Genética

Mendel e as ervilhas: como um monge descobriu as leis da herança sem ver um gene

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Entre 1856 e 1863, o monge Gregor Mendel cruzou quase 30 mil pés de ervilha em Brno e contou os descendentes. Em um dos testes, 5.474 sementes saíram lisas e 1.850 rugosas, uma razão próxima de 3 para 1. Os números indicavam que a herança se transmite em unidades discretas, que não se diluem. Ele fez isso décadas antes de alguém falar em gene.

Mendel (1822-1884) entrou em 1843 na Abadia de São Tomás, em Brünn, hoje Brno, na República Tcheca. Escolheu a ervilha-de-jardim, Pisum sativum, e acompanhou caracteres com duas formas bem distintas, como semente lisa ou rugosa. O diferencial foi o método: cruzamentos controlados, gerações seguidas e contagem de todos os descendentes. Apresentou os resultados em 1865 à Sociedade de História Natural de Brünn e os publicou em 1866 como "Versuche über Pflanzenhybriden". Na época, a ideia dominante era que os caracteres dos pais se misturavam nos filhos. Os dados de Mendel mostraram outra coisa: uma forma desaparecia numa geração e reaparecia na seguinte, em proporção previsível.

Quem redescobriu Mendel

Em 1900, Hugo de Vries, Carl Correns e Erich von Tschermak chegaram, cada um por conta própria, aos mesmos padrões em seus cruzamentos e encontraram o artigo de Mendel na literatura.

Um monge naturalista

Mendel entrou em 1843 na Abadia de São Tomás, em Brünn. Entre 1856 e 1863 cultivou e cruzou ervilhas-de-jardim no mosteiro. A fonte do Embryo Project fala em quase 30 mil plantas cruzadas, uma escala incomum para a época, que dava peso estatístico a cada razão observada.

Sete caracteres, um padrão

Foram sete experimentos, cada um com um caráter de duas formas. Na segunda geração, a forma que sumira na primeira voltava em cerca de um quarto dos descendentes. Foi o caso da semente rugosa (1.850 de 7.324) e da verde (2.001 de 8.023). A regularidade apontava para unidades que se separam e se recombinam.

Ignorado, depois redescoberto

Mendel apresentou o trabalho em 1865 e o publicou em 1866. Foi pouco notado. Em 1900, De Vries, Correns e Von Tschermak chegaram por conta própria a resultados iguais e encontraram o artigo. Por que ele ficou esquecido é questão em aberto; os autores sugerem isolamento intelectual e um método inovador demais.

Do fator ao gene

Mendel não conhecia o DNA nem os cromossomos. Falava em 'Elemente' hipotéticos. Em 1903 e 1904, Sutton e Boveri ligaram a herança aos cromossomos. Hoje o gene é definido como a unidade básica da herança, e o genoma humano tem cerca de 20 mil genes que codificam proteínas.

Como sabemos

Datas, contagens e a redescoberta de 1900 confirmadas em fontes institucionais; a causa do esquecimento é apresentada como hipótese.

Em debate: Não há explicação única. Propostas incluem o isolamento intelectual de Brno e o caráter inovador do método, que combinava hipótese e estatística. Os historiadores seguem debatendo o peso de cada fator.

Fontes

  1. PubMed Central (NIH/NLM) — Bicentennial of Gregor Johann Mendel's birth: Mendel's work still addresses geneticists in 2022
    consultada em 06/10/2026
  2. Embryo Project Encyclopedia, Arizona State University — Johann Gregor Mendel (1822-1884)
    consultada em 06/10/2026
  3. Universidade de Washington (E. A. Thompson) — Mendel's experiments
    consultada em 06/10/2026
  4. National Human Genome Research Institute — Gene (Talking Glossary of Genomic and Genetic Terms)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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