Astronomia

Sem a Lua, as marés cairiam a cerca de um terço; o efeito sobre o eixo da Terra é mais incerto

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Se a Lua sumisse, restariam as marés do Sol. A NOAA calcula que a força de maré solar é cerca de metade da lunar; em relação às marés de sizígia, em que Sol e Lua somam forças, sobraria algo perto de um terço. Esse é um cálculo direto. Já o eixo da Terra depende de simulação: em 1993, Laskar projetou oscilações caóticas de 0° a mais de 85°. Em 2012, Lissauer e colegas, com integrações de até 4 bilhões de anos, obtiveram variações bem menores.

A Lua não está só no céu: ela domina as marés. O Sol puxa a Terra com força 177 vezes maior que a da Lua, mas a maré depende do inverso do cubo da distância, e o Sol está cerca de 390 vezes mais longe. Resultado: a força de maré solar é cerca de metade da lunar. Nas luas nova e cheia, as duas somam e as marés ficam maiores; nos quartos, se contrariam. Sem a Lua, haveria só a maré solar, de amplitude bem menor. O segundo ponto é a inclinação do eixo, hoje em torno de 23,3°, com variação de cerca de 1,3°. Laskar e colegas mostraram que a Lua estabiliza esse ângulo. Sem ela, simulações apontam mudanças mais amplas, mas o tamanho do exagero é debatido. Efeitos sobre a vida costeira são especulação: as fontes consultadas não os quantificam.

A Lua já está se afastando

Pelas interações de maré no sistema Terra-Lua, a rotação da Terra desacelera e a Lua se afasta cerca de 3,8 cm por ano, segundo a página de Jacques Laskar, do Observatório de Paris.

Cálculo: a maré que sobraria

A razão entre as forças de maré do Sol e da Lua sai de gravitação básica: massa e inverso do cubo da distância. A NOAA dá cerca de metade. Sem a Lua, a Terra ainda teria maré, só que solar, com a mesma periodicidade de um dia solar. É o ponto mais sólido do assunto, embora a altura real da maré dependa muito da forma de cada costa e bacia oceânica.

Modelo: o eixo da Terra

A inclinação do eixo só pode ser projetada por simulação do Sistema Solar por bilhões de anos. Em 1993, Laskar e colegas viram uma zona caótica de 0° a mais de 85°. Em 2012, Lissauer e colegas, com integrações diretas de até 4 bilhões de anos, viram variações restritas, com extensão típica de 20° a 25°. Os resultados dependem das condições iniciais e dos métodos, por isso são tratados como modelo.

Por que as conclusões diferem

Li e Batygin (2014) identificaram regiões de caos rápido (0° a 45° e 65° a 85°) ligadas por uma ponte de caos fraco (45° a 65°), cuja travessia levaria cerca de 2 bilhões de anos. Isso explica por que a Terra sem Lua poderia permanecer por longos períodos em faixas limitadas, sem excluir mudanças na escala de bilhões de anos.

Palpite: vida e costas

Os efeitos sobre a vida costeira e sobre o clima são especulativos nesta pauta. As fontes consultadas tratam de marés e de obliquidade, não de ecologia. Por isso o texto não afirma, por exemplo, que a vida no mar ou nas zonas de maré mudaria de um jeito específico. O que se sabe é o ponto de partida físico: marés menores e eixo possivelmente mais variável.

Como sabemos

A parte das marés é cálculo simples; a do eixo é resultado de modelos, ainda debatido, e o efeito ecológico não foi quantificado.

Em debate:

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — What causes tides? (Tidal forces)
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA National Ocean Service — What are spring and neap tides?
    consultada em 06/10/2026
  3. Jacques Laskar, IMCCE / Observatório de Paris — The Earth without the Moon
    consultada em 06/10/2026
  4. Carnegie Science / Icarus — Obliquity variations of a moonless Earth (Icarus 217, 77-87)
    consultada em 06/10/2026
  5. The Astrophysical Journal / IOP — On the spin-axis dynamics of a moonless Earth (ApJ 790, 69)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos