Química

Mendeleev deixou lacunas na tabela de 1869 e previu elementos que seriam descobertos nas décadas seguintes

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026

Em 1869, o químico russo Dmitri Mendeleev ordenou os 63 elementos então conhecidos por peso atômico e propriedades químicas, e deixou espaços vazios onde nada se encaixava. Depois, descreveu o que cada vazio deveria conter. O eka-alumínio apareceu como gálio em 1875, o eka-boro como escândio em 1879 e o eka-silício como germânio em 1886. Foi a previsão, mais que a tabela em si, que firmou sua fama.

Mendeleev nasceu em Tobolsk, na Sibéria, em 1834, e lecionava química em São Petersburgo. Ao preparar um manual, precisava organizar a discussão dos elementos conhecidos e percebeu que propriedades parecidas se repetiam a intervalos quando os dispunha por peso atômico. Onde a regra pedia um elemento que ninguém conhecia, deixou um ponto de interrogação. Também sugeriu que alguns pesos atômicos aceitos precisavam de correção. Não estava sozinho: Julius Lothar Meyer chegou a tabelas semelhantes entre 1864 e 1870, e John Newlands propôs em 1865 a lei das oitavas. O que distinguiu Mendeleev foi tratar as lacunas como previsões detalhadas e arriscadas. Em 1913, Henry Moseley mostrou que o que ordena os elementos é o número atômico, não o peso.

Um problema de tradução entrou na disputa com Meyer

Segundo o historiador Michael Gordin, citado pela revista do Science History Institute, a tradução alemã do trabalho de Mendeleev verteu a palavra russa para "periódico" como "em degraus". Meyer usou isso para sustentar que o russo não percebera a periodicidade, e Mendeleev rebateu que dissera o contrário.

Um manual e 63 elementos

Segundo o AIP, a tabela de 1869 nasceu de uma necessidade didática: Mendeleev precisava organizar a discussão dos 63 elementos conhecidos num manual de química. Começou a ordená-los por peso atômico e propriedades químicas e notou que grupos de elementos semelhantes reapareciam em intervalos. Os pontos de interrogação nos pesos 45, 68, 70 e 180 eram, de início, um recurso de ensino, e só depois ele os tratou como previsões de elementos não descobertos.

Lacunas viram previsões

Mendeleev batizou três ausentes a partir do sânscrito eka, "um": eka-boro (peso previsto 44), eka-alumínio (68) e eka-silício (72). O gálio surgiu em 1875, com peso atômico de cerca de 69,7; o escândio, em 1879; o germânio, em 1886. Segundo o AIP, as previsões se mostraram notavelmente precisas, e foi isso que consagrou o sistema.

Outros chegaram perto

A ideia de que as propriedades dos elementos se repetem tinha antecessores. Chancourtois desenhou em 1862 a "hélice telúrica", Newlands propôs em 1865 a lei das oitavas, que a Sociedade Química de Londres rejeitou de início, e Lothar Meyer publicou em 1870 uma curva de volume atômico contra peso atômico. A tabela de Mendeleev se impôs, segundo a historiografia, pelas previsões e pela insistência em reivindicar a prioridade.

O que veio depois

O peso atômico não é o princípio final da ordem. Em 1913, Henry Moseley usou raios X para medir o número atômico, que explicou por que certos pares, como iodo e telúrio, precisavam ser invertidos em relação ao peso. Nos anos 1890, a descoberta dos gases nobres, segundo a RSC, confirmou o quadro de forma inesperada, em vez de contradizê-lo, e deu à tabela o ritmo de oito que conhecemos.

Como sabemos

Datas e correspondências entre previsões e descobertas confirmadas em fontes institucionais; a leitura sobre o porquê do crédito é apresentada como interpretação.

Em debate: Houve disputa de prioridade entre Mendeleev e Lothar Meyer, que publicou tabelas parecidas em 1870, e antes deles houve tentativas de Chancourtois (1862) e Newlands (1865). Mendeleev costuma receber o crédito principal sobretudo por ter usado a tabela para fazer previsões testáveis.

Fontes

  1. American Institute of Physics (AIP) — A look at the first published periodic table
    consultada em 04/10/2026
  2. Science History Institute — An Element of Order
    consultada em 04/10/2026
  3. Royal Society of Chemistry — Development of the periodic table
    consultada em 04/10/2026
  4. arXiv (preprint de Subhash Kak) — Mendeleev and the Periodic Table of Elements (traduz o artigo de 1869 e as previsões de 1871)
    consultada em 04/10/2026
  5. Encyclopedia.com (Complete Dictionary of Scientific Biography) — Dmitri Ivanovich Mendeleev
    consultada em 04/10/2026
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