História do Brasil

Cândido Rondon levou o telégrafo ao interior do Brasil e adotou o lema “morrer se preciso for, matar nunca”

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mato Grosso em 1865, de ascendência indígena por linhagem materna, e fez carreira como engenheiro militar. Chefiou comissões que estenderam linhas telegráficas pelo interior, do Rio de Janeiro às fronteiras e depois de Mato Grosso ao Amazonas. No contato com povos como bororos, parecis e nhambiquaras, adotou para os homens sob seu comando o lema “Morrer se preciso for, matar, nunca”. Em 1910 tomou posse como primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio.

Órfão cedo, Rondon foi criado por um tio em Cuiabá, entrou como voluntário no Exército em 1881 e estudou na Escola Militar do Rio, onde foi aluno de Benjamin Constant e adotou o positivismo para o resto da vida. Em 1890 foi para Mato Grosso trabalhar na construção de linhas telegráficas. Entre 1900 e 1906 sua comissão estendeu 1.746 km de linhas ligando o Rio a Corumbá e a Porto Murtinho, enfrentando malária e beribéri e coletando amostras para o Museu Nacional. Em seguida chefiou a comissão de Mato Grosso ao Amazonas, que chegou a Manaus em 1910 depois de quatro anos na mata, período em que foi dado como desaparecido.

Nobel da Paz e Parque do Xingu

Em 1952, aos 87 anos, Rondon levou a Getúlio Vargas o projeto de lei de um parque nacional no Xingu, para preservar flora e fauna e garantir o usufruto da área aos indígenas que viviam ali. Em 1957, por iniciativa do Explorers Club de Nova Iorque, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.

Origem e formação

Nascido em Mimoso, perto de Cuiabá, Rondon ficou órfão: o pai morreu de varíola em 1864 e a mãe em 1867. Criado pelo tio Manuel Rodrigues da Silva Rondon, formou-se no Liceu Cuiabano e entrou como voluntário no Exército em 1881. Na Escola Militar do Rio, seguiu Benjamin Constant e o positivismo. Participou do movimento que depôs a monarquia em 15 de novembro de 1889 e, em 1890, aceitou ir a Mato Grosso trabalhar nas linhas telegráficas.

O telégrafo e o sertão

De 1900 a 1906, a comissão que Rondon chefiou ligou o Rio de Janeiro a Corumbá, Coimbra, Porto Murtinho e Bela Vista com 1.746 km de linhas, sob malária, beribéri, deserções e falta de soldados. Depois veio a Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas: reconheceu o rio Juruena e atravessou a floresta até Manaus. Em 1913–1914, Rondon organizou a expedição com o ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt, que a descreveu em livro.

O lema e o contato

Embora o problema indígena não fizesse parte das atribuições da comissão, Rondon procurava contato amistoso com os grupos que encontrava e adotou para seus homens o lema “Morrer se preciso for, matar, nunca”. Segundo o CPDOC, isso inaugurou uma forma sistemática de primeiro contato. Teve relações amistosas com bororos, parecis e nhambiquaras, iniciou a demarcação das terras de terenas e quiniquinaus e pôs sob proteção da comissão cadiueus e oiafés, que vinham sendo assassinados por fazendeiros de gado.

O SPI e o legado

Criado em 1910, o Serviço de Proteção ao Índio teve Rondon como primeiro diretor e adotou uma política de integração. Em 1939 virou Conselho Nacional de Proteção ao Índio, e Rondon, aos 74 anos, foi seu primeiro presidente. Em 1956, aos 91, apelou a Juscelino para salvá-lo da política partidária. Marechal por lei em 1955, deu nome a Rondônia e foi indicado ao Nobel da Paz em 1957. Morreu em 19 de fevereiro de 1958.

Como sabemos

Conferido no verbete do CPDOC/FGV e na biografia do Arquivo Nacional, com apoio do Exército; divergências de data estão assinaladas.

Em debate: O SPI nasceu com o discurso de proteção, mas sua política era de integração dos indígenas ao sistema produtivo e à sociedade nacional, vinculada ao positivismo de Rondon. A avaliação desse modelo é objeto de debate; o próprio Rondon denunciou, em 1956, a degradação do órgão pela política partidária.

Em debate: O lema “Morrer se preciso for, matar, nunca” é associado a Rondon pelas fontes institucionais, mas as datas e o contexto de sua formulação variam nos textos divulgados; o CPDOC o situa na comissão de 1900–1906.

Em debate: Rondon respondeu em 1895 a um inquérito por castigos corporais a soldados; o processo foi arquivado. A imagem de pacificador convive com a disciplina militar da época.

Fontes

  1. CPDOC/FGV, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro — Cândido Mariano da Silva Rondon
    consultada em 04/10/2026
  2. Arquivo Nacional (MAPA) — Cândido Mariano da Silva Rondon
    consultada em 04/10/2026
  3. Blog do Exército Brasileiro — Marechal Rondon: 160 anos de um legado de paz, ciência e respeito aos povos indígenas
    consultada em 04/10/2026
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