História da África

Lumumba lutou para manter Katanga, a província das minas, dentro do Congo e foi assassinado em 1961 com participação belga

Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Patrice Lumumba tornou-se o primeiro chefe de governo do Congo independente em 30 de junho de 1960. Naquele dia, falou sem estar no programa e lembrou, diante do rei da Bélgica, as violências do domínio colonial. Em menos de duas semanas, Katanga, a província das minas, declarou secessão, sustentada pela mineradora belga Union Minière. Lumumba pediu ajuda à ONU para manter o país inteiro. Foi destituído em setembro, preso em dezembro e levado a Katanga, com ajuda de belgas, onde foi morto em 17 de janeiro de 1961.

Lumumba nasceu em 1925 em Onalua, no Kasai, e em 1958 fundou e presidiu o Movimento Nacional Congolês (MNC), que saiu das eleições de maio de 1960 como o maior partido do país. Como primeiro-ministro, enfrentou ao mesmo tempo um motim do exército, a volta de tropas belgas e a secessão de Katanga, que ele e o presidente Joseph Kasa-Vubu atribuíram a "maquinações colonialistas" em telegramas à ONU. Para a ONU, a Union Minière du Haut-Katanga deu ao movimento separatista sustento econômico e político, pagando inclusive mercenários e aviões de guerra. Lumumba buscou também apoio soviético, o que alarmou Washington. Em 5 de setembro de 1960, Kasa-Vubu o destituiu; dias depois, o coronel Joseph Mobutu deu um golpe. Lumumba foi entregue às autoridades de Katanga e executado com dois companheiros, Maurice Mpolo e Joseph Okito.

Um dente voltou para Kinshasa

Do corpo de Lumumba, a família recebeu apenas um dente atribuído a ele, guardado por anos por um ex-policial belga e apreendido pela Justiça da Bélgica. Em 20 de junho de 2022, no Palácio de Egmont, em Bruxelas, ele foi entregue aos filhos de Lumumba, e o primeiro-ministro belga pediu desculpas.

Do Kasai ao governo

Lumumba nasceu em 2 de julho de 1925 em Onalua, no Kasai, estudou em escolas missionárias e trabalhou nos correios de Stanleyville, hoje Kisangani. Em 1958 fundou o Movimento Nacional Congolês. Nas eleições de maio de 1960, o MNC foi o partido mais votado, e Lumumba chegou à chefia do governo com Joseph Kasa-Vubu na presidência. No dia da independência, 30 de junho, pediu a palavra sem estar no programa e respondeu ao rei Balduíno lembrando o que o domínio colonial tinha imposto aos congoleses.

Katanga e as minas

Dias após a independência, o exército se amotinou contra os oficiais belgas, tropas da Bélgica voltaram ao país e Katanga, sob Moïse Tshombe, declarou-se separada. Em 12 e 13 de julho, Lumumba e Kasa-Vubu pediram socorro militar à ONU e chamaram a secessão de fruto de "maquinações colonialistas". Em 31 de julho, Lumumba acusou a Bélgica de barrar a entrada da ONU em Katanga para fortalecer os separatistas. O Anuário da ONU de 1961 registra que a Union Minière du Haut-Katanga sustentou o movimento, pagando mercenários e aviões de guerra.

Quem agiu contra ele

Sem resposta rápida da ONU, Lumumba buscou ajuda soviética, e Washington passou a vê-lo como ameaça. A CIA planejou matá-lo, segundo o Comitê Church do Senado americano em 1975, e pagou Mobutu para garantir a lealdade de oficiais. Em 5 de setembro, Kasa-Vubu o destituiu; em 14 de setembro, Mobutu deu um golpe. Lumumba fugiu da prisão domiciliar, foi recapturado no fim de 1960 e, com ajuda de diplomatas, funcionários e militares belgas, entregue a Katanga. Ali foi executado em 17 de janeiro de 1961, com Maurice Mpolo e Joseph Okito, diante de autoridades katanguesas.

Reconhecimento tardio

A ONU investigou as mortes em 1961 e apontou Tshombe, Munongo e Kasa-Vubu. Só em 2000 a Bélgica abriu uma comissão parlamentar, que em 2001 concluiu que ministros belgas da época têm responsabilidade moral pelas circunstâncias do crime e que o governo mentiu sobre a morte. Em 2002, o chanceler Louis Michel expressou profundos pesares. Em 20 de junho de 2022, o primeiro-ministro Alexander De Croo pediu desculpas e entregou à família, no Palácio de Egmont, um dente atribuído a Lumumba, que a Justiça belga tinha recuperado em 2016.

Como sabemos

Datas e conclusões conferidas em documentos oficiais: anuários da ONU de 1960 e 1961, discurso do primeiro-ministro belga de 2022, revista de inteligência da CIA e Departamento de Estado dos EUA.

Em debate: Papel dos Estados Unidos: a CIA tinha um plano de assassinato e financiava Mobutu, mas a agência e o Comitê Church concluíram que ela não executou a morte; historiadores discutem quanto o apoio americano a Mobutu e a Kasa-Vubu pesou na decisão de entregar Lumumba a Katanga.

Em debate: Alcance da culpa belga: a comissão de 2001 falou em 'responsabilidade moral' e não achou ordem escrita para matar Lumumba; críticos congoleses e belgas consideram a fórmula branda, e a Justiça belga reabriu o caso contra ex-funcionários ainda vivos.

Em debate: Divisão interna congolesa: Kasa-Vubu, Mobutu, Tshombe e Munongo, todos congoleses, tiveram papel direto na prisão, na entrega e na execução, segundo a ONU; o post os nomeia ao lado dos atores estrangeiros.

Fontes

  1. South African History Online — Patrice Émery Lumumba
    consultada em 05/10/2026
  2. AfricaMuseum (Museu Real da África Central), Arquivos — Lumumba, Patrice (nota biográfica e Fonds Commission Lumumba)
    consultada em 05/10/2026
  3. Nações Unidas, Dag Hammarskjöld Library — Yearbook of the United Nations 1960, cap. Questions relating to the situation in the Republic of the Congo (Léopoldville)
    consultada em 05/10/2026
  4. Nações Unidas, Dag Hammarskjöld Library — Yearbook of the United Nations 1961, cap. Questions concerning the situation in the Republic of the Congo (Léopoldville)
    consultada em 05/10/2026
  5. Governo federal da Bélgica, Chancelaria do Primeiro-Ministro (arquivo) — Discours du Premier ministre lors de la cérémonie de restitution de la dépouille de Patrice Emery Lumumba (20 de junho de 2022)
    consultada em 05/10/2026
  6. Central Intelligence Agency, Center for the Study of Intelligence — CIA's Covert Operations in the Congo, 1960–1968: Insights from Newly Declassified Documents (Studies in Intelligence, vol. 58, n. 3, 2014)
    consultada em 05/10/2026
  7. Office of the Historian, Departamento de Estado dos EUA — The Congo, Decolonization, and the Cold War, 1960–1965
    consultada em 05/10/2026
  8. VRT NWS (radiotelevisão pública da Bélgica) — Assassinat de Lumumba : De Croo reconnaît une "responsabilité morale" et présente des "excuses"
    consultada em 05/10/2026
  9. EBSCO Research Starters — Patrice Lumumba
    consultada em 05/10/2026
  10. Ministério das Relações Exteriores da Bélgica (FPS Foreign Affairs) — Belgium and DR Congo: working together for the future
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +2 imagem(ns)
  • Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão

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