Astronomia
Por que a Lua fica vermelha num eclipse total: a atmosfera da Terra filtra a luz do Sol e a desvia
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Num eclipse lunar total, a Terra bloqueia a luz direta do Sol, mas a atmosfera desvia (refrata) uma parte dela para dentro da sombra. No caminho rasante o azul se espalha e o vermelho sobra, o mesmo efeito do pôr do sol. A cor e o brilho variam de um eclipse para outro, do cinza escuro ao laranja vivo, conforme nuvens e partículas, sobretudo as de grandes erupções vulcânicas.
A sombra da Terra tem duas partes: a umbra, onde o Sol fica totalmente coberto, e a penumbra, onde fica coberto só em parte. Num eclipse total, a Lua entra na umbra. Ali não chega luz direta do Sol, mas chega a que atravessou a borda da atmosfera terrestre e foi desviada para dentro da sombra. Essa luz percorre uma camada longa e baixa de ar, como a de um pôr do sol visto por quem está no chão, e perde mais azul do que vermelho. Por isso a Lua não some: ela é iluminada por luz de amanheceres e entardeceres de todo o contorno da Terra ao mesmo tempo. A limpeza do ar decide o tom, e o astrônomo francês A. Danjon propôs uma escala de cinco pontos para descrevê-lo.
Um eclipse quase invisível
O eclipse total de 9 de dezembro de 1992, cerca de um ano e meio depois da erupção do Pinatubo, foi tão escuro que o disco cinzento da Lua era difícil de ver a olho nu, segundo o astrônomo Fred Espenak.
A atmosfera como lente em anel
Segundo a NASA, as camadas mais baixas da atmosfera, mais densas, desviam a luz do Sol por ângulos maiores e a levam para a parte interna da umbra; as mais altas desviam menos e iluminam a parte externa. Por isso o brilho da luz refratada tende a crescer do centro da sombra para a borda, o que combina com a borda clara, às vezes azulada, descrita nos eclipses mais brilhantes. Nuvens e poeira distribuídas de forma desigual criam variações de brilho dentro da umbra.
O que muda a cor: nuvens e aerossóis
Nuvens e partículas no caminho da luz a enfraquecem antes de ela chegar à Lua. Segundo a NASA, aerossóis como cinzas vulcânicas, poeira e gotículas de ácido sulfúrico podem atenuar bastante a luz. Depois de grandes erupções (Agung, 1963; El Chichón, 1982; Pinatubo, 1991), os eclipses ficaram escuros por anos. Atenção ao senso comum: mais poeira no ar não deixa a Lua mais vermelha, e sim mais escura, em tons de cinza ou marrom.
A escala de Danjon, em cinco degraus
A escala vai de L=0, eclipse muito escuro em que a Lua quase some, a L=4, eclipse muito brilhante, cobre-avermelhado ou alaranjado. No meio ficam L=1 (escuro, cinza ou marrom), L=2 (vermelho escuro ou cor de ferrugem) e L=3 (vermelho de tijolo, com a borda da umbra clara ou amarelada). A avaliação é visual, de preferência perto do meio da totalidade, com registro do instrumento e da hora.
Como sabemos que os vulcões escurecem a Lua
Em 1983, R. A. Keen comparou os brilhos observados de 21 eclipses lunares (1960 a 1982) com o cálculo de uma atmosfera sem aerossóis. A diferença indicou quanto aerossol havia na estratosfera, e a carga após El Chichón saiu parecida com a de Agung. Em 2011, outro grupo analisou um espectro do eclipse de 2008 e encontrou sinais compatíveis com a nuvem vulcânica do Kasatochi. São poucos casos, e os brilhos antigos foram estimados a olho.
Como sabemos
Mecanismo e escala de Danjon vêm de páginas da NASA lidas por inteiro; o papel dos aerossóis vulcânicos tem artigo revisado e estudos posteriores.
- Consenso científico: O mesmo processo que torna os pores do sol vermelhos dá aos eclipses lunares totais a sua cor característica, vermelho-alaranjada. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Eclipses lunares totais em geral. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: As moléculas da atmosfera espalham a luz de comprimento de onda curto (amarelo, verde, azul) mais do que a de comprimento longo (laranja, vermelho). [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Espalhamento por moléculas do ar. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Embora a massa da Terra bloqueie toda a luz solar direta na umbra, a atmosfera filtra, atenua e desvia parte dos raios do Sol para dentro da sombra. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Umbra da Terra durante um eclipse total. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: A troposfera e a estratosfera atuam juntas como uma lente em anel que refrata para a umbra luz solar fortemente avermelhada. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Descrição qualitativa do mecanismo, segundo o catálogo de eclipses da NASA. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Quando o Sol está perto do horizonte, a luz percorre um caminho longo e rasante na atmosfera; a parte azul se espalha para longe e só chega aos olhos a parte do amarelo ao vermelho. [2] How It Works
Contexto: Explicação da NASA para o pôr do sol e o eclipse. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O astrônomo francês A. Danjon propôs uma escala de cinco pontos (L de 0 a 4) para avaliar o aspecto e o brilho da Lua em eclipses lunares totais. [1] Danjon Scale of Lunar Eclipse Brightness
Contexto: Escala visual, feita a olho nu, com binóculos ou telescópio pequeno. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Na escala de Danjon, L=0 é um eclipse muito escuro, com a Lua quase invisível no meio da totalidade. [1] Danjon Scale of Lunar Eclipse Brightness
Contexto: Extremo escuro da escala. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Na escala de Danjon, L=4 é um eclipse muito brilhante, cobre-avermelhado ou alaranjado, com a borda da umbra azulada e muito clara. [1] Danjon Scale of Lunar Eclipse Brightness
Contexto: Extremo claro da escala. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Grandes erupções vulcânicas em 1963 (Agung) e 1982 (El Chichón) lançaram gás e cinzas na estratosfera e foram seguidas por vários anos de eclipses muito escuros. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Eclipses totais após essas erupções. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O eclipse total de 9 de dezembro de 1992, cerca de 1,5 ano depois do Pinatubo, foi tão escuro que o disco cinzento da Lua era difícil de ver a olho nu. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Observação pessoal de F. Espenak, citada na página da NASA. · Limitações: É uma observação visual de um único observador, não uma medida fotométrica. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Consenso científico: Aerossóis estratosféricos podem afetar profundamente o brilho da Lua eclipsada. [3] Resumo
Contexto: Eclipses lunares de 1960 a 1982. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Keen comparou os brilhos observados de 21 eclipses lunares entre 1960 e 1982 com cálculos teóricos para uma atmosfera sem aerossóis, obtendo a carga global de aerossóis. [3] Resumo
Contexto: Método do estudo de 1983. · Limitações: Brilhos observados a olho (escala visual); o estudo é de 1983 e usa a teoria de refração então disponível. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Interpretação: Uma análise de um espectro publicado do eclipse de 16 de agosto de 2008 indicou que a luz solar difusa (espalhada) foi um componente importante do espectro em comprimentos de onda abaixo de 600 nm, o que concorda com a nuvem vulcânica do Kasatochi. [4] Resumo
Contexto: Um único espectro, de um eclipse (agosto de 2008), reanalisado pelos autores. · Limitações: A contribuição da luz espalhada no terminador costuma ser considerada pequena; o resultado vale para esse espectro e foi apresentado como consistente com a nuvem do Kasatochi, não como prova isolada. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Consenso científico: A refração dos raios de sol que atravessam a atmosfera da Terra é um fator crítico na iluminação da Lua eclipsada. [5] Resumo
Contexto: Espectros do infravermelho próximo do eclipse de agosto de 2008. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: Cerca de 75% da massa da atmosfera fica nos 10 km mais baixos (troposfera), onde também está a maior parte do vapor de água, que forma nuvens capazes de bloquear ainda mais luz. [1] Appearance of Total Lunar Eclipses
Contexto: Atmosfera terrestre em geral. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- NASA Goddard Space Flight Center (Five Millennium Canon of Lunar Eclipses) — Visual Appearance of Lunar Eclipses
Espenak, F.; Meeus, J. · 2009 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NASA Science — Eclipses and the Moon
NASA Science · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Science, 222(4627), 1011-1013 — Volcanic aerosols and lunar eclipses
Keen, R. A. · 1983 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.222.4627.1011 - Geophysical Research Letters (pré-publicação no arXiv) — The impact of the Kasatochi eruption on the Moon's illumination during the August 2008 lunar eclipse
García Muñoz, A.; Pallé, E.; Zapatero Osorio, M. R.; Martín, E. L. · 2011 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1029/2011GL047981 - The Astrophysical Journal 755, 103 (pré-publicação no arXiv) — Glancing views of the Earth. From a lunar eclipse to an exoplanetary transit
García Muñoz, A.; Zapatero Osorio, M. R.; Barrena, R.; Montañés-Rodríguez, P.; Martín, E. L.; Pallé, E. · 2012 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1088/0004-637X/755/2/103
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)