Astronomia
O lado oculto da Lua tem cerca de 7% dos basaltos lunares; a Chang’e 6 achou lava de 2,8 bilhões de anos
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Cerca de 93% dos basaltos de mares e criptomares da Lua estão no lado visível; só cerca de 7% estão no lado oculto. As amostras da Chang’e 6, trazidas da Bacia Polo Sul–Aitken, mostram que houve lava ali em dois momentos, há cerca de 4,2 e 2,8 bilhões de anos. Por que os lados diferem ainda se discute; uma proposta aponta a crosta mais espessa do lado oculto.
Os “mares” lunares são planícies de basalto, lava endurecida que preencheu bacias de impacto. Criptomares são depósitos basálticos menos visíveis na superfície. Só cerca de 7% desse basalto fica no lado oculto, onde a crosta é, em média, mais espessa: cerca de 60 km, contra cerca de 40 km no lado visível. A maior bacia do lado oculto, a Polo Sul–Aitken, tem a crosta mais fina da Lua. Sem amostras de lá, as idades do lado oculto vinham só da contagem de crateras. A Chang’e 6 mudou isso em 2024.
A lava mais antiga já datada nas amostras lunares
Um fragmento de basalto rico em alumínio, do solo da Chang’e 6, tem 4.203 ± 4 milhões de anos. É o vulcanismo basáltico mais antigo entre as amostras trazidas à Terra, e sua fonte era rica em KREEP, ao contrário do basalto principal.
Duas faces, várias diferenças
O lado visível concentra cerca de 93% dos basaltos de mares e criptomares; o oculto, só cerca de 7% [a1]. A crosta média também difere: cerca de 60 km no lado oculto e cerca de 40 km no visível [a2]. A NASA diz que os cientistas ainda procuram a causa dessa desigualdade de espessura [a15]. A seção seguinte mostra onde a crosta é mais fina e o que se encontrou lá.
A Bacia Polo Sul–Aitken e os pousos chineses
A bacia é a maior da Lua, com cerca de 2.200 km de diâmetro médio e 13 km de profundidade [a3], e tem a crosta mais fina; ali se concentra a maior parte dos basaltos do lado oculto [a4]. A Chang’e 4 pousou nela em 2019, na cratera Von Kármán, e o rover mediu uma rocha cuja origem tem duas explicações possíveis [a14]. A Chang’e 6 pousou em 2 de junho de 2024 e trouxe 1.935,3 g de solo [a5].
Como sabemos a idade da lava do lado oculto
Os pesquisadores separaram fragmentos de basalto do solo e dataram 108 deles por Pb–Pb, usando cristais de minerais como a badeleíta [a9]. Resultado: um episódio principal de 2.807 ± 3 milhões de anos e um mais antigo, de 4.203 ± 4 milhões [a6][a7]. A idade principal bate com as estimativas por contagem de crateras para o local, o que apoia usar essa régua também no lado oculto [a10]. É a idade de um local de pouso, não do lado inteiro.
O que explica a assimetria: hipóteses e limites
O basalto de 2,8 bilhões de anos veio de um manto pobre em KREEP, elementos que produzem calor [a11]. Como as composições de manto dos dois lados se mostraram comparáveis, os autores propõem que a espessura da crosta seja o fator-chave [a12]; é hipótese. Outro estudo estima que o manto do lado oculto seja possivelmente mais seco [a13], o que, se confirmado, sugere assimetria também no interior. O vulcanismo durou mais de 1,4 bilhão de anos ali [a8].
Como sabemos
Idades e contagens vêm de artigos revisados por pares e da NASA e se confirmam; a explicação da assimetria é hipótese e a água no manto é estimativa indireta.
Em debate: A causa da assimetria de crosta e de vulcanismo segue em investigação. Um estudo com as amostras da Chang’e 6 propõe que a espessura da crosta seja o fator-chave, mas isso é hipótese; outro estudo, com água no manto, sugere que o interior também pode ser assimétrico.
- Estimativa: Os basaltos de mares e criptomares cobrem cerca de 18% da superfície lunar; cerca de 93% desse total está no lado visível e só cerca de 7% no lado oculto. [1] Main, §2
Contexto: Área coberta por basaltos de mares e criptomares em toda a Lua. · Limitações: Valores aproximados; incluem criptomares, por isso diferem de estimativas só de mares (cerca de 17% em outras fontes). · Percentuais de área estimados a partir de mapeamento por sensoriamento remoto. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A crosta lunar tem em média cerca de 60 km de espessura no lado oculto e cerca de 40 km no lado visível. [2] The Lunar Crust
Contexto: Valores médios para cada hemisfério; a espessura varia dentro de cada lado. · Limitações: A NASA dá os números em milhas e quilômetros arredondados; são médias, não valores locais. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Bacia Polo Sul–Aitken, no lado oculto, é a maior bacia de impacto da Lua, com cerca de 2.200 km de diâmetro médio e 13 km de profundidade. [4] Introduction
Contexto: Dimensões médias da bacia, segundo a literatura citada no artigo. · Limitações: O artigo citado (f4) é um estudo de composição de rocha; as dimensões vêm das referências dele. · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A Bacia Polo Sul–Aitken tem a crosta mais fina da Lua, e a maior parte dos basaltos do lado oculto se concentra nela. [1] Main, §4
Contexto: Região da bacia, no lado oculto. · Limitações: Afirmação do artigo com base em mapas de espessura da crosta e de basaltos citados por ele; não conferimos essas referências. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Chang’e 6 foi a primeira missão a trazer amostras do lado oculto da Lua: pousou em 2 de junho de 2024 na parte sul do Mare Apollo, no nordeste da Bacia Polo Sul–Aitken, e voltou com 1.935,3 g de solo. [1] Main, §4
Contexto: Missão chinesa de 2024; as análises do estudo usaram duas porções do solo, de 2 g e 3 g. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A principal fase de vulcanismo nos basaltos da Chang’e 6 tem 2.807 ± 3 milhões de anos, medida por datação Pb–Pb em fragmentos de basalto. [1] Abstract
Contexto: Basaltos do local de pouso da Chang’e 6, no sul do Mare Apollo. · Limitações: Idade de um único local de pouso; não vale automaticamente para todo o lado oculto. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Um fragmento de basalto rico em alumínio, de 4.203 ± 4 milhões de anos, é o exemplo mais antigo de vulcanismo basáltico entre as amostras lunares trazidas à Terra. [1] Abstract
Contexto: Comparação restrita às amostras já trazidas à Terra (Apollo, Luna e Chang’e). · Limitações: Superlativo vale só entre amostras devolvidas; o artigo diz que a fonte do magma era rica em KREEP. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Com os dois episódios (4,2 e 2,8 bilhões de anos), o vulcanismo de mares no lado oculto durou mais de 1,4 bilhão de anos. [1] Abstract
Contexto: Duração mínima inferida a partir das idades das amostras datadas. · Limitações: Só dois episódios foram datados; não há como saber se o vulcanismo foi contínuo entre eles. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A datação usou 108 fragmentos de basalto do solo da Chang’e 6; a análise in situ por sonda iônica (SIMS) mirou cristais de minerais com zircônio, como a badeleíta. [1] Fig. 1 legenda
Contexto: Método do estudo de Zhang et al. · Limitações: Não lemos a seção de Métodos em detalhe. · Conferida em parte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: A idade de 2,8 bilhões de anos concorda com as estimativas por contagem de crateras para o local de pouso, o que indica que a cronologia calibrada no lado visível também vale para o lado oculto. [1] Abstract
Contexto: Estimativas por crateras para o local de pouso variam de cerca de 2,4 a 3,07 bilhões de anos conforme o estudo e o modelo. · Limitações: Concordância dentro de 10% de incerteza com a mediana das estimativas publicadas; as estimativas individuais divergem entre si. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: O manto que gerou o basalto de 2,8 bilhões de anos da Chang’e 6 era pobre em KREEP (potássio, terras raras e fósforo, elementos que produzem calor), segundo a razão U/Pb (valor μ de 360 ± 10). [1] Diverse mantle sources
Contexto: Fonte do magma do basalto principal do local de pouso. · Limitações: Resultado de modelo de evolução isotópica do Pb em dois estágios. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Hipótese: Como o manto do lado oculto tem composição comparável à do lado visível, os autores propõem que a espessura da crosta pode ser o fator-chave da assimetria do vulcanismo. [1] Diverse mantle sources
Contexto: Argumento baseado em amostras de um só local do lado oculto, comparadas com amostras do lado visível. · Limitações: O texto usa “may”; o estudo não testou diretamente o efeito da crosta. · Proposta de um estudo; não é consenso estabelecido. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Uma estimativa de água no manto sob o local de pouso da Chang’e 6 (1 a 1,5 µg/g) sugere que o manto do lado oculto é possivelmente mais seco que o do lado visível. [3] Abstract
Contexto: Manto sob a Bacia Polo Sul–Aitken, comparado ao manto sob regiões do lado visível amostradas pelas Apollo, Luna e Chang’e 5. · Limitações: Leitura parcial (resumo e introdução). A faixa de água do magma parental é ampla (15 a 168 µg/g). · Estimativa indireta, a partir de apatita e inclusões de magma em um basalto; os próprios autores dizem “potencialmente”. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Incerto: A Chang’e 4 pousou em 3 de janeiro de 2019 na cratera Von Kármán, dentro da Bacia Polo Sul–Aitken; uma rocha medida pelo rover Yutu-2 pode ser da crosta inferior ou ter se formado do magma de impacto da própria bacia. [4] Abstract
Contexto: Medida espectral in situ de uma rocha, não amostra trazida à Terra. · Limitações: Composição estimada por espectro; sem análise em laboratório. · O artigo apresenta duas explicações possíveis, sem escolher entre elas. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Incerto: A razão de a crosta lunar ser mais espessa no lado oculto ainda não está esclarecida. [2] The Lunar Crust
Contexto: Assimetria da espessura da crosta entre os dois hemisférios. · A NASA afirma que a causa ainda está em investigação. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- Nature — Lunar farside volcanism 2.8 billion years ago from Chang’e-6 basalts
Zhang, Q. W. L. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-024-08382-0 - NASA Science — Moon: composition & structure
NASA · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Nature — Water abundance in the lunar farside mantle
He, H. et al. · 2025 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-025-08870-x - National Science Review — Olivine-norite rock detected by the lunar rover Yutu-2 likely crystallized from the SPA-impact melt pool
Lin, H. et al. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/nsr/nwz183
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)