Astronomia

Por que as manchas solares são escuras, se ainda emitem de 10% a 20% da luz da superfície ao redor?

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

As manchas solares parecem escuras só por contraste. Nelas, campos magnéticos de cerca de 3.000 gauss atrapalham a convecção, o transporte de calor de dentro do Sol para a superfície. A região esfria para 4.000 a 4.500 K, contra cerca de 5.500 °C na fotosfera ao redor. Esfriar não é apagar: o centro escuro da mancha ainda emite de 10% a 20% do brilho da superfície normal.

A fotosfera, a superfície visível do Sol, é mantida quente pela convecção: gás quente sobe do interior, perde calor e afunda. Onde um feixe de linhas de campo magnético emerge do interior, o campo intenso modifica esse transporte de energia e menos calor chega à superfície. A região fica mais fria e menos densa que a vizinhança, e por isso mais escura. Uma mancha madura tem duas partes: a umbra, o centro mais escuro, onde o campo é mais forte e quase vertical, e a penumbra, um anel de filamentos, com brilho em torno de 75% do normal. Manchas duram de dias a meses e seguem um ciclo de cerca de 11 anos, registrado desde 1755.

Galileu e as manchas

Thomas Harriot foi o primeiro a observar manchas com telescópio, em 1610. Galileu publicou a sua leitura em 1613: para ele, as manchas estavam na superfície do Sol ou em sua atmosfera. O jesuíta Christoph Scheiner defendia que eram pequenos planetas em órbita próxima ao Sol.

Convecção e magnetismo

Na fotosfera, o calor vem de baixo por convecção: gás quente sobe, esfria e desce. Dentro de uma mancha, o campo magnético, de cerca de 3.000 gauss, cerca de 10.000 vezes o campo da Terra segundo o HAO, modifica esse transporte. Chega menos energia à superfície e a região esfria.

Escuro, mas não frio

A umbra tem de 4.000 a 4.500 K, abaixo da fotosfera, que passa de 5.000 K, mas muito quente em termos absolutos. Ela ainda emite de 10% a 20% da luz da superfície normal. A penumbra, cerca de 75%. A sensação de buraco negro vem do contraste com o redor.

Tamanho

A NASA dá um intervalo de 1.600 a 160.900 km para manchas. O HAO diz que uma mancha típica é um pouco maior que o diâmetro da Terra, e a NOAA registra grupos que chegam a muitas vezes o tamanho do planeta.

Quem estava certo em 1612

Galileu argumentou que as manchas pertenciam ao Sol, na superfície ou na atmosfera, como nuvens. Scheiner, a princípio, propôs pequenos planetas passando à frente do disco. Por volta de 1630, em Rosa Ursina, ele já aceitava que as manchas eram imperfeições da própria superfície solar.

Como sabemos

Mecanismo e números confirmados em NASA, NOAA/SWPC e HAO/UCAR; a comparação com a Lua cheia da pauta foi omitida por falta de fonte.

Fontes

  1. NASA — Sun Facts (manchas solares)
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA Space Weather Prediction Center — Sunspots and the Solar Cycle
    consultada em 06/10/2026
  3. High Altitude Observatory, NCAR/UCAR — Sunspots and Photospheric Dynamics
    consultada em 06/10/2026
  4. Linda Hall Library — The Sun in Early Modernity: Optics, Telescopes and Technological Change
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos