Grandes descobertas

O méson pi: como placas fotográficas levadas aos Andes revelaram uma partícula nova

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 1947, o grupo de Cecil Powell, em Bristol, publicou na Nature evidências de mésons que, ao fim do alcance, dão origem a um méson secundário. As provas vieram de placas fotográficas expostas em montanhas, entre elas o Chacaltaya, na Bolívia, a cerca de 5.500 m. Os traços mostravam duas partículas distintas: o méson pi, o píon, e o múon, mais leve.

Em meados da década de 1930, o japonês Hideki Yukawa propôs que uma partícula intermediária explicaria a coesão do núcleo atômico. A partícula achada em raios cósmicos em 1936 por Anderson e Neddermeyer, o múon, não correspondia a ela. Em Bristol, Powell, Giuseppe Occhialini e o brasileiro César Lattes usaram emulsões nucleares, placas fotográficas que registram o caminho de partículas carregadas. Lattes pediu à fabricante Ilford que acrescentasse boro à gelatina, o que prolongou a retenção das imagens e a sensibilidade das placas. Expostas a grande altitude, onde os raios cósmicos são mais abundantes, elas mostraram o que as câmaras de nuvem não haviam mostrado.

A primeira anotação foi de uma analista de placas

O primeiro "méson duplo" nas placas de Bristol foi encontrado por Marietta Kurz, que examinava as emulsões ao microscópio. Cada traço era seguido à mão, grão de prata por grão de prata.

Por que subir a 5.500 m

Os raios cósmicos primários colidem com a atmosfera e geram partículas secundárias. Quanto mais alto o ponto de exposição, menos ar elas atravessaram e mais delas chegam à placa. No Chacaltaya, a cerca de 5.500 m, as placas ficavam expostas bem acima do que o Pic du Midi, a cerca de 2.800 m, permitia.

O papel do boro

Lattes pediu à Ilford que adicionasse boro à gelatina. Segundo a Pesquisa FAPESP, isso aumentou o tempo de retenção das imagens e estendeu o período de sensibilidade das placas, o que ajudou a registrar partículas rápidas e de vida curta.

Duas partículas, não uma

Antes de 1947, o múon, achado em 1936, era candidato à partícula de Yukawa, mas não interagia fortemente com núcleos. As placas de Bristol mostraram um méson mais pesado que, ao parar, dá origem a outro mais leve. O mais pesado é o píon; o outro, o múon.

Reconhecimento desigual

O Nobel de Física de 1950 foi para Cecil Powell, sozinho, pelo método fotográfico. Lattes teve sete indicações ao prêmio e nunca o ganhou. Também é lembrado o trabalho de Marietta Kurz, que localizou o primeiro méson duplo.

Como sabemos

Fatos centrais coerentes entre três fontes secundárias; artigos originais da Nature e a palestra do Nobel não puderam ser abertos.

Fontes

  1. Pesquisa FAPESP — A grande contribuição (César Lattes e o píon)
    consultada em 06/10/2026
  2. Grupo de História e Teoria da Ciência, Universidade de São Paulo — Pi meson: discovery (Lattes, Occhialini, Powell)
    consultada em 06/10/2026
  3. Grupo de História e Teoria da Ciência, Universidade de São Paulo — César Lattes
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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