Astronomia

Io, lua de Júpiter, é o mundo vulcanicamente mais ativo do Sistema Solar: o calor vem das marés

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Io é só um pouco maior que a Lua da Terra e tem cerca de 400 vulcões estimados, em erupção contínua. A causa não é calor interno herdado: a gravidade de Júpiter e os puxões bem cronometrados de Europa e Ganimedes esticam e comprimem a lua a cada volta de 42,5 horas. A superfície sobe e desce até 100 metros, e esse atrito aquece e derrete parte do interior.

Io orbita Júpiter a cerca de 422 mil km. Sua órbita não é um círculo perfeito, porque Europa e Ganimedes, mais distantes, a puxam em intervalos regulares. Assim a distância até Júpiter varia, a força de maré muda ao longo da volta e a lua é deformada sem parar. Essa flexão gera energia que derrete porções do interior. O resultado visível são fontes de lava de dezenas de quilômetros de altura e lagos de lava de silicato. A atividade só foi reconhecida em março de 1979, quando a sonda Voyager 1 registrou uma erupção em curso, embora Galileu tenha descoberto a lua em 1610. A Juno, em sobrevoos de dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, indicou que cada vulcão tem sua própria câmara de magma, sem oceano global sob a crosta.

Vista da Terra

Algumas erupções de Io são tão potentes que aparecem em grandes telescópios na Terra. Loki Patera, uma depressão vulcânica de cerca de 200 km de largura, é um dos alvos mais estudados.

Por que as marés aquecem uma lua

Quando um corpo é esticado e comprimido de forma repetida, o atrito interno vira calor. Em Io, a gravidade de Júpiter faz esse trabalho, e os puxões regulares de Europa e Ganimedes impedem a órbita de ficar circular. A superfície chega a subir e descer cerca de 100 metros a cada volta de 42,5 horas, e a energia dessa flexão derrete partes do interior.

A descoberta de 1979

Galileu viu Io em 1610, mas por mais de três séculos ninguém soube que ela tinha vulcões. Em março de 1979, a Voyager 1 registrou uma erupção em curso e a engenheira de imagens Linda Morabito foi a primeira a identificar a pluma nas imagens. Foi a primeira detecção de vulcanismo ativo fora da Terra.

O que a Juno mudou

A sonda passou a cerca de 1.500 km da superfície em dezembro de 2023 e fevereiro de 2024. Os dados indicam que as marés nem sempre criam oceanos globais de magma e que cada vulcão tem uma câmara de magma local. A pergunta sobre magma sob Io saiu de 'sim ou não' para 'como está distribuído'.

Lava de silicato e enxofre

A NASA registra lagos de lava de silicato fundido e fontes de lava de dezenas de quilômetros de altura. Dióxido de enxofre é o principal componente de uma atmosfera fina. Loki Patera, depressão de cerca de 200 km de largura, é um dos pontos quentes mais estudados, inclusive pela Juno.

Como sabemos

Os fatos centrais vêm de páginas da NASA e do JPL; o detalhe de interior da Juno depende de um artigo da Nature citado por comunicado.

Em debate:

Fontes

  1. NASA Science — Facts About Io
    consultada em 05/10/2026
  2. NASA JPL — NASA's Juno Mission Uncovers Heart of Jovian Moon's Volcanic Rage
    consultada em 05/10/2026
  3. NASA Science — Io: Exploration
    consultada em 05/10/2026
  4. NASA Science — Io: Facts
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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