Astronomia

Há água na Lua: gelo em crateras polares sempre à sombra, medido por impacto, nêutrons e espectros

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Sistema Solar

Há água na Lua, e três linhas independentes de medida apontam o mesmo. O impacto do LCROSS em 2009 levantou até 155 kg de vapor e gelo da cratera Cabeus; detectores de nêutrons acharam hidrogênio em excesso no polo sul; e espectros reanalisados em 2018 mostraram gelo à vista em sombras permanentes. É pouco: de 0,5% a 5,6% da massa do solo em Cabeus, e só cerca de 3,5% das armadilhas de frio exibem gelo.

A Lua tem o eixo quase em pé em relação ao plano da órbita. Por isso o fundo de algumas crateras polares nunca recebe luz solar direta e fica abaixo de 110 K (cerca de −163 °C), frio o bastante para reter água por muito tempo. Esses lugares se chamam regiões de sombra permanente, ou armadilhas de frio. A ideia é de 1961, mas as amostras da Apollo estavam secas, e a prova direta exigiu instrumentos novos. Nêutrons que escapam do solo informam o hidrogênio; a luz infravermelha refletida informa a molécula; e um impacto deliberado levanta material do escuro até o Sol. Nenhuma dessas medidas basta sozinha. A força do caso está na soma. O análogo em Mercúrio está no artigo sobre o gelo dos polos do planeta.

Um foguete lançado de propósito

O LCROSS usou como projétil o estágio superior Centaur, que já tinha cumprido sua função no lançamento. Uma segunda nave o seguiu e mediu, com nove instrumentos, o que subiu do fundo escuro de Cabeus.

Como sabemos: três linhas que se cobrem

Cada método tem um ponto cego. Nêutrons indicam hidrogênio, mas não a molécula, e não isolam a camada mais superficial (a7). O impacto do LCROSS viu vapor e gelo no material levantado, além de outros voláteis (a1, a2, a4). Espectros de infravermelho reconhecem a água, mas só onde chega luz: em 2018, a luz refletida pelas bordas das crateras permitiu ler gelo em sombra (a8). Os resultados convergem em Cabeus, mas as regiões ricas em hidrogênio não coincidem com as sombras permanentes (a4), o que mostra um mapa mais complexo que "sombra igual a gelo".

Quanto: de uma fração a poucos por cento

Em Cabeus, o LCROSS estimou 5,6 ± 2,9% de gelo em massa, e os nêutrons 0,5% a 4,0%, conforme a espessura de solo seco sobre ele (a3, a4). Esses valores valem para um ponto. Na superfície, só cerca de 3,5% das armadilhas de frio exibem gelo, e alguns pixels chegam a cerca de 30% (a9). As fontes lidas não trazem um total para a Lua inteira, e este artigo não propõe um. Em área iluminada, o SOFIA mediu 100 a 412 partes por milhão, uma fração minúscula (a12).

Água fora da sombra: OH ou H2O?

Em 2009, o M3 viu absorção entre 2,8 e 3,0 micrômetros, típica de hidroxila (OH) ou de água, mais forte nas latitudes frias (a6). Nenhum instrumento distinguia as duas. Em 2020, o SOFIA, ao medir uma banda própria da molécula de água, detectou H2O na cratera Clavius, iluminada pelo Sol (a12). A conclusão da NASA é que a água pode estar espalhada pela superfície, e não só em lugares frios. O resultado vem de um local; um mapa mais amplo é trabalho posterior.

De onde veio e para que serviria

A origem é hipótese: impactos de cometas, micrometeoritos e vento solar aparecem entre as fontes propostas (a5, a15), e o deslocamento do eixo lunar e a mistura do solo por impactos podem explicar a distribuição irregular do gelo (a11). Como recurso para a exploração, a NASA diz que ainda não se sabe se a água achada pelo SOFIA é de fácil acesso (a13). Qualquer uso prático depende de mais medidas, em mais lugares.

Como sabemos

A existência de água e gelo nos polos lunares é sustentada por medidas independentes, mas três dos artigos centrais foram lidos só no resumo e quantidade e origem seguem como estimativas e hipóteses.

Em debate:

Fontes

  1. Science — Detection of water in the LCROSS ejecta plume
    Colaprete, A. et al. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1186986
  2. Science — Hydrogen mapping of the lunar south pole using the LRO neutron detector experiment LEND
    Mitrofanov, I. G. et al. · 2010 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1185696
  3. Science — Character and spatial distribution of OH/H2O on the surface of the Moon seen by M3 on Chandrayaan-1
    Pieters, C. M. et al. · 2009 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.1178658
  4. Proceedings of the National Academy of Sciences — Direct evidence of surface exposed water ice in the lunar polar regions
    Li, S. et al. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1802345115
  5. NASA — NASA’s SOFIA Discovers Water on Sunlit Surface of Moon
    NASA · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. NASA Science — Water and Ices on the Moon
    Gasparini, A.; Wasser, M. (NASA) · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)

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