Ecologia

Mata nova e mata velha: biomassa e riqueza de espécies voltam em décadas, a composição leva séculos

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Em florestas tropicais que voltam a crescer em terra agrícola abandonada, a biomassa chega a 90% da de uma floresta antiga em 66 anos (mediana) e a riqueza de espécies de árvores em cerca de cinco décadas. A composição, isto é, quais espécies e em que proporção, leva séculos para se igualar, segundo estimativas feitas com dezenas de áreas no Neotrópico.

Floresta secundária é a que cresce de novo depois que a original foi derrubada. Floresta antiga, ou madura, nunca foi cortada ou teve recuperação muito longa. Os estudos usam cronossequências: parcelas de idades conhecidas, comparadas no mesmo momento. A biomassa é a massa de matéria viva acima do solo; a riqueza é o número de espécies; a composição diz quais espécies são e quão abundantes. Os dados aqui vêm de dezenas de sítios do Neotrópico e de estudos pontuais na Mata Atlântica, e os números médios escondem diferenças fortes entre regiões úmidas e secas.

Cento e vinte anos não bastaram

Em parcelas do Panamá com 40 a 120 anos de regeneração, apenas uma convergia para a composição da floresta antiga aos 120 anos, embora a estrutura já tivesse se recuperado havia décadas.

O que volta primeiro: a estrutura e a biomassa

Em 45 sítios neotropicais, a biomassa acima do solo chegou em média a 122 Mg/ha aos 20 anos e levou uma mediana de 66 anos para atingir 90% da biomassa de floresta antiga. A variação é grande: de 20 a 225 Mg/ha aos 20 anos, com mais recuperação onde chove mais. No Panamá, a estrutura da floresta (altura, tamanho e densidade das árvores) voltou ao nível da antiga em cerca de 90 anos. Uma floresta jovem armazena carbono depressa, mas não é igual à antiga.

O que demora: quais espécies

Contar espécies e comparar identidades são perguntas diferentes. O número de espécies de árvores se recupera em cerca de cinco décadas, mas as espécies presentes continuam diferentes: faltam as raras e as especialistas de floresta antiga. Os autores propõem duas causas, ainda como hipótese: espécies raras dispersam mal e muitas árvores vivem séculos, o que torna a troca de espécies lenta. No Panamá, uma pioneira de vida longa dominante no início parece ter atrasado ainda mais a recuperação.

Como sabemos: cronossequências e seus limites

Ninguém acompanhou uma floresta por séculos. Os estudos comparam, no mesmo ano, parcelas com idades conhecidas, um método chamado cronossequência. No estudo multissítio, a riqueza foi medida como o número de espécies em 25 troncos com 5 cm ou mais de diâmetro e a composição, pela semelhança com parcelas de floresta antiga. Como a maior parte das pesquisas se concentra em florestas de até 40 anos, o prazo de 'séculos' combina projeção estatística com poucas cronossequências longas, como a do Panamá.

E na Mata Atlântica?

No sul da Bahia, o ciclo do nitrogênio no solo de florestas com 20 anos ou mais já era semelhante ao das mais velhas, resultado diferente do observado na Amazônia. Para o bioma inteiro, estimativas por satélite indicam que a regeneração acumula carbono 43% a 69% mais depressa em paisagens conectadas. Nenhuma das fontes lidas mede a composição de espécies de árvores da Mata Atlântica ao longo dos séculos; isso fica como lacuna.

Como sabemos

Os números centrais vêm de artigos de revistas lidos em texto integral (Rozendaal, Elsy) e em resumo (Poorter); a parte da Mata Atlântica usa dois estudos lidos em resumo.

Fontes

  1. Nature (resumo via PubMed/Europe PMC) — Biomass resilience of Neotropical secondary forests
    Poorter, L.; Bongers, F.; Aide, T. M.; et al. · 2016 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/nature16512
  2. Science Advances — Biodiversity recovery of Neotropical secondary forests
    Rozendaal, D. M. A.; Bongers, F.; Aide, T. M.; et al. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aau3114
  3. Biotropica — Incomplete recovery of tree community composition and rare species after 120 years of tropical forest succession in Panama
    Elsy, A. D.; Pfeifer, M.; Jones, I. L.; DeWalt, S. J.; Lopez, O. R.; Dent, D. H. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1111/btp.13275
  4. Scientific Reports — Nitrogen cycling during secondary succession in Atlantic Forest of Bahia, Brazil
    Winbourne, J. B.; Feng, A.; Reynolds, L.; Piotto, D.; Hastings, M. G.; Porder, S. · 2018 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-018-19403-0
  5. Communications Earth & Environment — Forest connectivity boosts carbon recovery in regenerating Atlantic Forests
    Rosan, T. M.; Vedovato, L. B.; Heinrich, V. H. A.; Silva-Junior, C. H. L.; et al. · 2026 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s43247-026-03480-5
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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