Astronomia
O meteorito Bendegó: um bloco de ferro de 5,36 toneladas, achado no sertão da Bahia em 1784
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O Bendegó é um meteorito de ferro e níquel com 5.360 kg, o maior já encontrado no Brasil. Foi achado em 1784 no sertão da Bahia e foi o primeiro meteorito reconhecido no país. Em 1888 foi levado ao Rio de Janeiro, onde ficou no Museu Nacional. Em 2 de setembro de 2018, o museu pegou fogo e o Bendegó sobreviveu.
Meteoritos de ferro são formados sobretudo por liga de ferro e níquel. O Bendegó foi encontrado em 1784, no interior baiano, e acabou classificado como o primeiro meteorito reconhecido no Brasil. Fragmentos dele chegaram à Royal Society, em Londres, e foram estudados por William Wollaston, que publicou os resultados em 1816. Pelo peso, o bloco ficou décadas no local do achado. Em 1888, uma expedição chefiada pelo engenheiro José Carlos de Carvalho o levou de trem até Salvador e de navio até o Rio. A princesa Isabel o recebeu em 15 de junho daquele ano. Hoje ele ocupa o 16º lugar entre as maiores massas de ferro e níquel de origem espacial catalogadas no mundo.
A prova de fogo
No incêndio de 2 de setembro de 2018, que destruiu boa parte do Museu Nacional, o Bendegó permaneceu inteiro. Especialistas lembram que qualquer material exposto a calor intenso pode ter a superfície ou o interior alterados.
O que é um meteorito de ferro
O Bendegó é feito sobretudo de ferro e níquel, o que o coloca entre os meteoritos metálicos. O bloco, de mais de cinco toneladas, chegou inteiro aos dias de hoje, e o local do achado ainda tenha restos de óxido do próprio meteorito espalhados pelo solo.
O primeiro estudo científico
Fragmentos do Bendegó foram enviados à Royal Society, em Londres. Em 1816, a Philosophical Transactions publicou dois textos: o relato de Mornay sobre o achado e as análises do químico William Wollaston sobre a massa de ferro nativo encontrada no Brasil. Os dois artigos aparecem entre as referências do estudo moderno sobre o meteorito.
A remoção de 1888
Mais de um século depois do achado, a remoção foi organizada para levá-lo ao Rio de Janeiro. A operação foi chefiada por José Carlos de Carvalho, com os engenheiros Vicente José de Carvalho e Humberto Saraiva Antunes. O bloco seguiu de trem até Salvador e de navio até a capital, onde a princesa Isabel o recebeu em 15 de junho de 1888. O relatório da expedição tem 68 páginas e 18 pranchas ilustradas.
A cratera que ninguém achou
Em 2010, pesquisas no local do achado tentaram encontrar indícios de uma cratera de impacto associada à queda. Os resultados não foram conclusivos. Isso mostra que ainda há perguntas abertas sobre o Bendegó: a data da queda e as circunstâncias dela continuam sem resposta documentada nas fontes consultadas.
Como sabemos
Os dados centrais (1784, 5.360 kg, 1888, incêndio) estão em fontes oficiais, mas faltaram fonte de classificação química e de detalhes do transporte.
- Fato estabelecido: O Bendegó foi encontrado em 1784 no sertão da Bahia. [1] [2]
- Fato estabelecido: Sua massa é de 5.360 kg. [1] [2] [4]
- Fato estabelecido: É o maior meteorito encontrado em solo brasileiro (maior espécime da coleção brasileira). [1]
- Fato estabelecido: É composto principalmente de ferro e níquel. [2]
- Fato estabelecido: Foi o primeiro meteorito reconhecido no Brasil. [2]
- Fato estabelecido: Ocupa o 16º lugar entre as maiores massas de ferro e níquel de origem espacial catalogadas no mundo. [2] [4]
Posição segundo o SGB; ranking pode mudar com novas descobertas. - Fato estabelecido: Mornay e Wollaston publicaram, em 1816, na Philosophical Transactions, o relato do achado e as análises de fragmentos do Bendegó. [1]
- Fato estabelecido: Em 1888 o meteorito foi removido do sertão da Bahia para o Museu Nacional, por operação liderada por José Carlos de Carvalho, que escreveu um relatório sobre a remoção. [3] [5]
- Fato estabelecido: O transporte incluiu trem até Salvador e navio até o Rio de Janeiro. [4]
- Fato estabelecido: A princesa Isabel recebeu o meteorito em 15 de junho de 1888. [4] [5]
- Fato estabelecido: O Bendegó sobreviveu ao incêndio do Museu Nacional de 2 de setembro de 2018. [4]
- Interpretação: Qualquer material exposto a calor intenso pode sofrer alteração de superfície ou de núcleo, segundo o arqueólogo Gerson Levi Lazzaris. [4]
Opinião de especialista; não há aqui medição publicada do efeito do fogo no Bendegó. - Fato estabelecido: Estudos de 2010 buscaram indícios de uma cratera de impacto no local do achado, sem resultado conclusivo. [2]
- Fato estabelecido: Restos de óxido do meteorito ainda estão espalhados pelo local do achado. [2]
Fontes
- Revista Brasileira de Geociências / SciELO — O Meteorito Bendegó: história, mineralogia e classificação química
consultada em 06/10/2026 - Serviço Geológico do Brasil (SGB) — Meteorito Bendegó (Geossítio)
consultada em 06/10/2026 - Biblioteca Digital de Obras Raras, UFRJ — Meteorito de Bendegó: relatório sobre a remoção do meteorito do sertão da Bahia para o Museu Nacional (J. C. de Carvalho, 1888)
consultada em 06/10/2026 - Gazeta do Povo — A história do meteorito que sobreviveu ao incêndio
consultada em 06/10/2026 - Prefeitura de Juiz de Fora — Relatório de 1888 conta processo de transporte do meteorito de Bendegó até o Museu Nacional
consultada em 06/10/2026
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