Astronomia

Das quatro luas de Galileu, Io tem 3,53 g/cm³ e vulcões; Calisto, 1,83 g/cm³ e crateras: por que diferem

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

As quatro luas de Galileu têm densidade média de 3,53 g/cm³ (Io) a 1,83 g/cm³ (Calisto): quanto menor, maior a parte de gelo. Io, a mais densa, tem centenas de vulcões. Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar e a única com campo magnético próprio conhecido. Calisto é, segundo a NASA, o objeto mais craterizado do Sistema Solar e parece só parcialmente diferenciada. O calor de maré, mais forte nas luas internas, e o modo como cada lua se formou são as explicações em discussão.

Diferenciar, para um corpo planetário, é separar o interior em camadas: metal e rocha afundam, o gelo sobe. O grau disso se estima pelo momento de inércia normalizado, calculado a partir do campo de gravidade que a sonda Galileo mediu nos sobrevoos: uma esfera homogênea tem 2/5 (0,4), e valores menores indicam massa concentrada no centro. O calor de maré vem da deformação: Júpiter estica e comprime as luas ao longo da órbita, e o atrito interno vira calor. Io, Europa e Ganimedes estão em ressonância de Laplace, em que seus períodos orbitais mantêm relação simples entre si; Calisto, a mais distante, fica fora dela. Io e Europa têm posts próprios; aqui o foco é a comparação.

Maior que Mercúrio, menos densa que Io

Segundo a NASA, Ganimedes é maior que o planeta Mercúrio e que Plutão. Mas, com 1,94 g/cm³, sua densidade é pouco mais da metade da de Io (3,53 g/cm³): é um mundo de gelo e rocha, e não de rocha e metal.

Tamanho e densidade: o primeiro corte

Na tabela do JPL, o raio médio vai de 1.560,80 km (Europa) a 2.631,20 km (Ganimedes), e a densidade, de 1,8340 g/cm³ (Calisto) a 3,5276 g/cm³ (Io). Como o gelo de água é bem menos denso que a rocha, uma lua de densidade menor tem mais gelo na mistura. Esse raciocínio é nosso, não um dado da tabela: ele separa as duas internas, mais densas, das duas externas, de cerca de 1,8 a 1,9 g/cm³. Densidade parecida, porém, não garante interiores iguais, como mostra Calisto.

Como sabemos: o interior sai do campo de gravidade

Nenhuma sonda desceu a essas luas, então o interior vem de medidas à distância. A Galileo mediu o campo de gravidade nos sobrevoos, e dele sai o momento de inércia normalizado. Para Calisto o valor é 0,3549 ± 0,0042, alto, o que sugere diferenciação parcial; o de Ganimedes é menor, o que sugere diferenciação completa. O limite é que o cálculo supõe equilíbrio hidrostático (a lua se comporta como um fluido em repouso), e a missão JUICE deve testar essa suposição a partir de 2031.

Calor de maré: um gradiente que começa em Io

Io está num cabo de guerra entre a gravidade de Júpiter e os puxões de Europa e Ganimedes, e é a lua vulcanicamente mais ativa do Sistema Solar, segundo a NASA. Um estudo de 2020 calcula que marés entre as luas podem aquecer também Europa, no oceano e na crosta. As três internas estão na ressonância de Laplace; Calisto, não. Nossa leitura é que o calor de maré diminui de Io para Calisto, mas as fontes lidas não medem esse gradiente, nem o calor de maré de Calisto.

Ganimedes: a lua com campo magnético próprio

Segundo a NASA, Ganimedes é a única lua conhecida com campo magnético próprio, gerado por um núcleo de ferro metálico; em volta ficam um manto de rocha e uma casca de gelo. O campo cria auroras nos polos. A NASA também diz haver fortes indícios de um oceano salgado sob a superfície. Como se detecta oceanos assim, e com que grau de certeza em cada lua, está nos posts sobre oceanos escondidos.

Calisto: a pergunta que a JUICE vai testar

Por que Calisto, de tamanho e massa próximos aos de Ganimedes, ficou menos diferenciada não tem resposta firme. Um estudo de 2025 propõe que a acreção de pedregulhos mantém o estado parcial; é hipótese de um autor, não consenso, e depende de a JUICE confirmar o estado parcial. A superfície muito craterizada de Calisto, em geral sinal de superfície antiga, é tema do post sobre contagem de crateras. Um oceano em Calisto é, por ora, possibilidade.

Como sabemos

Os números físicos vêm do JPL e as características gerais, da NASA; as afirmações sobre interior e calor de maré vêm de pré-impressões e dependem de modelos.

Em debate: As duas luas têm tamanho e massa próximos, mas momentos de inércia diferentes. Calor de maré, calor de formação e modo de acreção são candidatos, e o estudo de 2025 lido diz que não há resposta clara.

Fontes

  1. NASA/JPL Solar System Dynamics — Planetary Satellite Physical Parameters
    JPL Solar System Dynamics · 2025 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. NASA Science — Ganymede
    NASA Science · 2025-04-25 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  3. NASA Science — Callisto
    NASA Science · 2026-09-28 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  4. NASA Science — Io
    NASA Science · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. Graduate School of Science and Engineering, Kagoshima University (arXiv) — Partial Differentiation of Callisto as Possible Evidence for Pebble Accretion
    Shibaike, Y. · 2025 (pré-impressão) · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  6. Lunar and Planetary Laboratory, University of Arizona (arXiv) — Powering the Galilean Satellites with Moon-Moon Tides
    Hay, H. C. F. C.; Trinh, A.; Matsuyama, I. · 2020 (pré-impressão) · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)

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