Biologia

Lost City: chaminés de pedra no fundo do mar que podem lembrar o berço da vida

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 2000, pesquisadores acharam na Dorsal Mesoatlântica, a cerca de 800 m de profundidade, torres de carbonato que chegam à altura de um prédio de 18 andares. É o campo Lost City. Ali o calor vem da reação entre água do mar e rocha do manto, que libera hidrogênio e metano em quantidade muito maior que nas fumarolas negras. Alguns cientistas veem nele um modelo de onde a vida pode ter começado. É uma hipótese, não uma conclusão.

Lost City fica a cerca de 2.300 milhas (uns 3.700 km) a leste da Flórida, no Maciço Atlântis, uma montanha submarina. Seus fluidos nunca passam de cerca de 110 °C e são muito alcalinos, bem diferentes dos jatos de cerca de 400 °C das fumarolas negras. A ideia de que fontes alcalinas assim poderiam ter abrigado a origem da vida existia antes do achado: Michael Russell e colegas a haviam proposto, e os autores de um artigo experimental dizem que Lost City correspondeu quase exatamente ao que ele postulou. Isso torna o lugar um modelo atual muito útil. Não prova que a vida surgiu em lugares assim, e há outros candidatos, como poças e fontes termais em terra.

Vida sem luz do Sol

As chaminés de Lost City abrigam biofilmes densos, com até 10⁹ células por grama de carbonato, dominados por microrganismos que consomem hidrogênio, metano e formato. A energia química vem da própria reação com a rocha, sem depender de restos da fotossíntese.

Uma descoberta ao acaso

O campo foi achado em 2000, por acaso, numa expedição liderada por Deborah Kelley no navio Atlantis, da WHOI. Fica no Maciço Atlântis, a cerca de 800 m de profundidade, e a maior torre, Poseidon, tem a altura de um prédio de 18 andares. Era um tipo de fonte nunca visto: torres claras de carbonato, em vez dos jatos escuros e quentes das fumarolas negras.

Calor sem magma

Em Lost City o calor vem da serpentinização: água do mar reage com olivina e outros minerais do manto, expostos no fundo do mar. A reação libera calor e grandes volumes de hidrogênio. Os fluidos saem a no máximo cerca de 110 °C, com hidrogênio de até 14 mM e metano de 0,9 a 2,0 mM. Pela WHOI, a produção de hidrogênio e metano é de 10 a 100 vezes a de uma fumarola negra típica.

Por que isso lembra o início da vida

A hipótese de Michael Russell e colegas propõe que gradientes de 5 a 6 unidades de pH entre fluido alcalino e oceano primitivo, somados ao hidrogênio da rocha, teriam favorecido reações com CO2 e dado energia a sistemas primitivos, de modo análogo ao gradiente de prótons das células atuais. Segundo os autores de um artigo experimental, Lost City reproduziu quase exatamente o cenário previsto.

O que ainda não está provado

Experimentos que simulam essas fontes deram rendimentos baixos de moléculas orgânicas, e a formação de formaldeído variou entre execuções. O pH de 10,1 a 10,7 foi medido a bordo e é menor no fundo. As fontes da Terra primitiva também teriam sido diferentes: oceano sem oxigênio, mais CO2 e mais ferro e níquel. Lost City mostra uma química plausível, e outras hipóteses, como poças em terra, continuam em debate.

Como sabemos

Os fatos sobre Lost City vêm de fontes institucionais; o papel como berço da vida é hipótese discutida, e a comparação com hipóteses concorrentes não foi lida em detalhe.

Em debate: A origem da vida em fontes alcalinas é uma hipótese entre outras, como as poças e fontes termais em terra. Os experimentos que simulam essas fontes deram rendimentos baixos e variáveis de moléculas orgânicas, e o pH muito alcalino medido em Lost City é de amostras a bordo, mais alto que o do fundo. Lost City mostra como a química dessas fontes funciona hoje, não como a vida começou.

Fontes

  1. Woods Hole Oceanographic Institution (Oceanus) — Lost City Pumps Life-essential Chemicals at Rates Unseen at Typical Black Smokers
    consultada em 05/10/2026
  2. Philosophical Transactions of the Royal Society A (via PubMed Central) — Habitability of the marine serpentinite subsurface: a case study of the Lost City hydrothermal field
    consultada em 05/10/2026
  3. Journal of Molecular Evolution (via PubMed Central) — An Origin-of-Life Reactor to Simulate Alkaline Hydrothermal Vents
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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