História do Brasil
Mariana foi a primeira vila, capital e cidade de Minas Gerais, e é a única colonial mineira de traçado planejado
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Mariana nasceu à beira do Ribeirão do Carmo, onde bandeirantes acharam ouro em 1696. Virou vila em 1711, sede da capital da capitania em 1712 e cidade em 1745, quando recebeu o nome da rainha Maria Ana de Áustria e o primeiro bispado mineiro. O engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim desenhou ruas retas e praças retangulares, e o Iphan tombou o conjunto em 1945.
Em 8 de abril de 1711, o governador Antônio de Albuquerque elevou o arraial de Nossa Senhora do Carmo a vila, e em 4 de julho foi criada ali a primeira Câmara das Minas Gerais. D. João V confirmou a elevação em 14 de abril de 1712. Naquele ano, estabeleceu-se na vila a capital da então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Quando as capitanias se separaram, em 1720, Mariana foi a primeira cidade da de Minas Gerais. Em 1745 recebeu o bispo D. Frei Manoel da Cruz, que viajou por terra do Maranhão, num percurso de um ano e dois meses. Para a sede do bispado fazia falta um plano urbano, e coube a Alpoim traçá-lo. O Iphan a considera a única vila mineira com traçado planejado no período colonial.
Por que o governo de Minas vai a Mariana em julho
Todo 16 de julho, Dia de Minas, o governo estadual se instala em Mariana numa transferência simbólica. A data lembra o ouro achado em 1696. A ideia foi lançada em 1977 por um membro da Casa de Cultura de Mariana, e a Lei 7.561, de 19 de outubro de 1979, a consagrou como Dia do Estado.
O ouro de 1696
Em 16 de julho de 1696, uma bandeira paulista liderada por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça achou ouro num rio batizado de Ribeirão de Nossa Senhora do Carmo. Às suas margens nasceu o arraial, que logo ganhou função estratégica no jogo de poder determinado pelo ouro: tornou-se um dos principais fornecedores do metal para Portugal. Surgiram depois outros arraiais vizinhos, como Camargos, Furquim e Cachoeira do Brumado.
Vila, câmara e capital
O arraial foi elevado a vila em 8 de abril de 1711, o que exigiu uma estrutura administrativa e judiciária. Em 4 de julho foi criada a primeira Câmara das Minas Gerais, e construíram-se a Casa de Câmara, a casa de Intendência, o Palácio do Conde de Assumar e o quartel de dragões. Em 1712 a vila foi confirmada por D. João V e sediou a capital da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro; a capitania de Minas Gerais foi criada em 1720.
Bispo, cidade e traçado
Em 1745 D. João V elevou a vila a cidade, com o nome de Mariana. Ao mesmo tempo, a cidade passou a sede do primeiro bispado mineiro, para o qual foi enviado do Maranhão o bispo D. Frei Manoel da Cruz. O projeto urbanístico coube ao engenheiro militar José Fernandes Pinto Alpoim: ruas retas e praças retangulares, em contraste com as demais vilas do ouro, que cresceram sem plano. O Iphan nota que isso ainda se reconhece, apesar da expansão e das descaracterizações.
Um patrimônio de irmandades
O Iphan tombou o centro histórico em 1945. Entre os monumentos protegidos estão a Catedral da Sé, uma das mais antigas igrejas mineiras, o Seminário Maior, de estilo neoclássico, os sobrados da Rua Direita e as pinturas sacras de Manoel da Costa Athaíde. Na Praça Minas Gerais, a poucos metros uma da outra, ficam as igrejas das poderosas irmandades de São Francisco de Assis e do Carmo. As igrejas das Mercês e do Rosário, das irmandades dos pretos, se distanciam delas.
Como sabemos
Datas administrativas conferem entre a Prefeitura, o TJMG e o Iphan; o 'primeiro' de Mariana é a versão oficial, com fonte e contexto nas afirmações.
- Fato estabelecido: Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas liderados por Salvador Fernandes Furtado de Mendonça encontraram ouro no Ribeirão Nossa Senhora do Carmo, onde nasceu o arraial, que se tornou um dos principais fornecedores do metal para Portugal. [1] [3]
- Fato estabelecido: O arraial do Ribeirão do Carmo foi sucedido por outros, como Camargos, Furquim e Cachoeira do Brumado. [3]
- Fato estabelecido: Com a elevação a vila construíram-se a Casa de Câmara, a casa de Intendência, o Palácio do Conde de Assumar e o quartel de dragões. [2]
- Fato estabelecido: Em 8 de abril de 1711 o governador Antônio de Albuquerque elevou o arraial a vila; em 4 de julho de 1711 foi criada ali a primeira Câmara das Minas Gerais. [2]
- Fato estabelecido: A vila foi confirmada por D. João V em 14 de abril de 1712, com o nome de Vila Leal de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo. [2]
- Fato estabelecido: Em 1712 estabeleceu-se na vila a capital da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro; após a separação das capitanias, em 1720, foi a primeira cidade da Capitania de Minas Gerais. [3]
- Fato estabelecido: Em 1745 a vila foi elevada a cidade, com o nome de Mariana, em homenagem à rainha Maria Ana de Áustria, esposa de D. João V; no mesmo período tornou-se sede do primeiro bispado mineiro. [1] [3]
- Fato estabelecido: O primeiro bispo, D. Frei Manoel da Cruz, viajou por terra do Maranhão até Mariana, num percurso de um ano e dois meses. [1] [3]
- Fato estabelecido: O plano urbano foi elaborado pelo engenheiro militar português José Fernandes Pinto Alpoim, com ruas retas e praças retangulares. [1] [4]
- Fato estabelecido: Mariana é a única entre as cidades coloniais mineiras de traçado planejado, segundo o Iphan. [4]
- Fato estabelecido: O conjunto foi tombado pelo Iphan em 1945, quando a cidade recebeu o título de Monumento Nacional. [1] [4]
- Fato estabelecido: Entre os monumentos tombados estão a Catedral da Sé, o Seminário Maior (neoclássico), os sobrados da Rua Direita e as pinturas sacras de Manoel da Costa Athaíde. [4]
- Fato estabelecido: A Praça Minas Gerais reúne as igrejas de São Francisco de Assis e do Carmo; as igrejas de Nossa Senhora das Mercês e do Rosário pertenceram às irmandades dos pretos. [4]
- Fato estabelecido: Todo 16 de julho, Dia de Minas, o governo estadual se instala simbolicamente em Mariana; a data foi consagrada pela Lei 7.561, de 19 de outubro de 1979. [3]
- Fato estabelecido: Em Mariana nasceram o inconfidente Cláudio Manuel da Costa, o pintor Manuel da Costa Ataíde e Frei Santa Rita Durão, autor do poema Caramuru. [1]
Fontes
- Prefeitura Municipal de Mariana — Mariana: histórico
consultada em 04/10/2026 - Prefeitura Municipal de Mariana — Mariana celebra 310 anos da elevação do arraial de Nossa Senhora do Carmo à Vila
consultada em 04/10/2026 - Tribunal de Justiça de Minas Gerais — 16 de julho: Dia de Minas celebra 42 anos
consultada em 04/10/2026 - Iphan, Conjuntos Urbanos Tombados (arquivo do portal) — Mariana (MG)
consultada em 04/10/2026
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