Astronomia
Os “mares” da Lua são planícies de lava basáltica; as rochas das Apollo têm entre 3,1 e 3,9 bilhões de anos
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Os “mares” lunares não têm água: são planícies escuras de basalto, lava que inundou grandes bacias de impacto e endureceu. As amostras das missões Apollo, que confirmaram a composição basáltica a partir de 1969, têm entre cerca de 3,1 e 3,9 bilhões de anos. Os mares cobrem só cerca de 17% da superfície da Lua.
Da Terra, a Lua mostra manchas escuras e áreas claras. As claras são as terras altas, crosta mais antiga que sobreviveu aos impactos que abriram as grandes bacias. As escuras são os mares (em latim, maria): depressões com mais ferro e titânio que as terras altas. Basalto é a rocha em que uma lava escura e fluida se solidifica; na Lua, essa lava preencheu as bacias de impacto, que já existiam. Hoje não há vulcões em erupção, mas restam planícies, domos e cavernas de lava. As idades vêm de dois métodos: a datação radiométrica de rochas trazidas à Terra, que indica há quanto tempo o mineral cristalizou, e a contagem de crateras, em que superfícies mais antigas acumulam mais crateras e a escala é calibrada com as amostras.
A régua das crateras foi testada com basalto de 2 bilhões de anos
A missão chinesa Chang’e-5 trouxe basalto de um mar que as Apollo não visitaram. A datação deu 2.030 ± 4 milhões de anos, cerca de 1 bilhão de anos a menos que as Apollo mais jovens, e serviu para testar a contagem de crateras, que ficou a cerca de 20% da idade medida.
Como se sabe que é lava e não água
Pelo telescópio, a Lua só mostrava regiões de baixo e de alto brilho, depois chamadas de mares e terras altas. Foi a Apollo 11, em 1969, que trouxe amostras e confirmou que os mares escuros são formados sobretudo por rochas basálticas. A composição também difere: as terras altas são ricas em cálcio e alumínio, e os mares têm mais ferro e titânio. Ou seja, o que parecia mar era rocha vulcânica solidificada.
Dois relógios para datar a lava
O primeiro relógio é a datação radiométrica das amostras: os basaltos das Apollo têm cerca de 3,1 a 3,9 bilhões de anos, e o da Chang’e-5, 2.030 ± 4 milhões de anos. O segundo é a contagem de crateras, que dá idade a superfícies que ninguém visitou e é calibrada com as amostras. Na Chang’e-5, a contagem previu entre cerca de 2,2 e 1,5 bilhões de anos, até 20% de diferença da medida. Limite: a calibração depende de poucos sítios.
Amostras de poucos lugares, mares de todo o lado visível
Cerca de 93% do basalto dos mares e criptomares está no lado visível, e só cerca de 7% no oculto. As Apollo coletaram em apenas sete regiões perto do equador desse lado, o que limita teorias baseadas só nelas. As missões chinesas ampliaram o quadro: a Chang’e-5 amostrou um mar de 2 bilhões de anos, e a Chang’e-6, o lado oculto, com 2,807 ± 3 milhões de anos. Por que os mares se concentram num lado fica para outra pauta.
Quando a lava parou de correr
Datações de amostras apontam magmatismo basáltico entre cerca de 4,4 e 2,9–2,8 bilhões de anos, com pulsos em torno de 3,95–3,58 e 3,38–3,08 bilhões; a Chang’e-5 estendeu o registro para cerca de 2 bilhões. A contagem de crateras sugere unidades ainda mais jovens, de até cerca de 1,2 bilhão de anos, mas sem confirmação em amostra. O fim do vulcanismo dos mares segue, portanto, uma questão aberta.
Como sabemos
Os pontos centrais (basalto, bacias inundadas, idades das Apollo) vêm de artigos revisados por pares e da NASA e se confirmam entre si.
- Fato estabelecido: As missões Apollo, a partir da Apollo 11 em 1969, confirmaram que os mares escuros da Lua são compostos predominantemente de rochas basálticas. [3] Seção “Lunar evolution as seen through the Apollo samples”
Contexto: Mares lunares em geral; amostras das Apollo vêm de sete regiões (ver a9). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os mares são lava resfriada que inundou grandes bacias de impacto; as terras altas são partes mais antigas da crosta que sobreviveram aos impactos que formaram essas bacias. [4] Seção Composition, parágrafo sobre a crosta
Contexto: Mares lunares em geral. · Limitações: O intervalo de 4,2 a 1,2 bilhões de anos citado pela NASA inclui idades por contagem de crateras, não só datações de amostras (ver a13). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Consenso científico: Os basaltos das Apollo se formaram há cerca de 3,1 a 3,9 bilhões de anos. [3] Seção “Lunar evolution as seen through the Apollo samples”
Contexto: Basaltos coletados nos sete sítios de pouso das Apollo, no lado visível. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Estudos radiométricos de amostras das Apollo, das Luna e de meteoritos lunares indicam magmatismo basáltico entre cerca de 4,4 e 2,9–2,8 bilhões de anos atrás, com dois pulsos principais, em torno de 3,95–3,58 e 3,38–3,08 bilhões de anos. [1] Main, primeiro parágrafo
Contexto: Resumo de uma revisão feita pelos autores antes das amostras da Chang’e-5 e da Chang’e-6. · Limitações: O limite final de 2,9–2,8 bilhões de anos foi superado por datações posteriores (a7, a10). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: O basalto dos mares cobre apenas cerca de 17% da superfície da Lua. [1] Main, primeiro parágrafo
Contexto: Superfície total da Lua. · Limitações: Outra fonte (f2) dá cerca de 18% ao contar também os mares cobertos por material mais jovem (criptomares); a diferença vem do que se conta. · Valor aproximado, que depende de como se mapeiam e se contam os mares. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Cerca de 93% do basalto de mares e criptomares fica no lado visível da Lua e só cerca de 7% no lado oculto. [2] Main, primeiro parágrafo
Contexto: Mares e criptomares, que somam cerca de 18% da superfície. · Percentuais aproximados; a razão da assimetria é tema de outra pauta. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Basaltos trazidos pela missão Chang’e-5 têm idade chumbo–chumbo de 2.030 ± 4 milhões de anos, cerca de 2 bilhões. [1] Resumo
Contexto: Fragmentos de basalto do regolito de um mar no lado visível, em área que as Apollo não amostraram. · Limitações: É a idade de um sítio; não define o fim do vulcanismo lunar. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A contagem de crateras é calibrada com idades de amostras das Apollo; para o sítio da Chang’e-5 ela previu entre cerca de 2,2 e 1,5 bilhões de anos, com diferença de cerca de 20% em relação à idade medida. [3] Seção “Lunar evolution as seen through the Apollo samples” [1] Discussão sobre a cronologia de crateras
Contexto: Cronologia de crateras da Lua, base para datar superfícies de outros corpos rochosos. · Limitações: Um único ponto de teste na faixa mais jovem; a calibração em si depende de poucas áreas amostradas. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: As amostras das Apollo foram coletadas em apenas sete regiões limitadas do lado visível, perto do equador lunar. [3] Introdução
Contexto: Cobertura geográfica das amostras que calibram a cronologia lunar. · Limitações: A fonte trata isso como limite para teorias clássicas baseadas só nas Apollo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Basaltos do lado oculto, trazidos pela Chang’e-6, indicam erupção principal há 2.807 ± 3 milhões de anos, idade que a fonte diz concordar com a da contagem de crateras. [2] Resumo
Contexto: Bacia Polo Sul–Aitken, lado oculto; um único sítio. · Limitações: A comparação dos dois lados fica em pauta própria. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: As terras altas são ricas em cálcio e alumínio, e os mares, mais escuros, têm mais ferro e titânio. [4] Seção Composition, parágrafo sobre a crosta
Contexto: Composição da crosta lunar em geral. · Limitações: Dizer que o ferro e o titânio explicam a cor escura é interpretação nossa; a fonte só relaciona as duas coisas. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Lua não tem vulcões em erupção hoje, mas já foi inundada por lava; as planícies basálticas foram criadas por erupções antigas, e Mare Crisium, por exemplo, foi inundado por lava basáltica escura e fluida. [5] Item “Wrinkle Ridge in Mare Crisium”
Contexto: Atividade vulcânica lunar em geral. · Limitações: Pequenas erupções recentes foram propostas por outras linhas de evidência e não são tratadas aqui. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Incerto: O fim do vulcanismo dos mares ainda não está definido por datação radiométrica: a contagem de crateras sugere unidades de até cerca de 1,2 bilhão de anos, mas faltam amostras dessas áreas para confirmar. [1] Main, primeiro parágrafo
Contexto: Estado do conhecimento descrito no artigo da Chang’e-5, de 2021. · Limitações: Posterior a esse artigo, a Chang’e-6 acrescentou uma idade de 2,8 bilhões de anos no lado oculto (a10), sem mudar essa lacuna para unidades mais jovens. · Questão aberta; as idades mais jovens por contagem de crateras não têm confirmação em amostra. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Nature — Two-billion-year-old volcanism on the Moon from Chang’e-5 basalts
Li, Q.-L. et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-021-04100-2 - Nature — Lunar farside volcanism 2.8 billion years ago from Chang’e-6 basalts
Zhang, Q. W. L. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-024-08382-0 - Nature Communications — Geologic evolution of the Moon studied through young lunar basaltic volcanism
Chen, J. et al. · 2026 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41467-026-72083-7 - NASA — Moon: composition
NASA Science · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NASA — Lunar volcanism
NASA Science · 2025 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 5; conferência de trechos automatizada)