Tecnologia
O Mecanismo de Antikythera: uma calculadora astronômica grega de engrenagens de bronze
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
O Mecanismo de Antikythera foi achado em 1901 num naufrágio romano e é um aparelho grego de engrenagens de bronze, construído por volta do fim do século II a.C. Calculava ciclos astronômicos, como as fases da Lua e um calendário lunissolar, e previa eclipses. Restam 82 fragmentos, cerca de um terço do original, com 30 engrenagens. Segundo a Nature, era tecnicamente mais complexo que qualquer aparelho conhecido por pelo menos mil anos depois.
O nome vem da ilha onde o naufrágio foi encontrado. As engrenagens e as inscrições, em letras minúsculas, ficaram soterradas por mais de 2 mil anos, e só a tomografia computadorizada por raios X, feita em 2005, permitiu ler grande parte delas. Atrás do aparelho havia um calendário de 19 anos, baseado no ciclo de Méton, e um mostrador de eclipses de 223 meses lunares, o ciclo de Saros. Inscrições descrevem ainda o movimento do Sol, da Lua e dos cinco planetas conhecidos na Antiguidade. A origem exata do aparelho não está estabelecida, e a frente foi reconstruída por hipóteses, porque faltam peças: a proposta de 2021 é um modelo que seus autores dizem ajustar-se a todas as evidências.
Um mostrador para os Jogos
Um dos mostradores traseiros, antes tomado por um ciclo de 76 anos, segue na verdade o ciclo de quatro anos da Olimpíada e dos Jogos pan-helênicos. Os nomes dos meses do calendário são de origem coríntia, o que sugere colônias de Corinto no noroeste da Grécia ou Siracusa, na Sicília, como possíveis origens.
Do naufrágio à tomografia
O aparelho foi encontrado em 1901, no naufrágio romano que deu nome ao achado, e hoje está dividido em 82 fragmentos, dos quais apenas cerca de um terço do original sobrevive. Entre eles estão 30 engrenagens de bronze corroídas, 27 delas no fragmento A. Em 2005, a tomografia por raios X e uma técnica de imagem de superfície revelaram detalhes em escala de milímetros e milhares de caracteres minúsculos, escondidos por mais de 2 mil anos dentro dos fragmentos.
O que o verso calculava
Na parte de trás ficavam dois mostradores em espiral. O de cima era um calendário de 19 anos, baseado no ciclo de Méton, com cinco voltas. O de baixo era um mostrador de eclipses com quatro voltas e 223 meses lunares, o ciclo de Saros, com glifos que indicavam eclipses previstos. Em 2008, pesquisadores leram os 12 nomes de mês do calendário, de origem coríntia, e viram que outro mostrador seguia o ciclo de quatro anos da Olimpíada e dos Jogos pan-helênicos.
A frente e o cosmos
A frente era a parte mais difícil. Inscrições listam os ciclos sinódicos dos planetas, e o texto da tampa traseira descreve um cosmos em anéis, com pequenas esferas para os planetas e uma pequena esfera dourada para o Sol. Números lidos em 2016 deram períodos acurados para Vênus e Saturno. Em 2021, a equipe de Tony Freeth propôs um modelo de engrenagens e anéis em tubos aninhados, para Lua, Nodos, planetas, Sol e data, que, segundo eles, corresponde a todas as evidências.
Quem sabia o quê
Os autores veem no aparelho uma combinação de ciclos da astronomia babilônica, matemática da Academia de Platão e teorias gregas, como as de epiciclos de Apolônio de Perga. O Mecanismo mostra um nível de mecanização que, segundo a Nature em 2006, só voltaria a aparecer mais de mil anos depois. A origem exata do aparelho não está estabelecida, e o que se sabe de sua função vem das inscrições e das engrenagens que sobreviveram.
Como sabemos
Estrutura, descoberta e funções dos mostradores vêm de artigos revisados na Nature e na Scientific Reports; a frente é apresentada como reconstrução.
Em debate: Frente do aparelho: a parte traseira foi resolvida com a tomografia de 2005, mas a frente seguiu em disputa por falta de peças. Várias reconstruções foram propostas (Rehm, Price, Wright, Freeth e Jones, Carman, Thorndike e Evans); o modelo de 2021 afirma casar com todas as evidências, mas continua sendo uma reconstrução.
Em debate: Origem: o aparelho é grego, mas sua origem exata não está estabelecida. Os nomes de meses coríntios sugerem Corinto ou suas colônias; o artigo da Nature de 2008 cita Siracusa como possível ligação com a herança de Arquimedes, o que é apenas uma possibilidade.
- Evidência forte: O Mecanismo de Antikythera é um aparelho grego de engrenagens, construído por volta do fim do século II a.C. [1]
A datação é aproximada, a partir de escrita e conteúdo das inscrições. - Fato estabelecido: Foi encontrado em 1901 num naufrágio romano, de onde vem o nome. [1]
- Interpretação: Era tecnicamente mais complexo que qualquer aparelho conhecido por pelo menos mil anos depois. [1]
Avaliação dos autores do artigo da Nature de 2006. - Fato estabelecido: Está dividido em 82 fragmentos; só cerca de um terço do original sobrevive, incluindo 30 engrenagens de bronze corroídas. [3]
- Fato estabelecido: A tomografia por raios X de 2005 decifrou a estrutura da parte traseira e revelou inscrições sobre os movimentos do Sol, da Lua e dos cinco planetas conhecidos na Antiguidade. [3]
- Fato estabelecido: O mostrador traseiro superior é um calendário de 19 anos baseado no ciclo de Méton, em espiral de cinco voltas; o inferior é um mostrador de previsão de eclipses de 223 meses lunares (ciclo de Saros), em espiral de quatro voltas. [2]
- Interpretação: Os nomes dos 12 meses do calendário são de origem coríntia; as colônias de Corinto no noroeste da Grécia ou Siracusa, na Sicília, são as origens mais prováveis. [2]
Os autores dizem 'leading contenders'; a origem do aparelho não é conhecida. - Evidência forte: O mostrador subsidiário superior segue o ciclo de quatro anos da Olimpíada e dos Jogos pan-helênicos, e não um ciclo calipico de 76 anos como se supunha. [2]
- Fato estabelecido: O fragmento A contém 27 das 30 engrenagens que sobrevivem. [3]
- Fato estabelecido: Inscrições na frente listam ciclos sinódicos dos planetas, e números lidos em 2016 dão relações de período para Vênus (289 ciclos em 462 anos) e Saturno (427 em 442). [3]
- Hipótese: A frente do aparelho permaneceu controversa por perda de evidência física; o modelo de 2021, com anéis para Lua, Nodos, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e Data, é uma reconstrução proposta pelos autores. [3]
Reconstrução baseada em evidência parcial; os autores afirmam que o modelo é compatível com os dados, mas outras reconstruções foram tentadas antes. - Interpretação: Segundo os autores do estudo de 2021, o aparelho combinava ciclos da astronomia babilônica, matemática da Academia de Platão e teorias astronômicas gregas. [3]
Avaliação dos próprios autores.
Fontes
- Nature — Decoding the ancient Greek astronomical calculator known as the Antikythera Mechanism
consultada em 04/10/2026 - Nature — Calendars with Olympiad display and eclipse prediction on the Antikythera Mechanism
consultada em 04/10/2026 - Scientific Reports (Nature) — A Model of the Cosmos in the ancient Greek Antikythera Mechanism
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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