Astronomia
Por que Marte é vermelho? A poeira rica em óxidos de ferro e o debate sobre qual mineral dá a cor
Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026
Marte parece vermelho porque o ferro das rochas, do solo e da poeira está oxidado, ou seja, enferrujado, segundo a NASA. Os ventos espalham essa poeira fina pelo planeta e ela tinge a superfície e o céu. Por muito tempo se atribuiu a cor à hematita, um óxido de ferro sem água. Um estudo de 2025 na Nature Communications propôs outro mineral: a ferrihidrita, que contém água e se forma em água fria. A proposta se ajusta bem aos dados, mas só amostras trazidas à Terra poderão confirmá-la.
O ferro é abundante nas rochas de Marte. Em contato com oxigênio e, no caso da ferrihidrita, também com água, ele forma óxidos e hidróxidos avermelhados, a mesma família química da ferrugem comum. A poeira é fina o bastante para ser levantada pelo vento, e tempestades cobrem boa parte do planeta; depois delas, pode levar meses para a poeira assentar, diz a NASA. Como ela está por toda parte, a cor da poeira domina o que se vê da Terra. O mesmo pó, suspenso no ar fino, dá ao céu diurno um tom avermelhado e faz o pôr do sol parecer azulado, o inverso do que ocorre na Terra.
O pôr do sol em Marte é azulado
Em 19 de maio de 2005, o jipe Spirit fotografou o Sol se pondo na cratera Gusev. A poeira espalha a luz azul para a frente e forma um brilho azulado perto do Sol. A NASA diz que as cores da imagem são um pouco exageradas, mas parecidas com o que um observador veria.
Ferro enferrujado
A NASA explica a cor de Marte pela oxidação do ferro presente nas rochas, no regolito e na poeira. Ferrugem é um óxido de ferro: o metal reage com oxigênio e, em alguns minerais, com água, e passa a absorver parte da luz azul e a refletir tons avermelhados. Por isso uma camada fina de poeira basta para tingir a superfície de um planeta inteiro quando o vento a espalha.
A velha explicação: hematita
O resumo do artigo de 2025 lembra que estudos anteriores atribuíam a cor à hematita, um óxido de ferro anidro, formado por intemperismo recente. Nessa visão, a oxidação seria lenta e seca, em curso até hoje na superfície, sem exigir um período de água líquida para dar a cor à poeira.
A proposta de 2025: ferrihidrita
A equipe de Adomas Valantinas (então ligado à Universidade de Berna e depois à Brown) combinou espectros de sondas em órbita, de jipes e de laboratório, incluindo poeira artificial feita de ferrihidrita e basalto. Concluiu que a ferrihidrita, que contém água, explica a poeira. Isso sugere uma oxidação ocorrida quando Marte era frio e úmido. Os autores ressalvam que a verificação exige amostras na Terra.
Céu e pôr do sol
O ar de Marte é fino e a poeira em suspensão domina a cor do céu, que a NASA descreve como avermelhado. Perto do Sol, a poeira espalha luz azul para a frente. Por isso, quando o Sol está no horizonte, o brilho ao redor dele pode parecer azulado, como o Spirit registrou em 2005, o oposto dos pores do sol avermelhados da Terra.
Como sabemos
A causa geral (óxidos de ferro na poeira) é consenso; qual óxido domina é proposta recente ainda sem confirmação por amostras.
Em debate: Durante décadas a cor da poeira foi ligada à hematita, formada sem água. O estudo de 2025 propõe a ferrihidrita, que se forma em água fria e implicaria um passado úmido. Os autores dizem que a hipótese só será verificada com amostras marcianas na Terra.
- Consenso científico: A NASA atribui a cor avermelhada de Marte à oxidação (ferrugem) do ferro nas rochas, no regolito (solo) e na poeira do planeta. [3]
- Fato estabelecido: Os ventos levantam a poeira e, vista de longe, ela faz o planeta parecer em grande parte vermelho. [3]
- Fato estabelecido: Ventos fortes criam tempestades de poeira que cobrem boa parte do planeta; depois delas, pode levar meses para a poeira assentar. [3]
- Fato estabelecido: Estudos anteriores atribuíam a cor de Marte à hematita, um óxido de ferro sem água, formado por intemperismo recente. [1]
- Hipótese: Um estudo publicado em 25 de fevereiro de 2025 na Nature Communications (Valantinas e colegas) concluiu, a partir de espectros orbitais, de jipes e de laboratório, que a ferrihidrita, óxido-hidróxido de ferro mal cristalizado, é a fase de óxido de ferro dominante na poeira marciana. [1] [2]
Resultado de um estudo, com ajuste espectral e experimentos de estabilidade, mas os próprios autores dizem que só amostras marcianas na Terra poderão verificá-lo. - Interpretação: A mistura que melhor reproduz as observações é de ferrihidrita, basalto e sulfato em partículas ultrafinas. [1]
- Interpretação: Experimentos e cálculos cinéticos indicam que a ferrihidrita permanece estável nas condições atuais de Marte, preservando sua estrutura mal cristalizada. [1]
- Hipótese: Segundo o estudo, a ferrihidrita teria se formado num período frio e úmido do início de Marte, em condições oxidantes, antes da transição para o ambiente hiperárido atual. [1] [5]
Cenário proposto pelos autores; depende da confirmação da ferrihidrita e não data a formação da poeira. - Fato estabelecido: A ferrihidrita se forma em água fria, em temperaturas menores que as da hematita. [2] [5]
- Fato estabelecido: O estudo usou dados das sondas Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Express e Trace Gas Orbiter, dos jipes Curiosity e Opportunity, de Pathfinder/Sojourner e de laboratório. [1] [2] [5]
- Fato estabelecido: A NASA diz que a verificação definitiva depende de amostras que o jipe Perseverance coleta e que devem ser trazidas à Terra. [2] [5]
- Fato estabelecido: Em 19 de maio de 2005, o jipe Spirit registrou o pôr do sol na cratera Gusev: a poeira fina espalha a luz azul para a frente e cria um brilho azulado perto do Sol. [4]
- Fato estabelecido: A poeira suspensa dá ao céu de Marte uma cor avermelhada. [3] [4]
- Fato estabelecido: Visto de Marte, o Sol tem cerca de dois terços do diâmetro aparente que tem visto da Terra. [4]
Fontes
- Nature Communications (registro Crossref) — Valantinas et al. (2025). Resumo do artigo: ferrihidrita como óxido de ferro dominante na poeira marciana
consultada em 11/10/2026 - NASA/JPL — NASA: novo estudo sobre por que Marte é vermelho sustenta passado potencialmente habitável
consultada em 11/10/2026 - NASA — Mars Facts
consultada em 11/10/2026 - NASA — APOD 2 de março de 2014: Martian Sunset
consultada em 11/10/2026 - Universidade de Berna — Why Mars could be red
consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão