Paleontologia
Mamutes-lanosos viveram na ilha de Wrangel até cerca de 4 mil anos atrás
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Por muito tempo se pensou que os mamutes-lanosos tivessem sumido do mundo há cerca de 10 mil anos. Mas uma população isolada na ilha de Wrangel, no Ártico siberiano, persistiu por mais de 200 gerações e só se extinguiu há cerca de 4 mil anos. O grupo se formou quando a ilha se separou do continente, entre 12 mil e 10 mil anos atrás. Genomas antigos mostram que ele se manteve estável por seis milênios.
Em 1993, pesquisadores relataram dentes de mamute da ilha de Wrangel datados de 7.000 a 4.000 anos atrás, o que obrigou a rever a ideia de que a espécie se extinguira em toda parte por volta de 9.500 anos atrás. A sobrevivência foi atribuída à topografia e ao clima locais, que teriam preservado comunidades de plantas de estepe. Estudos de DNA ambiental de 2021 indicam que a estepe-tundra do norte da Sibéria permitiu a sobrevivência tardia de mamutes, até cerca de 3,9 mil anos atrás. Um estudo de 21 genomas, de 2024, mostrou que a população se recuperou rápido de um gargalo severo e ficou demograficamente estável por seis milênios, acumulando aos poucos mutações levemente prejudiciais. O que causou o fim definitivo ainda é discutido.
Um mamute de pelo acetinado?
O genoma de um mamute de Wrangel de cerca de 4.300 anos tinha duas mutações independentes no gene FOXQ1 que, em outros mamíferos, dão pelagem acetinada. Os autores sugerem que o animal poderia ter essa aparência, mas é uma inferência genética, sem confirmação direta no pelo preservado.
A descoberta de 1993
Até o início dos anos 1990, havia pouca dúvida de que os mamutes tinham desaparecido em toda parte por volta de 9.500 anos atrás. Em 1993, Vartanyan e colegas relataram, na ilha de Wrangel, no Oceano Ártico, dentes de mamute datados de 7.000 a 4.000 anos antes do presente, ao lado de fósseis do fim do Pleistoceno. A ilha teria se separado do continente cerca de 12.000 anos atrás. A sobrevivência foi atribuída à topografia e ao clima locais.
Uma estepe que durou
Um estudo de DNA ambiental de 535 amostras de permafrost e sedimento de lagos do Ártico, cobrindo 50 mil anos, concluiu que a estepe-tundra persistiu no norte da Sibéria e permitiu a sobrevivência tardia de espécies hoje extintas. O mamute-lanoso resistiu até cerca de 3,9 mil anos atrás, e o rinoceronte-lanoso até cerca de 9,8 mil anos atrás. O estudo também apontou mais precipitação e plantas de áreas úmidas como fatores negativos para a diversidade animal.
Genomas de uma população pequena
Em 2017, a análise do genoma de um mamute de Wrangel de 4.300 anos mostrou um tamanho populacional efetivo mais de 43 vezes menor que o do mamute continental de 45 mil anos, com mais deleções e códons de parada prematuros, o que foi lido como colapso genômico. Em 2024, 21 genomas mostraram um quadro mais gradual: recuperação rápida de um gargalo severo, estabilidade por seis milênios e acúmulo lento de mutações levemente prejudiciais.
Por que acabou?
O estudo de 2024 destaca o descompasso entre a recuperação demográfica e a genética, com implicações para a conservação de populações que saíram de gargalos recentes. Sobre o que causou o fim dos mamutes de Wrangel, os estudos consultados não trazem resposta. As explicações para a extinção dos mamutes em geral, mudança ambiental, caça por humanos ou ambas, continuam em debate.
Como sabemos
A sobrevivência dos mamutes de Wrangel até cerca de 4 mil anos atrás é bem datada por fósseis, DNA ambiental e genomas; a causa da extinção segue em debate e o texto o diz.
Em debate: Por que a população de Wrangel se extinguiu há cerca de 4 mil anos continua sem resposta firme. Um estudo de 2017, a partir de um genoma, sugeriu colapso genômico em população pequena. Em 2024, a análise de 21 genomas mostrou população demograficamente estável por seis milênios, com acúmulo lento de mutações levemente prejudiciais, o que não aponta para uma queda genética gradual.
Em debate: Mais amplamente, as causas do desaparecimento do mamute-lanoso, mudança climática, caça por humanos ou os dois, são discutidas desde antes da descoberta de Wrangel. Um estudo de DNA ambiental de 2021 vê os humanos como fator menor na distribuição dos animais; essa leitura não é unânime.
- Fato estabelecido: Até 1993, quase ninguém duvidava que os mamutes tivessem se extinguido em toda parte por volta de 9.500 anos antes do presente. [1]
- Fato estabelecido: Dentes de mamute da ilha de Wrangel, no Oceano Ártico, foram datados de 7.000 a 4.000 anos antes do presente. [1]
- Estimativa: Acredita-se que a ilha de Wrangel tenha se separado do continente há cerca de 12.000 anos. [1]
O estudo de 2024 dá cerca de 10.000 anos para o isolamento dos mamutes; as duas estimativas coexistem na literatura. - Hipótese: A sobrevivência de mamutes em Wrangel foi atribuída à topografia e a características climáticas locais, que teriam permitido a preservação de comunidades de plantas de estepe. [1]
Era a explicação proposta pelos autores em 1993; o estudo de DNA ambiental de 2021 dá apoio geral à persistência de vegetação de estepe-tundra no norte da Sibéria. - Estimativa: Os mamutes ficaram isolados em Wrangel há cerca de 10.000 anos, persistiram por mais de 200 gerações e se extinguiram há cerca de 4.000 anos. [2]
- Evidência forte: A análise de 21 genomas de mamutes siberianos mostra que a população se recuperou rapidamente de um gargalo severo e permaneceu demograficamente estável nos seis milênios seguintes. [2]
- Interpretação: Mutações levemente prejudiciais se acumularam, enquanto as altamente prejudiciais foram purgadas, o que sugere depressão endogâmica que durou centenas de gerações. [2]
Inferência a partir da análise de genomas, segundo os autores. - Estimativa: Um estudo de DNA ambiental de 535 amostras do Ártico indica que a persistência da vegetação de estepe-tundra no norte da Sibéria permitiu a sobrevivência tardia do mamute-lanoso, até 3,9 ± 0,2 mil anos atrás. [3]
- Interpretação: Nesse estudo, os humanos aparecem como um fator menor na determinação da distribuição dos animais, e maior precipitação e mais plantas de áreas úmidas têm efeito negativo na diversidade animal. [3]
Conclusão estatística do estudo; o papel da caça por humanos na extinção da megafauna é debatido. - Estimativa: O genoma de um mamute de Wrangel de 4.300 anos indicou um tamanho populacional efetivo mais de 43 vezes menor que o das populações continentais anteriores. [4]
- Hipótese: Esse mamute tinha mais deleções, mais deleções em genes, mais retrogenes candidatos e mais códons de parada prematuros, o que foi interpretado como compatível com colapso genômico em população pequena em declínio. [4]
É a interpretação dos autores de 2017; o estudo de 21 genomas de 2024 mostrou uma população estável por seis milênios, o que matiza a ideia de colapso genético. - Hipótese: Duas mutações independentes de perda de função no gene FOXQ1 do mamute de Wrangel conferiram, em outros mamíferos, fenótipo de pelagem acetinada. [4]
Os autores sugerem a pelagem acetinada a partir do gene; não houve confirmação no pelo do animal. - Em debate: As causas da extinção do mamute-lanoso em geral, mudança ambiental na transição Pleistoceno-Holoceno, caça por humanos ou ambas, são debatidas. [1]
O artigo de 1993 já descreve o debate entre mudança ambiental e caça por humanos.
Fontes
- Nature — Holocene dwarf mammoths from Wrangel Island in the Siberian Arctic
consultada em 04/10/2026 - Cell — Temporal dynamics of woolly mammoth genome erosion prior to extinction
consultada em 04/10/2026 - Nature — Late Quaternary dynamics of Arctic biota from ancient environmental genomics
consultada em 04/10/2026 - PLOS Genetics — Excess of genomic defects in a woolly mammoth on Wrangel island
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
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