Matemática
Os maias escreviam o zero com um sinal próprio e contavam dias numa Contagem Longa de base 20
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Os maias usavam números de barras (valor 5) e pontos (valor 1), um sinal para o zero, em geral em forma de concha, e um sistema de posições. Isso permitia escrever a Contagem Longa, que conta dias corridos desde uma data de origem em agosto de 3114 a.C. Uma data como 9.13.3.7.18 corresponde a 1.390.838 dias contados desse ponto e, no calendário europeu, a 6 de agosto de 695.
O zero maia é um caso de invenção independente: a Britannica o descreve como um sistema posicional com sinal de zero desenvolvido na Mesoamérica, sem relação com os da Mesopotâmia ou da Índia. Quem o criou ainda é discutido. As datas de Contagem Longa mais antigas que se conhecem, a partir de 36 a.C., aparecem em Chiapa de Corzo, no México, um sítio ligado à escrita ístmica e um pouco fora da área maia. Isso pode indicar que os maias adotaram o sistema de vizinhos, mas, segundo o Museu da Universidade da Pensilvânia, a evidência ainda é escassa. A Contagem Longa se tornou uma marca da civilização maia clássica, entre 300 e 900 d.C. Já o zero como número com regras aritméticas surge na Índia, com Brahmagupta, em 628.
Uma viga de madeira que confirmou o calendário
Em 2013, pesquisadores dataram por radiocarbono uma viga de madeira esculpida do Templo I de Tikal, que traz datas da Contagem Longa. O resultado, entre 658 e 696 d.C., sustenta a correlação GMT, a que converte as datas maias para o calendário europeu usada hoje.
Barras, pontos e uma concha
O sistema numérico maia usava só três elementos: o ponto, com valor 1, a barra, com valor 5, e um sinal de zero, em geral em forma de concha, que marcava uma posição vazia. Os números de 0 a 19 funcionavam como multiplicadores das unidades do calendário. A Britannica o descreve como um sistema posicional desenvolvido de forma independente, com o zero provavelmente em uso pelo século IV ou V d.C., e lembra que muitos registros escritos foram destruídos no século XVI.
Como se lê uma data
A Contagem Longa soma cinco unidades: bak'tun (144.000 dias), k'atun (7.200), tun (360), winal (20) e k'in (1). Na data 9.13.3.7.18, são 9 bak'tuns, 13 k'atuns, 3 tuns, 7 winals e 18 k'ins, ou 1.390.838 dias desde a origem. Essa data está numa viga do Templo I de Tikal e, pela correlação GMT, cai em 6 de agosto de 695. O zero aparece sempre que uma posição está vazia, e sem ele os números de posição não funcionariam.
De onde veio
As datas de Contagem Longa mais antigas que sobreviveram começam em 36 a.C., em Chiapa de Corzo. O sítio fica um pouco fora da área maia e se associa à escrita ístmica. Isso pode indicar que os maias adotaram o sistema de vizinhos, segundo o Museu da Pensilvânia, que ressalta que a evidência é escassa. Pesquisas em El Naranjo, na Guatemala, sugerem que monumentos de k'atun existiam entre 800 e 500 a.C., o que levou à proposta de uma forma da contagem muito mais antiga, ainda sem registro escrito.
Uma data de origem e o mito de 2012
A Contagem Longa parte de um ponto em agosto de 3114 a.C.: 11 de agosto, segundo a Britannica e a versão usada no estudo de Tikal, ou 13, segundo o Museu da Pensilvânia. Um ciclo de 13 bak'tuns dura 5.125 anos, e o seguinte terminou em dezembro de 2012. O Museu da Pensilvânia lembra que os maias não fizeram nenhuma previsão para essa data, que aparece só uma vez, em Tortuguero, como data de referência, e que a contagem seguia para 14, 15 e adiante.
Como sabemos
O zero e a Contagem Longa estão bem documentados; a origem do sistema (maia ou de vizinhos) e a data absoluta de origem dependem da correlação e seguem em debate.
Em debate: Quem inventou o zero e a Contagem Longa: as datas mais antigas (36 a.C. em diante) vêm de sítios vizinhos à área maia, com escrita ístmica ou epi-olmeca, o que sugere que o sistema pode ter sido adotado pelos maias, mas a evidência é limitada. A Britannica data o zero maia de provavelmente o século IV ou V d.C.; essa estimativa não coincide com as datas mais antigas de Contagem Longa.
Em debate: Correlação com o calendário europeu: a data de origem varia (11 ou 13 de agosto de 3114 a.C.) conforme a variante da correlação. A datação por radiocarbono sustenta a correlação GMT, hoje a mais aceita.
- Consenso científico: Os maias desenvolveram, de forma independente, um sistema numérico posicional com um sinal para o zero, em forma de concha em inscrições de calendário. [1]
- Estimativa: A Britannica estima que o zero maia existia provavelmente pelo século IV ou V d.C. [1]
As datas de Contagem Longa de 36 a.C. em diante, ligadas a sítios vizinhos, sugerem uso do sistema bem antes; a origem exata é discutida. - Fato estabelecido: Os números de 0 a 19 eram escritos com barras (5), pontos (1) e um símbolo de zero, e serviam de multiplicadores das unidades da Contagem Longa. [4]
- Fato estabelecido: A Contagem Longa tem cinco unidades: bak'tun (144.000 dias), k'atun (7.200), tun (360), winal (20) e k'in (1 dia). [4]
- Fato estabelecido: A data 9.13.3.7.18 equivale a 1.390.838 dias desde o ponto de origem e, na correlação GMT, a 6 de agosto de 695, dia gravado na viga 3 do Templo I de Tikal. [4]
- Interpretação: A maioria dos historiadores situa a data de origem da Contagem Longa em 11 de agosto de 3114 a.C.; o Museu da Pensilvânia dá 13 de agosto, conforme a variante da correlação. [2] [3] [4]
A diferença vem da variante da correlação com o calendário europeu; as datas absolutas dependem dela. - Fato estabelecido: O ciclo de 13 bak'tuns que termina na data de origem dura 5.125 anos; os maias não previram nada para o fim do ciclo seguinte, em 2012. [2] [3]
- Evidência forte: A datação por radiocarbono de uma viga de Tikal indicou que as datas foram gravadas entre 658 e 696 d.C., o que sustenta a correlação GMT. [4]
- Fato estabelecido: As datas de Contagem Longa mais antigas conhecidas aparecem a partir de 36 a.C. em Chiapa de Corzo, México, um sítio um pouco fora da área maia e associado à escrita ístmica. [3]
- Hipótese: Os maias podem ter adotado a Contagem Longa de vizinhos, mas a evidência ainda é escassa. [3] [4]
O Museu da Pensilvânia e o artigo da Scientific Reports dizem que o sistema foi provavelmente adotado de regiões vizinhas, mas o primeiro frisa que a evidência é pouca. - Consenso científico: A Contagem Longa é uma marca da civilização maia clássica (300–900 d.C.) e se difundiu a mais de 40 centros nas terras baixas entre 600 e 900 d.C. [4]
- Fato estabelecido: Marcadores de posição vazia apareceram antes na Mesopotâmia, e o zero como número, com regras aritméticas, foi definido por Brahmagupta em 628, na Índia. [1]
- Fato estabelecido: Muitos registros escritos maias foram destruídos no século XVI; as evidências do sistema vêm sobretudo de edifícios e esculturas. [1]
Fontes
- Encyclopaedia Britannica — Zero
consultada em 04/10/2026 - Encyclopaedia Britannica — Long Count
consultada em 04/10/2026 - Penn Museum, Expedition Magazine — Time, Kingship, and the Maya Universe
consultada em 04/10/2026 - Scientific Reports (Nature), via PubMed Central — Correlating the ancient Maya and modern European calendars with high-precision AMS 14C dating
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
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