Biologia

Que sinal guia o pólen até o óvulo: como se achou o LURE, peptídeo que atrai o tubo polínico

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Plantas em ação

No fim do trajeto, quem chama o tubo polínico são as sinérgides, duas células vizinhas da oosfera, no saco embrionário. Em 2001, a ablação a laser mostrou que elas emitem o sinal; em 2009, o grupo de Higashiyama identificou os peptídeos LURE, proteínas pequenas e ricas em cisteína. Em Arabidopsis, o LURE atrai mais o pólen da própria espécie.

Em plantas com flor, as células espermáticas não se movem. Quem as leva é o tubo polínico, um prolongamento do grão de pólen que cresce pelo pistilo até o óvulo. O óvulo abriga o gametófito feminino, ou saco embrionário, que contém a oosfera (célula-ovo), a célula central e duas sinérgides, as células que ficam ao lado da oosfera. Quimioatrator é uma substância que orienta o crescimento de uma célula ao longo do seu gradiente de concentração. Peptídeo é uma proteína pequena; os LUREs pertencem aos peptídeos ricos em cisteína semelhantes a defensinas (DEFL). Este texto trata só do trecho final, a atração perto do óvulo; a anatomia da flor já está em outro post.

A planta de laboratório com o saco embrionário para fora

A busca do atrator foi feita em Torenia fournieri, descrita no artigo de 2009 como planta singular por ter o saco embrionário projetado para fora do óvulo. Foi nela que as sinérgides foram isoladas e que os LUREs receberam o nome.

Por que se supunha um atrator, e o que faltava

O tubo polínico atravessa tecidos do pistilo e precisa achar a abertura do óvulo. A ideia de que o óvulo emitisse uma substância atraente, segundo o resumo de Okuda e colegas (2009), tinha mais de 140 anos. O que faltava era evidência convincente de uma molécula específica que realmente controlasse a navegação do tubo. Diferentes sinais atuam ao longo do caminho; este post trata só do último passo, a atração perto do saco embrionário.

Como a ablação a laser apontou as sinérgides

Em 2001, Higashiyama e colegas destruíram com laser células do saco embrionário e viram se o tubo ainda era atraído. Com as duas sinérgides destruídas, a atração se perdeu; com uma só, restava sinal; com duas, ele era maior. Depois da fertilização, o saco embrionário deixa de atrair o tubo, e os autores propõem que isso pode ajudar a evitar polispermia. O experimento localizou a fonte do sinal, mas não a molécula.

Como os LUREs foram identificados, e o que o ensaio não prova

Em 2009, Okuda e colegas isolaram sinérgides de Torenia fournieri, cujo saco embrionário se projeta para fora do óvulo, e buscaram transcritos de proteínas secretadas. Dois peptídeos, abundantes só nessas células, atraíram in vitro tubos da própria espécie e, ao serem bloqueados com morfolinos, prejudicaram a atração. Os ensaios usam esferas com o peptídeo, e a gelatina funcionou bem e o ágar quase nada, sinal de que o resultado depende de como o peptídeo se difunde (Goto et al., 2011).

Especificidade de espécie, receptores e o que continua aberto

Em Arabidopsis, o AtLURE1 atraiu mais o pólen da própria espécie que o de A. lyrata em ensaios com amostras pequenas, e produzi-lo em Torenia bastou para atrair tubos de Arabidopsis até o saco embrionário. Receptores como PRK6 e MDIS1/MIK1/MIK2 ficam no ápice do tubo, segundo a revisão de 2024. Mas os LUREs não são o único atrator, e só os XIUQIUs atraem de modo parecido espécies parentes; a especificidade não é regra para todos.

Como sabemos

Os três estudos centrais (2001, 2009, 2012) foram lidos no resumo ou no texto integral, mas os trabalhos de 2001 e 2009 só no resumo e boa parte dos receptores e dos outros atratores vem de revisões.

Fontes

  1. Nature — Defensin-like polypeptide LUREs are pollen tube attractants secreted from synergid cells
    Okuda, S. et al. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/nature07882
  2. Science — Pollen tube attraction by the synergid cell
    Higashiyama, T.; Yabe, S.; Sasaki, N.; Nishimura, Y.; Miyagishima, S.; Kuroiwa, H.; Kuroiwa, T. · 2001 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.1062429
  3. PLoS Biology — A species-specific cluster of defensin-like genes encodes diffusible pollen tube attractants in Arabidopsis
    Takeuchi, H.; Higashiyama, T. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.1001449
  4. Genes — The Role of Female and Male Genes in Regulating Pollen Tube Guidance in Flowering Plants
    Zheng, S. et al. · 2024 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3390/genes15111367
  5. Frontiers in Plant Science — The beginning of a seed: regulatory mechanisms of double fertilization
    Bleckmann, A.; Alter, S.; Dresselhaus, T. · 2014 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.3389/fpls.2014.00452
  6. Plant & Cell Physiology — Chemical visualization of an attractant peptide, LURE
    Goto, H.; Okuda, S.; Mizukami, A.; Mori, H.; Sasaki, N.; Kurihara, D.; Higashiyama, T. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1093/pcp/pcq191
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

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