Astronomia

Marte já teve rios e lagos? As provas geológicas

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Marte hoje é frio e seco, mas suas rochas registram água líquida. Os rovers Curiosity e Perseverance encontraram sedimentos de lagos e de rios, com argilas e blocos de pedra. As datações apontam para cerca de 3,5 a 3,6 bilhões de anos atrás. Em Jezero, a NASA descreve um lago alimentado por rios que transbordaram a borda da cratera.

Imagens de satélite já mostravam vales ramificados e leitos secos, mas só a análise das rochas no solo permitiu distinguir água que escorreu de forma breve de água que ficou parada por muito tempo. Em Gale, o Curiosity examinou lamitos e concluiu, em 2013, que houve um lago de água doce há cerca de 3,6 bilhões de anos, possivelmente por dezenas de milhares de anos. Em Jezero, o Perseverance encontrou um delta que avançou sobre um lago e, acima dele, camadas de blocos de pedra de enchentes violentas. A pesquisa orbital com o instrumento OMEGA mostrou ainda que argilas aparecem nos terrenos mais antigos e sulfatos em fase posterior. Nenhuma dessas observações detectou vida.

Do lago calmo à enchente

No delta de Jezero, as camadas de baixo indicam um lago persistente. As de cima têm blocos de pedra grandes, típicos de enchentes intensas e curtas. A água, portanto, mudou de comportamento ao longo do tempo.

Por que rochas valem mais que fotos

De órbita, um vale pode parecer um rio seco, mas isso não diz por quanto tempo a água correu. No chão, o rover mede grãos, camadas e minerais. Lama fina indica água parada, e blocos grandes indicam corrente forte. Cada tipo de rocha registra uma condição diferente da água que a formou.

Gale: um lago de água doce

Em 2013, a equipe do Curiosity concluiu que lamitos de Yellowknife Bay se formaram em um lago de água doce de cerca de 3,6 bilhões de anos. O lago teria os elementos carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre. Isso o torna potencialmente habitável, mas a equipe não encontrou sinal de vida.

Jezero: do lago às enchentes

A NASA descreve rios que transbordaram a borda da cratera, de 45 km de largura, e formaram um lago há mais de 3,5 bilhões de anos. O delta guardou argilas trazidas pela água. No topo, blocos de pedra indicam enchentes episódicas, uma mudança no regime da água.

Para onde foi a água?

Os minerais mostram uma sequência: argilas nos terrenos mais antigos, sulfatos depois e óxidos de ferro nas fases recentes, sem papel importante da água líquida. A NASA diz que a causa da transição para um Marte seco segue em estudo. Ainda se discute quanto durou cada fase úmida.

Como sabemos

O lago e o delta vêm de resultados publicados e de páginas oficiais da NASA e de universidades; a duração e a causa do fim da água são tratadas como incertas.

Em debate: As rochas provam água líquida, mas a duração dos períodos úmidos e o clima que os sustentou ainda estão em discussão. A NASA trata a transição para o Marte seco como pesquisa ativa.

Fontes

  1. NASA — Mars Facts
    consultada em 06/10/2026
  2. NASA — Mars 2020 Perseverance Rover
    consultada em 06/10/2026
  3. Caltech / Science (Mangold et al., 2021) — Perseverance rover reveals an ancient delta-lake system and flood deposits at Jezero crater, Mars
    consultada em 06/10/2026
  4. Imperial College London — Ancient fresh water lake on Mars could have sustained life
    consultada em 06/10/2026
  5. Institut Polytechnique de Paris / Science (Bibring et al., 2006) — Global mineralogical and aqueous Mars history derived from OMEGA/Mars Express data
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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