Geografia

Do Pará ao Maranhão, o mangue amazônico soma cerca de 7.200 km² e é descrito como o maior contínuo do mundo

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Os seis biomas do Brasil

Entre a baía de Marajó (PA) e a baía de São José (MA), um estudo de 2019 contou cerca de 7.210 km² de mangue, e uma revisão de 2024 descreve a floresta contínua e densa dessa costa como a maior do mundo. Marés que passam de 8 m, a lama do Amazonas e chuva acima de 2.000 mm por ano ajudam a explicar a largura; poucas pessoas e a erosão do litoral decidem o que se conserva.

Mangue é a floresta de árvores adaptadas a viver em solo lamacento e salgado, banhado pela maré. Na costa que vai do Amapá ao Maranhão, a revisão de 2024 a chama de Costa de Manguezais de Macromaré da Amazônia: macromaré significa que a diferença entre a maré alta e a baixa é muito grande, e aqui pode passar de 8 m. Cada enchente leva água salobra para dentro da floresta, e o rio Amazonas e outros rios da bacia entregam água doce, nutrientes e muito sedimento. Esse sedimento forma planícies de lama de 20 a 30 km de largura onde o mangue se instala. O desenho das franjas não é fixo: bancos de lama andam pela costa e o litoral avança e recua.

Bancos de lama que andam pela costa

O sedimento do Amazonas não fica parado: parte viaja para noroeste em bancos de lama de dezenas de quilômetros de comprimento. Na Guiana Francesa, a mobilidade deles faz a costa avançar e recuar, e o mangue se renova em manchas de idades diferentes.

Maré, lama e chuva: o que dá largura ao mangue

A revisão de 2024 liga três coisas: a amplitude da maré, que passa de 8 m em alguns pontos e deixa franjas de até 40 km de largura; o sedimento do Amazonas, que forma planícies de lama de 20 a 30 km; e a chuva acima de 2.000 mm por ano, com água doce e nutrientes. A relação é descrita pelos autores, não testada ali isoladamente. A pluma do rio no mar é assunto de outro post.

Como sabemos o tamanho (e o que não sabemos)

Os 7.210 km² de mangue vêm de um mapa citado pelo estudo de 2019, que usou imagens de satélite para mapear estradas e assentamentos, não para medir o mangue. Os 700 mil hectares e a mudança de menos de 2% em três décadas vêm de uma revisão que cita levantamentos antigos. Três artigos repetem 'maior do mundo', mas o superlativo depende de como se define 'contínuo' e 'denso'.

O que mantém e o que ameaça

O estudo de 2019 achou baixa densidade de gente e pouco impacto na maior parte do trecho; o impacto se concentra perto de estradas não pavimentadas (17.496 km no total, 90% do impacto a até 3 km). Um artigo de 2026 aponta a erosão costeira como o principal fator de perda natural, e uma revisão de 2024 lista, para 8 locais do Pará, acréscimo de 0,7 a 7,1 mm por ano de sedimento, contra 4 mm por ano de elevação do mar adotada.

O carbono guardado na lama

Em um inventário de campo com mais de 190 parcelas, o artigo de 2024 na Nature Communications estimou o estoque total de carbono do ecossistema (TECS: árvores, raízes e solo) em média de 468 megagramas por hectare, numa faixa de 181 a 903. O mesmo artigo nota que isso fica abaixo da média global dos mangues e que o valor varia muito de um local para outro.

Como sabemos

Extensão, maré e sedimento têm trechos literais em fontes abertas lidas, mas o superlativo 'maior do mundo' repete uma tradição citada de segunda mão e o acréscimo contra a elevação do mar é cálculo nosso.

Fontes

  1. Cambridge Prisms: Coastal Futures — Challenges to mangroves of the Semiarid Equatorial Coast of Brazil in the Anthropocene
    Lacerda, L. D. et al. · 2024 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1017/cft.2024.16
  2. PLOS ONE — The effect of anthropogenic drivers on spatial patterns of mangrove land use on the Amazon coast
    Hayashi, S. N. et al. · 2019 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pone.0217754
  3. Scientific Reports — DNA reveal new invasive species of tiger shrimp Penaeus monodon (Penaeidae) along the world’s largest mangrove region in the Brazilian Blue Amazon
    Ferreira, C. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-025-03022-7
  4. Nature Communications — The inclusion of Amazon mangroves in Brazil’s REDD+ program
    Bernardino, A. F. et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-024-45459-w
  5. PeerJ — Erosion of Amazonian mangroves over peatlands leads to soil carbon loss
    Bernardino, A. F. et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7717/peerj.21044
  6. Scientific Reports — Mangrove growth and biomass dynamics along the mud-dominated coast of French Guiana
    Agyekum, M. K. et al. · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-026-53756-1
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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