Zoologia

Lula-colossal pesa mais, lula-gigante é mais longa: o que “maior” quer dizer e quanto das medidas é sólido

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Mar profundo

Em massa, a lula-colossal (Mesonychoteuthis hamiltoni) é a maior: o exemplar mais pesado registrado tinha 495 kg, contra até cerca de 275 kg na lula-gigante (Architeuthis dux). Em comprimento, a gigante leva vantagem: o maior exemplar verificado mede 12 m, e a colossal chega a cerca de 6 m. Mas o comprimento total inclui tentáculos que esticam depois da morte, e as duas são conhecidas por poucos exemplares inteiros.

Nas lulas, o comprimento do manto (ML) mede só o tronco, o saco muscular atrás da cabeça. O comprimento total soma manto, cabeça, oito braços e dois tentáculos longos usados para capturar presas. Os tentáculos são elásticos, se esticam ou se rompem depois da morte, e por isso o total varia muito de um relato para outro. A massa não depende dos tentáculos e permite outra comparação. A lula-colossal pertence à família Cranchiidae, as lulas-de-vidro, quase todas pequenas e translúcidas. A lula-gigante vive em quase todos os oceanos profundos. Ambas são vistas muito raramente vivas, e quase tudo o que se sabe vem de carcaças, de estômagos de baleias e de bicos.

Quem tem o maior bico e o maior olho

Segundo o museu Te Papa, a lula-colossal tem o maior bico entre todas as lulas, inclusive a gigante. Já os maiores olhos dos oceanos, e do planeta, são de lulas-gigantes e colossais, de acordo com uma revisão de 2017.

Comprimento: o número que mais se exagera

O máximo relatado para a lula-gigante é 17,37 m, de 1879. McClain e colegas, que reuniram 75 comprimentos totais, consideram verificado apenas o valor de 12 m, porque acima disso os relatos não foram medidos de primeira mão. A mediana da compilação é 7,29 m, e 90% dos exemplares ficam abaixo de 12,9 m. A colossal é citada com até cerca de 6 m, mas o seu exemplar mais pesado media 4,2 m.

Massa: onde a colossal ganha

Em massa, a ordem se inverte. O exemplar de 495 kg da lula-colossal supera em cerca de 1,8 vez (conta nossa: 495 ÷ 275) o limite citado de cerca de 275 kg para a gigante, e a compilação de McClain registra que 95% das gigantes pesaram menos de 250 kg. Para os autores, a colossal pode atingir o dobro da massa da gigante, o que é uma inferência de poucos exemplares. É por isso que a colossal é chamada de invertebrado mais pesado e a gigante, de cefalópode mais longo.

Como sabemos os tamanhos, e onde a medida falha

Quase tudo vem de animais mortos: exemplares presos em redes e anzóis de pesca, encalhados, ou restos em estômagos de baleias. Esses corpos se deformam. Os tentáculos esticam durante a decomposição ou se rompem, de modo que o comprimento total é a medida menos confiável. O comprimento do manto, mais estável, prevê melhor a massa na compilação das gigantes. Para a colossal há só 12 exemplares inteiros, então qualquer máximo pode ser revisto com um novo achado.

Ganchos, bico e o que cada uma faz no mar

A colossal tem ganchos giratórios nas clavas e o maior bico entre as lulas. Uma estimativa metabólica baseada em lulas parentes sugere que ela caça de emboscada, flutuando, mais do que persegue presas; é uma inferência, pois nunca foi observada viva. A gigante, por sua vez, foi fotografada em 2004 a 900 m, atacando uma isca. Esse registro e a filmagem de 2012 estão no artigo sobre a lula-gigante viva.

Como sabemos

Números de massa e comprimento vêm de uma compilação revisada por pares e de museu, mas poucos exemplares inteiros existem e os máximos de comprimento são discutidos.

Em debate: O máximo relatado é 17,37 m (1879), mas a compilação de McClain et al. (2015) trata 12 m como o maior valor verificado; tentáculos que esticam depois da morte podem inflar relatos maiores.

Fontes

  1. PeerJ — Sizing ocean giants: patterns of intraspecific size variation in marine megafauna
    McClain, C. R.; Balk, M. A.; Benfield, M. C.; et al. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.7717/peerj.715
  2. Polar Biology (manuscrito aceito, repositório NERC) — Biology of the world's largest invertebrate, the colossal squid (Mesonychoteuthis hamiltoni): a short review
    Rosa, R.; Lopes, V. M.; Guerreiro, M.; Bolstad, K.; Xavier, J. C. · 2017 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s00300-017-2104-5
  3. Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa — The difference between colossal squid, giant squid, and octopus
    Museu de Nova Zelândia Te Papa Tongarewa · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa — The life and habits of a colossal squid
    Museu de Nova Zelândia Te Papa Tongarewa · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. Proceedings of the Royal Society B — First-ever observations of a live giant squid in the wild
    Kubodera, T.; Mori, K. · 2005 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1098/rspb.2005.3158
  6. GigaScience — A draft genome sequence of the elusive giant squid, Architeuthis dux
    da Fonseca, R. R.; Couto, A.; Machado, A. M.; et al. · 2020 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/gigascience/giz152
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 9; conferência de trechos automatizada)

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