História do Brasil
Manguinhos: como o laboratório da peste virou o Instituto Oswaldo Cruz
Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026
A instituição que se tornou a Fiocruz nasceu em 25 de maio de 1900 como Instituto Soroterápico Federal, na Fazenda de Manguinhos, no Rio de Janeiro, para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica, que chegara a Santos em 1899. Com Oswaldo Cruz na direção desde 1902, passou a reunir ensino, produção e pesquisa; foi rebatizada Instituto Oswaldo Cruz em 1908 e virou Fundação Oswaldo Cruz em 1974.
Um instituto soroterápico é um laboratório que fabrica soros e vacinas. O de Manguinhos nasceu da urgência da peste bubônica: segundo a Fiocruz, a doença aportou em Santos em 1899, e a prefeitura do Rio encomendou soros ao Barão de Pedro Affonso, que dirigia o Instituto Vacínico Municipal. Em 1902 Oswaldo Cruz assumiu a direção do instituto; em 1903, foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública. A instituição tomou o Instituto Pasteur, de Paris, como modelo de organização e adotou um tripé de ensino, produção e pesquisa. Este artigo trata da instituição científica; a biografia de Oswaldo Cruz e as campanhas sanitárias têm artigos próprios. Os nomes mudaram: Instituto Soroterápico Federal, Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos, Instituto Oswaldo Cruz e, por fim, Fundação Oswaldo Cruz.
A mesa das quartas-feiras
A partir de 1909, os cientistas de Manguinhos passaram a ler e resumir toda semana artigos de revistas científicas recém-chegadas, num sistema chamado Mesa das quartas-feiras. Segundo a biblioteca da Fiocruz, o próprio Oswaldo Cruz escolhia os artigos e quem os resumiria.
Uma encomenda de 1899 vira instituto
A peste bubônica chegou a Santos em 1899. Em 22 de agosto, o prefeito do Rio pediu ao Barão de Pedro Affonso, à frente do Instituto Vacínico Municipal, a produção de soros contra a doença. O laboratório foi instalado na Fazenda de Manguinhos, então distante do centro, e inaugurado em 25 de maio de 1900, com o barão na direção geral e Oswaldo Cruz na técnica. Em 1902, o barão deixou o cargo e Cruz assumiu a direção.
Ensino, produção e pesquisa no mesmo lugar
Segundo Weltman, apoiada em historiadores, o instituto cresceu por adotar um modelo de três pontos: ensino, produção e pesquisa. Formava quadros, produzia soros e vacinas e fazia pesquisa básica e aplicada. Em 1900-1917 a autora identificou 29 cientistas, alguns que entraram ainda estudantes, e quatro alemães que passaram por Manguinhos em 1908, 1909 e 1912 e ajudaram a formá-los.
Como sabemos: 454 trabalhos e as revistas que eles citam
Weltman levantou a produção publicada dos cientistas entre 1900 e 1917: 454 trabalhos, 366 deles artigos de periódicos, cerca de 90% publicados no Brasil. Também contou as revistas citadas: 487 títulos, 67% presentes na biblioteca de Manguinhos, com os alemães à frente. Ela mesma avisa o limite: citações são pistas, não respostas completas, e só os periódicos entraram na análise, não livros nem outros documentos.
Nomes que mudam, instituição que fica
A linha do tempo da Fiocruz registra o Instituto Soroterápico Federal (1900), o Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos (1907) e o Instituto Oswaldo Cruz (1908). Weltman cita, também em 1908, o status oficial de Instituto de Medicina Experimental. As fontes não coincidem nos nomes intermediários, mas só os decretos dirão qual valia. Em 1970 o conjunto virou Fundação Instituto Oswaldo Cruz e, em 1974, Fundação Oswaldo Cruz.
Como sabemos
Datas e nomes sustentados pela linha do tempo da Fiocruz e por um estudo da Casa de Oswaldo Cruz em periódico revisado, ambos lidos na íntegra; só os nomes intermediários de 1907-1908 divergem.
- Fato estabelecido: A história da Fiocruz começou em 25 de maio de 1900, com a criação do Instituto Soroterápico Federal na Fazenda de Manguinhos, no Rio de Janeiro, inaugurado originalmente para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica. [2] Texto de abertura da página [1] 1900-1910, 1899/1900
Contexto: Data de criação segundo a própria instituição (Fiocruz). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 22 de agosto de 1899, o prefeito do Distrito Federal, Cesário Alvim, pediu ao Barão de Pedro Affonso, que dirigia o Instituto Vacínico Municipal (criado em 1894), a produção de soros contra a peste bubônica; o instituto de 1900 teve direção geral do barão e direção técnica de Oswaldo Cruz. [1] 1900-1910, 1899/1900
Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A finalidade principal do instituto era produzir soros e vacinas contra a peste bubônica, que chegara à cidade de Santos em 1899. [5] Texto de abertura da página
Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 1902, Oswaldo Cruz assumiu a direção geral do Instituto Soroterápico Federal, depois do pedido de exoneração do Barão de Pedro Affonso, o primeiro diretor de Manguinhos. [1] 1900-1910, 1902 [3] Resultados e discussão
Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Segundo a Fiocruz, a nomeação de Oswaldo Cruz para a Diretoria Geral de Saúde Pública, em 1903, foi decisiva para que Manguinhos, a exemplo do Instituto Pasteur de Paris, se tornasse referência em saúde pública; segundo a historiografia citada por Weltman, o Instituto Pasteur serviu de modelo organizativo ao instituto. [1] 1900-1910, 1903 [3] Resultados e discussão
Limitações: A mesma fonte (f3) lembra que a tradição alemã também pesou: duas tradições científicas, a francesa e a alemã, se cruzaram em Manguinhos. · Leitura de historiadores e da instituição, não medição. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Na campanha contra a peste no Rio, a partir de 1904, os doentes isolados eram tratados com o soro fabricado no Instituto Soroterápico Federal; as mortes por peste na capital passaram de 48,74 por 100 mil habitantes em 1903 para 1,73 em 1909. [4] Campanha contra a peste
Contexto: Capital federal (Rio de Janeiro), 1903-1909; a queda soma soro, vacinação, isolamento e desratização, que a fonte descreve juntos. · Limitações: A fonte, da própria Fiocruz, atribui a queda à campanha como um todo; não separa o efeito do soro. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Segundo a linha do tempo da Fiocruz, o Instituto Soroterápico Federal passou a se chamar Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos em 1907, e este foi rebatizado Instituto Oswaldo Cruz em 1908. Weltman, em outro estudo, fala em reconhecimento oficial do status de Instituto de Medicina Experimental em 1908. [1] 1900-1910, 1908 [3] Metodologia
Limitações: As fontes não usam os mesmos nomes intermediários (Patologia Experimental em 1907 ou Medicina Experimental em 1908); o ano de 1908 é comum às duas, mas o ato oficial exato não foi verificado em documento legal. · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Segundo Weltman, a partir de 1908 o instituto se firmou como principal instituição de pesquisa científica do país, com um modelo de três pontos: ensino, produção e pesquisa; formava quadros profissionais, produzia soros e vacinas e fazia pesquisa básica e aplicada. [3] Introdução
Limitações: O 'principal' é leitura historiográfica; a própria autora lembra que Faculdade de Medicina do Rio, Instituto Bacteriológico de São Paulo e Instituto Pasteur do Rio já faziam ciência antes. · Avaliação de historiadores resumida por Weltman (Stepan, Benchimol). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Entre 1900 e 1917, Weltman identificou 29 cientistas trabalhando no instituto; quatro cientistas alemães (Giemsa, Prowazek, Hartmann e Duerck) passaram por Manguinhos em 1908, 1909 e 1912, ajudando na formação deles, e alguns brasileiros entraram ainda como estudantes. [3] Resultados e discussão
Contexto: Só cientistas com pelo menos um trabalho publicado no período entraram na contagem. · Limitações: Contagem do estudo, não registro oficial do quadro de pessoal. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No levantamento de Weltman, os cientistas do instituto publicaram 454 trabalhos entre 1900 e 1917, dos quais 366 foram artigos de periódicos (80,6%); cerca de 90% dos artigos saíram no Brasil. [3] Resultados e discussão
Contexto: Cientistas do instituto com ao menos um trabalho publicado, 1900-1917. · Limitações: Só 90% dos trabalhos foram localizados pela autora; os números dizem respeito ao que ela encontrou. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 1909 saiu a primeira edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz e foi implantada a Mesa das quartas-feiras, leitura e resumo semanais de artigos de periódicos científicos recém-chegados; Oswaldo Cruz escolhia os artigos e quem os resumiria. [1] 1900-1910, 1909 [5] Oswaldo Cruz e o Instituto Soroterápico
Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 1909, a Biblioteca de Manguinhos já tinha cerca de três mil volumes, e o número de periódicos subira de 98 para 421 títulos. [5] Oswaldo Cruz e o Instituto Soroterápico
Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Pela análise de citações dos primeiros cientistas do instituto, os periódicos alemães foram os mais citados, o dobro dos franceses; a autora lembra que citações são apenas pistas sobre comportamento, e que 67% dos 487 periódicos citados estavam na biblioteca de Manguinhos. [3] Introdução
Contexto: Citações a periódicos, nos trabalhos publicados de 1900 a 1917. · Limitações: Só citações de periódicos entraram na análise; livros e outros documentos ficaram fora. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Segundo a linha do tempo da Fiocruz, em 1904 o novo Código Sanitário instituiu a obrigatoriedade da vacinação antivariólica, o que culminou na Revolta da Vacina, ao fim da qual a obrigatoriedade foi revogada. [1] 1900-1910, 1904
Limitações: Relato da instituição, em uma linha; as causas e o desenrolar da revolta não são detalhados aqui. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 1970, um decreto transformou a Fundação de Recursos Humanos para a Saúde em Fundação Instituto Oswaldo Cruz; em 1974 ela passou a se chamar Fundação Oswaldo Cruz. [1] 1970-1980, 1972
Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — Linha do tempo da Fundação Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) — História da Fiocruz
Fundação Oswaldo Cruz · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - História, Ciências, Saúde-Manguinhos (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz) — A produção científica publicada pelo Instituto Oswaldo Cruz no período 1900 a 1917: um estudo exploratório
Weltman, W. L. · 2002 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1590/s0104-59702002000100008 - Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz — Campanha contra a peste
Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 - Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) — História da Biblioteca de Manguinhos
Icict/Fiocruz · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 20; conferência de trechos automatizada)