ambos são inimigos naturais de herbívoros. Voláteis induzidos pela herbivoria (HIPVs, na sigla em inglês) são compostos gasosos, muitos deles terpenos, que a planta emite em maior quantidade ou em outra composição depois de atacada. Quando esses odores ajudam um inimigo do herbívoro a encontrá-lo, fala-se em defesa indireta: a planta não envenena o inseto, mas aumenta a chance de ele ser achado. O termo descreve um efeito medido e não pressupõe intenção. A pergunta aqui é como esse efeito foi demonstrado, nas folhas e nas raízes do milho.

O sinal que o melhoramento perdeu

Em 2005, a maioria das linhagens de milho norte-americanas testadas não emitia (E)-β-cariofileno sob ataque da larva, enquanto linhagens europeias e o teosinto, ancestral selvagem do milho, emitiam. Os autores inferiram que o sinal se perdeu durante o melhoramento.

Nas folhas: o experimento de 1990 com milho e vespas

Turlings e colegas compararam plântulas de milho intactas, feridas à mão, feridas com secreção oral de lagarta e realmente comidas por lagartas. Só as comidas por lagartas, ou feridas com a secreção delas, liberaram os terpenoides em quantidade, o que indica que a planta reage a algo na secreção do inseto, e não apenas ao corte. A vespa Cotesia marginiventris aprendeu a associar esse odor a hospedeiros. Era uma demonstração de laboratório; a função em campo veio depois.

Nas raízes: um nematoide e uma molécula identificada

Em 2005, um grupo de Neuchâtel e do Instituto Max Planck de Ecologia Química identificou o (E)-β-cariofileno liberado por raízes de milho mordidas por larvas de Diabrotica. O composto atraiu o nematoide e, no campo, a infecção das larvas foi cinco vezes maior numa variedade emissora. A ausência do sinal na maioria das linhagens norte-americanas testadas é uma explicação proposta para o fraco resultado de tentativas anteriores de controle com nematoides.

Como sabemos: o teste de campo de 2009 com milho transformado

Para separar o cariofileno de outras diferenças entre variedades, Degenhardt e colegas inseriram um gene de orégano numa linhagem que não emitia o composto. Em parcelas com ovos de Diabrotica e nematoides aplicados, as plantas emissoras tiveram menos dano nas raízes e cerca de 60% menos besouros emergindo. Sem nematoides, não houve diferença. Larvas criadas em plantas transformadas cresceram e sobreviveram igual, o que descarta efeito direto da planta sobre a larva. Nematoides nativos podem ter contribuído um pouco no fim da estação.

Limites e o que continua em aberto

Em 2001, Kessler e Baldwin mostraram, em populações naturais de tabaco-selvagem, que voláteis isolados aumentam a predação de ovos, e estimaram redução de mais de 90% no número de herbívoros, o que indica que a defesa indireta opera fora da lavoura. Uma revisão de 2023 lembra que a função desses voláteis em diferentes escalas segue em debate e que a distância de detecção pelos parasitoides em campo é mal conhecida. Os resultados do milho valem para o milho e suas pragas; não se transferem a todas as plantas.

Como sabemos

Os resultados centrais vêm de artigos revisados por pares, mas três das cinco fontes foram lidas só no resumo e o teste de campo de 2009 é de um local e uma estação.

Fontes

  1. Science — Exploitation of herbivore-induced plant odors by host-seeking parasitic wasps
    Turlings, T. C. J.; Tumlinson, J. H.; Lewis, W. J. · 1990 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.250.4985.1251
  2. Nature — Recruitment of entomopathogenic nematodes by insect-damaged maize roots
    Rasmann, S.; Köllner, T. G.; Degenhardt, J.; Hiltpold, I.; Toepfer, S.; Kuhlmann, U.; Gershenzon, J.; Turlings, T. C. J. · 2005 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/nature03451
  3. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — Restoring a maize root signal that attracts insect-killing nematodes to control a major pest
    Degenhardt, J.; Hiltpold, I.; Köllner, T. G.; Frey, M.; Gierl, A.; Gershenzon, J.; Hibbard, B. E.; Ellersieck, M. R.; Turlings, T. C. J. · 2009 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.0906365106
  4. Science — Defensive function of herbivore-induced plant volatile emissions in nature
    Kessler, A.; Baldwin, I. T. · 2001 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.291.5511.2141
  5. Cells (MDPI) — Tritrophic Interactions among Arthropod Natural Enemies, Herbivores and Plants Considering Volatile Blends at Different Scale Levels
    Autores da revisão publicada em Cells, 12(2):251 · 2023 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3390/cells12020251
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 11; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos