Fenômenos naturais

Cada ponto a mais na escala de magnitude de um terremoto significa cerca de 32 vezes mais energia

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Na escala de magnitude, cada número inteiro a mais corresponde a ondas 10 vezes maiores no sismograma e a cerca de 32 vezes mais energia liberada, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Dois pontos somam cerca de mil vezes. Por isso o terremoto de magnitude 9,5 no Chile, em 1960, o maior já registrado por instrumentos, liberou cerca de mil vezes mais energia que um tremor de 7,5. A magnitude mede o terremoto; a intensidade mede o que ele faz em cada lugar.

O conceito de magnitude foi criado em 1935 por Charles F. Richter, sismólogo do Instituto de Tecnologia da Califórnia. A definição original valia só para terremotos da Califórnia a até 600 km de um tipo específico de sismógrafo, o de torção Wood-Anderson. Com as redes mundiais vieram outras escalas, baseadas em ondas de corpo e de superfície, mas todas tinham um teto prático: medem a amplitude das ondas numa faixa estreita de frequências e, nos maiores eventos, param de crescer. Em 1979, Thomas Hanks e Hiroo Kanamori propuseram a magnitude de momento (Mw), calculada a partir do momento sísmico, que é proporcional à área da falha que se rompe multiplicada pelo deslocamento e pela rigidez da rocha. Ela vale para toda a faixa de tamanhos, e a escala de Richter hoje quase só se usa para tremores pequenos registrados localmente.

Menor, mas sentido com mais força

O terremoto de magnitude 6,7 de Northridge, na Califórnia, produziu tremor mais intenso e numa área maior que o de Nisqually, no estado de Washington, de magnitude 6,8. A diferença estava na profundidade: o de Northridge ocorreu a cerca de 5 a 18 km, e o de Nisqually a cerca de 48 a 58 km.

De onde vem o 32

A magnitude é uma escala logarítmica. Cada número inteiro a mais significa ondas 10 vezes maiores no sismograma, mas a energia cresce mais depressa: cerca de 31,6 vezes, valor que o USGS arredonda para 32. Dois pontos a mais equivalem a cerca de mil vezes mais energia. Mesmo diferenças pequenas pesam: entre o terremoto do Chile em 1960 (9,5) e o do Japão em 2011 (9,1), a diferença de 0,4 ponto corresponde a cerca de quatro vezes mais energia.

A régua de Richter

Charles F. Richter, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, introduziu o conceito de magnitude em 1935, para terremotos do sul da Califórnia registrados por estações próximas. A definição valia só a até 600 km de um sismógrafo de torção Wood-Anderson e para certas faixas de frequência. Quando as redes de sismógrafos se espalharam pelo mundo, vieram escalas baseadas em ondas de corpo e em ondas de superfície.

O teto das escalas antigas

Em teoria essas escalas não tinham limite superior; na prática, tinham. Hanks e Kanamori notaram em 1979 que o maior valor na escala local registrado no sul da Califórnia em mais de 40 anos era 6,8, que a escala de ondas de superfície parava perto de 8,3 e a de ondas de corpo perto de 7. Elas medem amplitudes numa faixa estreita de frequências e, nos grandes eventos, deixam de refletir o tamanho real da ruptura. A magnitude de momento resolveu isso.

Um tremor, muitas intensidades

A magnitude é uma só por terremoto; a intensidade muda de lugar para lugar. Ela depende sobretudo da distância à ruptura, mas também da direção em que a falha se rompeu e da geologia sob o terreno. Nos Estados Unidos é expressa em algarismos romanos pela escala de Mercalli Modificada. Por isso um terremoto raso e um pouco menor, como o de Northridge, pode ser sentido com mais força que outro maior e mais profundo, como o de Nisqually.

Como sabemos

Todos os números vêm de páginas do USGS e do artigo original de Hanks e Kanamori (1979); os cálculos derivados seguem a própria regra das fontes.

Fontes

  1. U.S. Geological Survey, Earthquake Hazards Program — Earthquake Magnitude, Energy Release, and Shaking Intensity
    consultada em 05/10/2026
  2. U.S. Geological Survey — Moment magnitude, Richter scale - what are the different magnitude scales, and why are there so many?
    consultada em 05/10/2026
  3. U.S. Geological Survey, Hawaiian Volcano Observatory — Volcano Watch — What was that on the Richter scale?
    consultada em 05/10/2026
  4. Journal of Geophysical Research, v. 84, p. 2348–2350 — A Moment Magnitude Scale
    consultada em 05/10/2026
  5. U.S. Geological Survey, Earthquake Hazards Program — 20 Largest Earthquakes in the World Since 1900
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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